quinta-feira, 29 de março de 2018

DESTINO


O que seria destino? Um fato que não pode mudar/ Algo imutável? Antes de tudo, o destino de quê? Vamos dizer que uma pessoa nasceu numa família de carecas, inevitavelmente o destino dessa pessoa é se tornar um careca também. Já não acontece se uma pessoa for escritora, seu filho terá outro destino, pode até também se tornar um escritor, mas esse pode não ser o seu destino.
Para começar, podemos falar que o corpo denso pode ter um destino e o homem dentro desse corpo ter um outro destino completamente diferente daquele que seu corpo vai ter. Sabemos que crescemos desde criança, nos tornamos adultos e com o tempo a decreptada velhice e por final o fim do corpo denso. Pergunto: o que restou daquela pessoa? Se durante a sua vida só ficou com sua cabeça cheia de fantasias e suas emoções sempre foram frágeis e negativas? Se existiam centenas de Eus fracos e fantasiosos, tudo isso não é nada duradouro, o tempo que fica ativo uma parte da pessoa, este é o seu tempo de vida, nada dentro de uma pessoa pode se falar que tenha um destino. Mas este que até agora falamos é o mais superficial. Tudo que fazemos dormindo ou não é algo que fica em nossa vida. Se uma pessoa corta um dedo, pode ter certeza que a cicatriz ficara no corpo. As nossas ações deixam cicatrizes no destino daquilo que temos dentro de nós e que pode estar dormindo.
Tudo o que acontece é fruto de algo que fizemos antes, bem antes até de nascer neste corpo. Algo pode nos acontecer e ser um merecimento ou fatalidade. Se a pessoa pratica um esforço consciente, ele se tornará um merecimento, se a pessoa fizer algo que prejudique outras pessoas,  esta atitude se tornará uma fatalidade na sua vida vindoura. Então, as pessoas que sofrem, por mais cruel que possa parecer pode ser algo que não sabemos o motivo, mas nada é injusto. A atitude que temos perante a fatalidade de outras pessoas é devido a nossa total ignorância a respeito daquilo que conhecemos como destino.
Um homem que trabalha sobre si, que passa anos procurando uma consciência de si ou outra superior, está fazendo o destino que qualquer homem tem direito, mas não quer. Segue pela vida sem se importar com seu verdadeiro destino. Ele tem direitos que não sabe que existe. Tem possibilidades que não sabe que pode usar e usufruir na vida. Passa a vida toda armazenando coisas que na hora da sua morte não adiantará de nada,  gastou tudo que podia em fantasias e nada ficou para si mesmo. O acúmulo de sua riqueza é fora de seu corpo, então na hora de sua morte ele verá o que possui e o que acumulou no decorrer de seu esforço diário (8 horas ou mais por dia). O seu carro, apartamento, dinheiro, nada é seu, é do mundo e para onde ele poderia ir, o seu “veículo” não foi formado. A sua existência foi para gastar o que podia acumular como energia para este momento. O estranho é que a pessoa pode ter o que quer do mundo externo e ao mesmo tempo acumular no decorrer de sua vida algo para si mesmo que persista a pós a morte de seu corpo denso.
Os exercícios que praticamos é para serem usados na vida, não temos necessidade de nos isolarmos de nada. Ao contrário, temos é que participar da vida, sem estar identificados com o que fazemos e sentimos. Cada esforço do Trabalho de Gurdjieff é um acúmulo de energia que se tornará consciência. Nós não lutamos contra nada, o combate é para separarmos interiormente as nossas vozes de decisão, de ação, daquele que observa o fato. É um trabalho dentro de si que se exterioriza em nosso atos de exercícios, movimentos, domingueira, etc. Que é a prática sem fantasia que fazemos para nos conhecer, e que após isto tentamos ser o que antes julgávamos ser ou que julgávamos ter em nosso interior.
O homem fica satisfeito com o mínimo que a vida lhe dá e o Trabalho de Gurdjieff exige da pessoa algo que a pessoa não sabe que possui. Em outras palavras, a pessoa se esforça primeiro para depois saber o que vai querer da vida. Nós não falamos o que é melhor para uma pessoa, nós damos indicações para se ter uma mudança de compreensão e esco9lher por si mesmo o que é melhor para a sua vida. Quanto mais consciência, mais diferentes são os gostos das pessoas e sua maneira de viver e encarar aquilo que lhe é de valor. O homem no Trabalho muda tudo dentro de si, até o seu destino comum, que passa a ser dirigido pela sua vontade.

terça-feira, 20 de março de 2018

A MENTIRA


O Trabalho de Gurdjieff é sobre a mentira. O homem vive se enganando e tentando enganar os outros com várias formas de mentira. A pior delas é aquela que ele acredita ser verdade e a mais inocente é aquela que ele sabe que está mentindo para os outros. Por isso podemos dizer que a mentira é o caminho da escuridão e da inconsciência. Facilmente o homem jura que ele não mente, seria melhor dizer que não sabe que está mentindo e procurar descobrir as realidades que o cercam em sua cabeça e em seu sentimento. Como gostamos da nossa mentira e queremos que ela seja verdade qualquer coisa que desmistifique esse engano não é bem aceito. As pessoas do Trabalho procuram dentro das suas próprias possibilidades não se enganar, mas deixam uma brecha para poder agüentar a dura realidade de suas próprias fraquezas.
Eu pergunto: como escapar disso?
A primeira coisa que se deve fazer é não se defender justificando seus próprios atos por mais certos e corretos que sejam, pois não temos a possibilidade de ver tudo o que se passa conosco. As nossas limitações de compreensão e consciência são enormes. Com a atitude de não nos defendermos começamos a ter uma possibilidade de duvidarmos de nossa própria capacidade e com isso ver um pouco do que somos. Ter razão nem sempre é ter consciência.
A segunda coisa que deve ser feita é interiorizarmos relaxando o corpo para nos observarmos como se fôssemos pessoas totalmente desconhecidas e que não soubéssemos absolutamente nada sobre nós mesmos. Nessa posição verificamos minuciosamente o que estamos sentindo, nossas conversas interiores e acima de tudo nossa postura corporal, pois uma grande parte das nossas emoções permanecem por não observarmos nossa postura, por exemplo: se estivermos incomodados com algum assunto sentado em alguma cadeira devemos descruzar a perna, endireitar a coluna e olhar a pessoa que está conversando conosco pronto para recebermos um ensinamento e não uma contestação daquilo que estávamos defendendo.
A terceira coisa que não devemos fazer é julgar que as pessoas estão entendendo tudo o que falamos ou falarmos como se a pessoa fosse idiota, repetindo uma mesma coisa que já foi dita ou comentada. Ao falarmos com alguém devemos ser precisos nas palavras de forma que não haja dúvida daquilo que estamos falando, isto requer uma atenção sobre si e uma observação com quem estamos falando, pois existem momentos que a pessoa está totalmente dormindo e se falarmos naquele momento achando que a pessoa vai entender estamos dormindo também. Portanto, se ao constatarmos que uma pessoa está distraída devemos primeiro ficar em alerta e criar uma situação que a pessoa fique mais presente. Não confundir em ficar mais irritada, pois ao criarmos uma irritação durante a conversa estamos dormindo, pois não sabemos lidar com a pessoa que nós achamos que conhecemos, mas que na realidade nada sabemos sobre ela, ou quase nada. A atitude de uma pessoa desperta é sempre equilibrada e isto é observado na nossa tonalidade de voz e da pessoa, como também os movimentos que são diferentes quando uma pessoa está com atenção em si.
A mentira é falar ou fazer algo que não sabemos o que é, mas imaginamos saber. Por exemplo: uma pessoa diz que quer ir para um lugar, mas seus pais não querem e a pessoa fica dizendo para si mesmo que é infeliz por não fazer o que quer. Isto é uma grade mentira, pois se aparecer um gaiato que mexa com seu coração e a família não aceitar, ela arranjará um meio de manter contato físico e emocional com a pessoa indesejável, chegando até a ponto de expor sua própria saúde e sua vida por alguns momentos de prazer. Veja bem, até a sua própria vida em perigo sem nem ao menos questionar o perigo que está correndo.
Outra pessoa diz que ama o filho e que quer ter mais filhos, mas nem cuida do que tem. Não sabe como educá-lo, alimentá-lo, nem cuida das roupas que a criança veste, mas mesmo assim vai mentindo para si achando que mais um filho vai facilitar a sua própria vida de identificação.
Ao estarmos identificados com algo e aparecer outra coisa, a identificação não é dividida, é dobrada. Ao decidirmos ter uma família normal devemos saber que não se deve ter a mínima consideração com a mãe, pois ela vai rebentar o corpo todo e a sua própria saúde e um terço do seu tempo terá que ser dedicado a criatura que está para vir. Engana-se muito quem julgar que a família lhe pertence, a família foi feita para o mundo e é do mundo. Por esse motivo é que os filhos fazem o que querem e vivem como não querem. A perfeição que procuramos alcançar com nossos esforços para ter uma melhoria de consciência não deve ter nenhum empecilho, pois já temos o suficiente para trabalharmos sobre nós mesmos.
Ás vezes achamos que queremos o melhor para nossa vida, mas como estamos dormindo, não sabemos o que é melhor. Falamos que gostamos muito de nossos filhos, que queremos o melhor para eles e quando esse equilíbrio de família comum aparece menosprezamos e jogamos no lixo apenas por um tipo de sentimento dirigido pelo Centro Sexual. Os deleites que a outra pessoa nos causa balança totalmente nossos sentimentos mesquinhos de prazer, esquecendo de todas as manifestações e observações que acumulamos durante anos de esforço sobre si mesmo. Usa-se a desculpa do medo da solidão, quando na verdade todos que estão no caminho da evolução não estão sós, pois os nossos companheiros não são aqueles que estão na nossa cama ou em nossa mesa comendo, mas aqueles que estão no caminho verdadeiro que estamos seguindo, que é o da evolução espiritual.
Sempre achamos que tudo o que fazemos está correto, é outra mentira. É facilmente visível notarmos que ao nos determinarmos a fazer algo e ficamos na ilusão de que estamos fazendo é enganar a si próprio. Digamos que uma pessoa diga que vai fazer uma mesa de madeira e até chega a comprar ferramentas e madeira e vai protelando com várias desculpas de sua própria fraqueza e o tempo vai passando e a mesa que poderia ser feita em um dia ou dois, passa meses sem ser tocada. Isto é uma ilusão que não somente está visível como está mostrando também a fraqueza interior que temos de fazermos os exercícios pedidos de nosso trabalho. O que somos interiormente é o que manifestamos exteriormente. Uma pessoa que trabalha ou faz algo sobre pressão, não é ela que está fazendo o serviço, quem está mandando é que merece o mérito.
Alguém diz que não está satisfeita com seu próprio corpo dizendo tristemente estou gorda, mole, durmo muito, querendo se enganar. Claro que a pessoa está satisfeita com seu próprio corpo, pois não somos donos do destino de nosso veículo. Em vez de nos queixarmos de nossa forma física de estarmos ficando com ruga, varize, celulite e outros detalhes, devemos e podemos é criar um corpo permanente onde a pior das manifestações que podemos ter são as identificações com aquilo que não tem valor e que não se deve dar valor. O nosso objetivo na vida é evoluir e para isso devemos tirar tudo o que nos enfraquece, como raiva, vaidade, orgulho, inveja.
Outro engano é acharmos que tudo está contra nós e que só nós estamos certos. A pessoa pode não gostar e não querer trabalhar, mas diz que está procurando um serviço para si e os dias passam e a pessoa dormindo até 11 horas, vendo filmes e passeando, fica falando que não encontra serviço, isto é uma mentira pois o que a pessoa realmente quer é o que está fazendo e não o que diz que precisa.
A mentira, portanto deve ser observada em todos os seus aspectos, tanto do que fazemos, falamos como o que achamos ser correto e não temos possibilidade nenhuma de saber quem realmente somos.
A melhor maneira de saber se estamos mentindo para nós mesmos é participando de um grupo de atenção e permitindo que numa reunião os outros integrantes possam nos falar como estamos ou então que eles e o orientador nos mostrem a verdade, mesmo que não gostemos. É nesse momento que teremos a escolha entre ficar com a mentira que gostamos ou a verdade que não nos agrada, mas é quem nos impulsiona a crescer e evoluir.

segunda-feira, 12 de março de 2018

IDENTIFICAÇÃO


As pessoas que estão no Trabalho de Gurdjieff se colocam a disposição de reuniões, movimentos e trabalhos cansativos fisicamente, isso levou-os a conhecerem-se entre si, até um certo nível de disposição e situação de atitudes externas, isto deve ser acompanhado junto com a disposição interior. A pessoa do Trabalho não deve apenas ficar presente externamente, deve a todo momento ficar se observando e fazendo os exercícios que conhecem, pois existe uma limitação em cada um de nós, podendo ser de qualquer centro e isto podemos  chamar de desequilíbrio interior e normalmente é muito difícil da própria pessoa perceber. Uma determinada pessoa pode até ter idéia de identificação, mas isto é uma força, às muito maior do que a própria pessoa possa perceber em si mesmo. Pelo simples motivo de que esta força existe mas não é colocado à prova, se num determinado grupo se colocasse à prova o nível de identificação de cada pessoa, possivelmente o grupo se desmancharia. Nos trabalhos de Gurdjieff não existe provar alguém, pois num trabalho interior não existe competitividade, todos os esforços são pessoais, para se auto-conhecerem e gradativamente cada elemento do grupo vai evoluindo internamente, através de seu próprio esforço e se livrando das identificações.
Woman in the mirror, Paul Delvaux, 1936.
Existem inicialmente 3 tipos de identificações e a partir desses 3 tem centenas de outros mais fracos. Nós nos identificamos com objetos, que nos pertencem e também de outras pessoas, com pessoas e animais se iniciando com os familiares e amigos próximos e acima de tudo com nós mesmos que é o pior de todos, pois é o mais difícil de perceber. Uma determinada pessoa tem uma série de costumes que adquiriu durante a sua vida, desde a maneira de vestir , falar, comer, e os gostos pessoais  por livros, filmes, tipos de pessoas,  etc. Se perguntarmos a uma pessoa por que e ela gosta ou faz uma coisa ou outra ela se justificará e se defenderá, até julgará as outras que tenham gosto diferente, isto nada mais é do que uma forma de identificação que deve ser observada e até trabalhada em cada um de nós, pois pode por um motivo ou outro se transformar em impedimento para um trabalho sobre si e sabemos que isto é uma porta onde uma pessoa não consegue ultrapassar, é o limite de cada um. Se perguntarmos para um grupo se deixariam o Trabalho de Gurdjieff todos afirmariam que jamais, em hipótese alguma parariam de vir ao grupo, mas no decorrer do tempo, por algum motivo de identificação pode se tornar um impedimento para um esforço de grupo.
Qualquer pessoa quer se esforçar para se tornar imortal , sair do corpo, ter consciência superior, etc...mas quando os verdadeiros impedimentos se apresentam tudo é esquecido e os motivos das identificações se tornam muito mais forte do que a própria força que uma pessoa conseguiu acumular durante meses e até anos de freqüência num grupo.Ao perguntamos a uma pessoa o que é mais importante em sua vida, ela imediatamente falará que é o grupo de Gurdjieff e até mostrará que está pronta para sacrificar qualquer coisa de sua vida como serviço, família , dinheiro, etc. Naquele momento, o que a pessoa falou é real e ela poderá até matar alguém ou abandonar o que mais gosta. É um erro pensarmos que isto é a totalidade da pessoa, , é apenas um eu daquele momento; e os outros? Onde estão? Qual é a força que os outros tem? Somente saberemos se a situação da vida da pessoa a colocar diante desses impedimentos.
Uma pessoa que está se obs alguns momentos outros não mas ela se julga capaz de se observar a todo momento, é uma falsa idéia. Nós não temos essa capacidade mas nós podemos nos determinar a não seguir em hipótese alguma qualquer idéia que nos tire de uma observação imparcial de nós mesmos então  quando a força externa se apresentar forçando a nossa identificação nós podemos dar um stop em toda a nossa vida até aquele momento e na observação não deixar se manifestar  absolutamente nenhuma voz interior, nenhum sentimento, nenhuma atitude, nenhuma resposta, chama-se neutralizar-se. Esta é a forma mais alta que um homem que se diz guerreiro pode ter. Aceitar a sua própria incapacidade de fazer algo naquele momento e continuar todos seus afazeres como se todos os acontecimentos exteriores incluindo seu próprio corpo não fizesse parte do que está acontecendo e como um autômato, direcionar seu corpo nas mecanicidades da vida apenas observando, incluindo os Trabalhos de Gurdjieff. Nesta situação uma pessoa pode chegar a uma compreensão de nível superior a da sua própria capacidade pois ela abandonou tudo aquilo que podemos chamar de identificação e nesta situação existe uma força muito superior que acompanhará a pessoa trazendo uma compreensão que poderia demorar anos para tê-la.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

OBJETIVO, META E OBRIGAÇÕES

Objetivo: podemos dizer que é aquilo que procuramos um dia alcançar. Algo de imediato a ser feito consigo ou com outras pessoas (exercícios).A meta é algo que requer tempo e objetividade, por exemplo: tenho o objetivo de treinar hoje o karate,  tenho como meta alcançar um grau em 3 ou 4 meses e minha obrigação é não parar durante esse tempo. No trabalho temos como meta criar dentro de nós algo permanente para nossa existência como seres conscientes.
Nossas obrigações são não nos deixarmos levar por pequenas coisas que nos distraiam e ficarmos no sono, a mercê dos acontecimentos acidentais e com isto cair na lei do acidente, sem sabermos o que possa vir a acontecer conosco.
Ao levantar de manhã se inicia o Trabalho de Gurdjieff. Devemos fazer o Mokusô para iniciar o dia e caso haja a desculpa que está atrasado, 15 min não fazem diferença ao acordar mais cedo. Em grupos é mais fácil pela obrigação de encontrar os amigos do Trabalho de Gurdjieff.
Os exercícios diários tem um grau para se iniciarem: o 1º sentir uma parte do corpo, sendo o rosto ou outra parte, e manter a atenção neste ponto até o final do dia, mesmo que esqueça, ao se lembrar continuar, sozinho ou falando com as pessoas no trabalho, escola, serviço, em qualquer lugar. O 2º grau é fazer algo programado no dia anterior (exercício específico) e podemos chamar de nosso objetivo ou primeira obrigação.
O terceiro grau é não esquecer da própria meta a longo prazo, estando dentro dela com leituras, conversas, estudos, filmes, teatro, músicas,etc. Devemos ter como meta alcançar o ponto mais alto possível nesta jornada da vida.
Durante este trajeto, as pessoas que iniciaram com esta meta, começam a falhar na continuidade das obrigações e objetivos, de maneira imperceptível, pois fazem exercícios, movimentos e com isto adquirem uma força interior e nível de consciência e determinação que antes não tinham. A cabeça local do Centro Intelectual quer estar nesta proposta, mas dentro do Centro Emocional não a acompanha. Quando o esforço do Trabalho traz o que a pessoa queria, nem sempre é o propósito inicial. Com isto alcança aquilo que não é fantasia da mente mas o que mais valoriza na vida. Vamos dar um exemplo.
Uma pessoa começa o Trabalho de Gurdjieff querendo ser imortal, alcançar um nível de consciência superior ao estado de vigília, etc. e após alguns anos, seu destino começa a se parecer ao da meta desta proposta. Mas antes a pessoa consegue um companheiro(a) para viver junto e formar uma família, ou viagens ,dinheiro, etc.Quando alcança isto, esquece da meta proposta e fica onde quis realmente chegar: casamento, homem, mulher,etc.Jamais a pessoa vai aceitar que foi o Trabalho de Gurdjieff que trouxe as oportunidades de alcançar algo para a sua vida de ganhar o que quer, casa, ficar rico, etc. Esquece que todo o Trabalho de Gurdjieff que fez até aquela época se perde. Fica decepcionado ou vive frustrado sem mais objetivos.
Outro detalhe que devemos observar com atenção é o valor de uma pessoa dentro do Trabalho de Gurdjieff. Pois quando alguém com certa capacidade entra no Trabalho de Gurdjieff, se apresenta de várias formas. Eus são ótimos em movimentos, posturas, coragem de fazer exercícios difíceis e disposição a estar presente em qualquer situação. Outros são leitores, sabem bem tudo sobre Gurdjieff e suas idéias.Tudo isto é superficial, passa com o tempo e todos verão. No momento em que estas pessoas aparecem, enganam a muitos leigos, pois parecem ser bem melhores do que praticantes de Gurdjieff que já estão a anos no grupo e quem os olha vai elogiá-los e até pensar que são também mestres ou bons. São apenas papagaios que repetem o que aprenderam, fortalecendo suas vaidades e apegos da vida se achando superiores. Com o passar do tempo, dentro do Trabalho de Gurdjieff com observação, movimentos, mokusô, etc, se cria dentro da pessoa uma disposição na vida de que o Trabalho de Gurdjieff é a própria vida. Então digo que estas pessoas estão verdadeiramente no Trabalho de Gurdjieff, mesmo que aparentemente pareçam inferiores a aqueles que conhecemos como papagaios, pois criaram dentro de si algo que conhecemos como centro magnético e não param até alcançar a meta proposta desse trabalho. Vemos que numa reunião de grupo há momentos em que uma pessoa não consegue despertar e entra no sono, sem possibilidade de ajuda externa para sair. Devemos tirar essa pessoa dessa situação, pois os outros podem ver o que está acontecendo com o outro e outro dia pode também acontecer consigo. Então dizemos que quando dois ou mais estão vendo alguma mecanicidade em nós, devemos ficar quietos e não nos defendermos. Mesmo que todo o nosso conhecimento esteja nos dizendo que estamos certos, mas na verdade, naquele momento podemos estar errados ou não termos a possibilidade de fazer ou mudar um destino maduro do que está para acontecer. Por isso devemos dobrar nossa atenção em nossa cabeça e sentimento, sem interferir em nada, nem mesmo em nós. Apenas praticar sem esperar nenhum resultado, pois se vemos o resulltado significa que paramos.
21/04/2008

domingo, 5 de novembro de 2017

O QUE É ACORDAR

Nos Trabalhos de Gurdjieff quase não usamos este termo “Acordar”, pois o nosso objetivo é exatamente alcançar este objetivo e se por um acaso, acharemos que estamos acordado, é um engano, pois esta condição tem níveis diferenciados em cada situação de nossa vida. É fácil para uma pessoa que esteja a um bom tempo fazendo um trabalho de grupo entender o que digo, mas para uma pessoa que  nunca fez exercícios de Gurdjieff ou que fez por pouco tempo se engane e ache que está acordado ou com seu nível de consciência acima do estado de vigília.
Muitas pessoa que chegam ao grupo me dizem que já conhecem estes exercícios de sensação do corpo e que em muitas situações já fizeram e sentiram o que praticamos. O interessante é que no momento que estão falando comigo, não estão fazendo nada para estar presente e mesmo numa situação de movimentos ou Mokuso elas encontram grandes dificuldades em fazer os exercícios, mas mesmo assim acham que estão fazendo e dizem que entenderam o que está se passando em apenas algumas reuniões. O interessante é que estas mesmas pessoas após alguns meses ou anos começam a perceber durante os exercícios que raramente estão presentes e a sua atenção é limitada, restrita a pequenos afazeres, e que diante de si existem várias situações em que ela não enxerga e nem faz absolutamente nada que deveria fazer em relação a atenção que ela deveria ter em muitas ocasiões. Mesmo estando sentindo o corpo e querendo estar com o máximo de atenção, existe uma limitação da própria pessoa, pois seu corpo de CS ainda está em formação. Isto acontece quando o grupo está reunido e todos tem esta finalidade: acordar e permanecer nesta condição de atenção. A todo momento vemos que o esforço dentro do grupo é difícil de se manter em um nível desejado. Agora pergunto : E quando estamos longe um do outro, junto de pessoas que dormem e acham que estão acordadas e que acham que sabem o que fazer, como fica a situação de alguem que está no trabalho? É fácil de se perceber que acontece da pessoa procurar estar presente, mesmo que parcialmente. Mas cada esforço de que fazemos é uma soma para o acúmulo da consciência que dia a dia pode aumentar, até se tornar uma Consciência de Si.
Dentre os vários  Eus  que temos dentro de nós cada eu representa uma força e a soma deles é que produz o que somos na vida. Uma pessoa que está no trabalho de Gurdjieff e se considera firme, que nada o abalará, que seu objetivo é ser imortal etc. mas desconhece que existem  a  força dos Eus  que não estão no trabalho e que somente a própria pessoa tem capacidade de ver e saber de sua existência, mas quando vêem um pouco fogem e procuram justificar seus gostos e até sua compreensão limitada. Alguém está no Trabalho de Gurdjieff porque ainda não apareceu algum tipo de tentação que o tire do trabalho. Pode ser algum emprego cuja remuneração é boa, mas o impedirá de participar de participar das reuniões. Como também algum curso da área que a pessoa dê mais valor do que sua própria evolução. O seu C.G. não é do trabalho sobre si os Eus que estavam adormecidos, podem acordar de repente e ficar até furioso se alguém discordar. Com essas pessoas devemos não tentar mostrar a ilusão em que estão metidas, mas nos afastarmos das idéias dela e observar de longe, sem tentar mudá-las.
Elas não são do trabalho, estavam no Trabalho de Gurdjieff. Quando alguém dentro de si mesmo pode se considerar do trabalho, é pelo simples motivo em que ela descartaria tudo em sua vida para a sua evolução. Seu centro magnético existe e o restante em sua vida que em seu redor, começando com a família, serviços etc, o FDS não lhe atinge.

Uma pessoa pode passar alguns anos sem que apareça uma oportunidade tentadora, mas quando aparece ela ela não tem dúvidas, a sua vida é aquilo, então quando  ela pede uma opinião a alguém, já está decidida a prosseguir em seu real objetivo que acaba sendo outras três forças negativas que tira a maioria das pessoas do Trabalho de Gurdjieff. Então o acordar passa a 2º plano e seu sono vira acolhedor e gostoso.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

COSMOLOGIA

Sabemos que a existência é baseada em 3 forças: Ativa Passiva e Neutralizante ou Resultante. (1+2 = 3) Não é um mais um porque são duas forças contrarias, então chamadas de 1 e outra de 2 . As duas juntas nem é uma nem é outra. Chamaremos de 3, ou terceira força. Como as forças que existem dentro de nossas limitações sensoriais são sempre resultantes de outras superiores ou iguais, devemos saber que existe uma força primaria que chamamos de Absoluto. E como não há um nome científico, será H-6, que é a mais alta vibração possível e a mais baixa materialidade existente 1 +2=3>6. Vibração é a energia capaz de transformar um movimento em outro em qualquer circunstância. Aqui devemos imaginar que tudo é matéria, começando por uma pedra, reino mineral, vegetal, animal e humano. O reino mineral tem menor vibração e maior materialidade do que o reino vegetal e assim até o animal e humano.
Uma vibração mais alta pode se manifestar numa mais baixa através do movimento, cor ou som. São conhecidos por nós, mas não param aí. Existem muitas outras vibrações muito mais poderosas e com menor materialidade. Então dizemos que uma alta vibração pode ser percebida em uma mais baixa e esta pode receber a influência de uma mais alta.
No reino mineral se manifesta o vegetal, que possui mais alta vibração e menor materialidade. Com a sua energia superior, consegue transformar o mineral em vegetal, isto é, se alimenta de minério com a combinação de outras forças que falaremos depois. Por sua vez o vegetal serve de alimento para o reino animal e este para o humano. Isto não pára por aí, prossegue até o absoluto. Uma outra forma de entender, é saber que no corpo do vegetal existe o mineral, no animal existem vegetal e mineral e no humano, todos eles. Então, a mais alta vibração deste contexto, é o humano.
Além dos ossos, músculos, gorduras, água, etc. que o corpo humano possui, existem outras matérias como pensamento, fantasia, sentimento e percepções sensoriais que não são consideradas matéria pela ciência.
São do mesmo nível da carne, superiores, mais vibrações e usam o corpo para se manifestar e se alimentar dele.
Para entender o funcionamento da máquina humana, devemos voltar para o espaço sideral desde o absoluto em escala decrescente.
O Absoluto se manifesta em todos os mundos então faremos um ideograma:
l. ABSOLUTO SE MANIFESTA EM
2. TODOS OS MUNDOS= todas as galáxias juntas
3. TODOS OS SÓIS = uma das galáxias
4. SOL = compreensão possível ao ser humano
5. PLANETAS=se manifestam na terra
6. TERRA=tudo existente de vida orgânica e outros
7. LUA= transições do reino mineral, abaixo absoluto que é a mais alta vibração possível inacessível ao ser humano.
Uma galáxia é um ser que se manifesta nos sóis (estrelas), os quais podemos chamar de seu corpo físico, perceptível ao homem. Como o universo, mas não é acessível em sua realidade, e mesmo em parte, apenas parcialmente visível e percebido por telescópios.
Qualquer elemento orgânico, por mais simples que seja, como uma cenoura, uva etc. possui uma ligação infinita sucessiva e ininterrupta com cada vez mais altas vibrações. Mas para sua existência, são limitadas ao sol, lua, água e terra. Que por sua vez são ligados entre si e com o ser superior. O Sol com um conjunto de estrelas e estas com a galáxia a que pertence. Quando falamos, por exemplo, do homem, e o analisarmos com a vida orgânica na terra, a ciência o vê como um conjunto de ossos, carne, sangue etc. Mas tudo isto, por sua vez, vem de uma outra forma de energia, que a ciência comum nem imagina. Uma simples célula não existiria se não estivesse em um determinado lugar ligada as outras células e assim sucessivamente. Existe uma consciência que tem poderes de inteligência em cada grupo de células, corações, pulmões, etc. separadas da existência. São forças aglutinantes do espírito humano e outros espíritos também. Em volta deste espírito se aglutinam energias que o possibilitam se manifestar neste mundo, que chamamos de material. A sua vontade de se manifestar faz com que outras forças com os mesmos objetivos, apesar de serem independentes, unam forças para sua própria evolução.
O espírito se centraliza naquilo que chamamos de corpo, com o que há a sua volta que o ajude a evoluir. Isto é, acumula sua energia que será sua própria consciência. Nós temos os pés em baixo, a cabeça no alto, tórax no centro etc. Os órgãos espalhados, formando o corpo humano, animais, vegetais e até minerais. À medida que este espírito acumula um tanto de energia, se torna um ponto em seu redor dos que proporcionaram sua evolução. Os que estiverem mais perto dele serão os mais evoluídos.
Podemos dizer que nossos órgãos internos são seres que evoluem junto com nosso espírito. Esta evolução prossegue até que toda esta energia evolutiva alcance um grau que podemos chamar de Lua, planeta, Sol etc.
O ponto mais perto de se receber uma influencia geral de todos os lados é o redondo (esfera), pois de seu centro para periferia todas as distancias são iguais. Esta inteligência é limitada até o sol. Em todos os sois é outro tipo de estação, onde as distancias são de grau de vibração, por isso não são redondos (galáxias). O que determina a sua evolução não é a forma, mas o grau de vibração que é heterogêneo, pois possui muitos seres diferenciados entre si e estas distâncias também o são. Tomando com isto formas completamente diferentes, igual ao corpo humano e seus órgãos.
Quando falamos do homem, que também possui uma complexa formação, não podemos esquecer que aquilo que possuímos dentro e fora de nós não é limitado ao mundo perceptível sensorialmente. Como o pensamento, sentimento, sensações de frio, calor, etc. Em volta de nosso corpo, existe nos rodeando uma força que alguém chama de aura, que nada mais são do que filamentos da força humana e que não se restringe a ficar ao redor de nosso corpo, vai muito além, recebendo influências de fora para dentro, de cima para baixo, lateralmente, de baixo para cima, simultaneamente. Os planetas também possuem forças colossais que formam por onde passam grandes rastros de filamentos luminosos. Vou dar um exemplo mais simples. Digamos que tivéssemos a chance de virar uma pedra e olhamos para o sol. Pela sua velocidade diferenciada da minha percepção, eu veria no céu apenas uma faixa luminosa amarela e um piscar de escuro com outra faixa prateada que seria o caminho da Lua. E se acaso não tivéssemos na Terra, apenas veríamos grandes anéis (rastros dos planetas) interligados no sol, as nuvens em torno do planeta seriam uma névoa constante. A rapidez de nossa existência no corpo denso nos tira essas possibilidades de observação em longo prazo e também se estivéssemos naquela situação, os sons que ouviríamos seriam bem diferentes e mais constantes, vindo dos planetas, sol e até das estrelas.
Quando o homem se prende a sua vida diária, perde estas possibilidades de existência em outros planos. Prendemos-nos pela evolução terrestre que se inicia sutilmente naquilo que nós gostamos e que a vida comum oferece, que nada mais é do que a evolução do planeta terra, muito lenta para nós.
Os planetas um dia podem se transformar em sóis, que é uma evolução normal através dos períodos, assim como o homem também pode se tornar um planeta e até chegar a ser um sol. Cada um dos seres tem um nível de percepção de acordo com seu corpo evolutivo, por esse motivo existe a diferença de graduação: átomo, moléculas, órgãos, ser. Um átomo sozinho é um tipo de existência. Quando existe a necessidade de um aglomerado formando uma molécula, é um ser superior. Ao se tornar órgão, é mais superior ainda e por ser mais complexo, pode receber influências de outros seres superiores. Podemos até falar que poder servir para evolução de outro acima de sua capacidade (cadeia de alimentos). Para facilitar podemos também dizer que são reinos, mineral, vegetal, animal, humano, terrestre, planetário, solar, galáctico, até todos os mundos, a união de tudo, formando o ser supremo, que é tudo o que existe no Universo. A evolução acima do sol, segue um princípio diferente do nosso e está acima da compreensão humana. Quanto mais alto o ser evolutivo, muito mais alta é a vibração que o forma.
Quando alguns átomos desprendem sua energia de alguma forma: Urânio, Hidrogênio, etc, significa que seu estado normal levou um choque de alguma maneira e com isto sua energia se expandiu. Mesmo sendo algo bem simples como uma cabeça de fósforo quando entra em combustão ou o desprendimento do calor do fogo. Tudo isto é uma mudança de vibração menor para a maior. No reino Vegetal este choque é muito superior, portanto há uma necessidade de um mínimo de energia ou vibração para sua existência. Em relação ao átomo, é muito superior. O mesmo acontece no reino animal, onde consideramos somente os animais de sangue quente. Os de sangue frio podemos dizer que é seiva como sapo, serpente, inseto, etc. Já no reino animal a vibração é muito superior, é fácil confundir quando pensamos somente com nossa percepção sensorial que é muito limitada. Para apenas termos uma idéia, podemos dizer que a manifestação de uma energia só tem necessidade de um corpo físico mineral. Por exemplo, uma bomba de hidrogênio: basta criar condições físicas e a explosão acontece. Já para um ramo de grama se manifestar tem que ter além do mineral um outro tipo de energia que possibilite a existência da molécula desse ser (grama), que é superior aos átomos que o formam. Vamos dar o exemplo seguinte: uma folha para existir, tem a necessidade de átomos de hidrogênio, oxigênio, fósforo, carbono, etc. Esse aglomerado de átomos é mantido quimicamente composto por uma força completamente desconhecida da ciência comum e dos 5 sentidos. Se a conhecessem, poderiam criar uma folha, flor, etc. Esta energia vibratória que mantém a existência de uma simples flor, é muito superior aos átomos que se mantém em união para formar este ser. O mesmo acontece com um planeta. Sua vibração é a somatória de tudo o que existe nele. Sendo que nos planetas que não tem vida orgânica, não significa que são inferiores. Ou passaram por este processo, ou ainda vão chegar, mas como sua forma é redonda, mostram a vibração que o mantém, que é muito superior a orgânica, pois possui um nível de manifestação sem o reino vegetal, animal e humano, onde ainda não chegamos como homens. Esse assunto também tem haver com os cosmos. Cada cosmo é um nível diferente, do de cima como do debaixo, mas há a possibilidade de comunicação entre eles.
Dentro de nós existe o plano mineral, vegetal e animal. Este conjunto, possibilitado pela vibração do espírito humano quando está materializado, chamamos de alma. Para sua existência, necessita de três forças juntas, além de outras forças: motora, sexual e instintiva. Cada uma recebendo influência vibratória do próprio cosmo, o de cima e o de baixo. Isto possibilita o seguinte: o corpo denso, carnal, faz o contato com nosso cosmo através dos sentidos e dentro de nós através das diferentes vibrações como pensamento, sentimento e outros, que são de mais alto grau vibratório acima dos três reinos, possibilitando a união de um cosmo com o outro. Com isso há criação de algo permanente através de um esforço. Do material de mais alto grau com o de menos grau onde se manifesta. O pensamento se manifesta no cérebro e sistema nervoso. O sentimento através do coração e o instintivo através dos sistemas circulatório, digestivo, respiratório e outros. O espírito que podemos dizer tríplice (três), não existiria nesse mundo físico se não tivesse uma diminuição de vibração ao nível mineral, que se iniciou no processo evolutivo que já falamos.
Ao nos separarmos das percepções comuns dos 5 sentidos e iniciarmos uma observação imparcial de seu funcionamento, armazenamos a energia necessária para vivermos em outro plano.
Por mais potente que seja o telescópio ou mais definição que tenha o microscópio, tudo dependerá da nossa limitação aos 5 sentidos, que é o nível humano atual. As outras percepções, os homens um dia terão a longo prazo, aos conformados pela existência e oferecimento do mundo em que vivemos materialmente, mas nem todos estão satisfeitos pelo que recebemos pela evolução do planeta. Queremos nossa própria evolução que depende unicamente de nosso esforço para consegui-la.
Temos o direito de ter tudo o que a vida nos oferece e além disso, a existência em nosso verdadeiro destino que os nossos criadores nos ofereceram. O que devemos fazer para ter esta herança bendita que inicia neste pequeno corpo frágil e dependente de tudo que nos rodeia?
Primeiro não esquecer que temos dentro de nós muito mais energia do que supomos e que esta vibração pode ser armazenada para prosseguirmos nossa evolução ou voltar para nossa origem. O mais alto grau que temos acesso são nossos pensamentos e sentimentos, que só podem ser refinados pelo nosso esforço diário nesta curta existência neste corpo denso.
Para recordar, -devemos saber que do primeiro Cosmos ao último, estão todos dentro de cada um dos 7 mundos nesta seqüência:
·         Protocosmo
·         Ayocosmo
·         Macrocosmo
·         Deuterocosmo
·         Mesocosmo
·         Tritocosmo
·         Microcosmo
Ao iniciar no Trabalho, sabemos que as manifestações e vibrações são as menores possíveis e, para entendermos isto, devemos ter em mente de que se fôssemos um átomo que se manifesta no corpo humano, por mais longe que viajássemos em um foguete, jamais poderíamos saber da existência do cosmo superior, sempre ficaríamos no MICROCOSMO . Por exemplo, uma pequena molécula de cristal, com menos de lmm. Nós poderíamos entrar nela e sair, desconhecendo totalmente a sua existência. Para podermos entrar em contato com TC teríamos que no mínimo ser um átomo composto, formando um ser muito maior, por exemplo um cristal de sal, que é o material que o corpo humano possui no TC, que é onde se manifesta já com a possibilidade de se expressar nele e aí ter sua existência com a potencialidade de ir para o MC ou subir para o MsC, que são os planetas com tudo o que existe nele.
Digamos que o MC é um mundo sem formas, apenas vibração e energia. Já o TC é parte desse cosmo, mais o seu com todos os mundos que ele contém. Com isto as formas do TC como pessoas, aves, mar, etc. são sua realidade. Ao olharmos para cima veremos o DC que é o Sol e as estrelas que conseguimos ver, mesmo que seja com telescópio. Não temos acesso a ele pois, se pegássemos um foguete e saíssemos da órbita solar, iríamos cedo ou tarde encontrar outro sol e veríamos tudo como vemos daqui. Usando outras vibrações de nosso corpo, CI e CE entraríamos nos mundos que não vemos com os 5 sentidos, que nos possibilitam viver organicamente no TRITOCOSMO e somente teremos esta possibilidade se tivermos consciência e veículo para percebermos a sua existência. Este veículo pode ser criado pela atenção e um esforço para não desperdiçarmos nossa energia inutilmente. Como também podemos ter acesso a este outro mundo fora de nosso Cosmo com energias e vibrações presentes em nosso corpo denso, através de esforço pessoal ou ingerindo material que nos proporcione um aumento de vibração em nosso corpo por algum tempo como o vegetal, além de outros que não usamos por desconhecer sua origem.

Ao entrar nos mundos espirituais, devemos não pensar no material, nem na lógica ou no tempo. A nossa compreensão deve ser detida, pois faz parte do Tonal, fruto da personalidade e nós sabemos que ela é nova e muito limitada, impedindo com isto um aprendizado superior. Apenas devemos observar e não tonalizar nossa compreensão limitada. Muitas coisas que vemos e sentimos fora do corpo ou mesmo dentro dele, estão acima de nossa compreensão do momento, só posteriormente é que saberemos. 

sábado, 19 de agosto de 2017

VONTADE E DESTINO


O homem comum não tem vontade, pode ter desejos e muitos pequenos desejos que ele os classifica como vontade. Nós temos que conhecer o que é desejo e o que é vontade. Muitas vezes fazemos coisas que não são frutos da nossa vontade, mas de outra pessoa. Os desejos não necessitam de nenhum ou quase nada de esforço, acontecem e desaparecem sem nada deixar para trás. Uma pessoa deseja treinar Karate ou Judo e inicia os treinos, isto é, foi levado pelos seus desejos de auto- defesa, ginástica, etc...quando começa a aparecer obstáculos, esta pessoa falta aulas, vai se afastando até que pára de lutar, sempre dando uma desculpa qualquer, até razoável.
No trabalho de Gurdjieff isso é igual, uma determinada pessoa começa muito bem fazendo os exercícios, relaxamento, etc...mas gradualmente começa a fraquejar, falta sempre que algo acontece, contrário aos exercícios e frequências que normalmente teria que ter. Uma pessoa que só tem desejo não tem um destino que o homem deveria ter, isto é, força suficiente para criar um equilíbrio e um corpo ou mais para ter uma evolução certa. O homem comum com seus múltiplos desejos não tem capacidade de armazenar quantidade de energia suficiente para sua imortalidade. Ao iniciarmos por exemplo um aprendizado que não seja necessário para se ter uma vida normal requer um esforço que pode se tornar uma vontade. Quanto mais obstáculos uma pessoa vencer para alcançar seus objetivos, mais perto estará da vontade. Por exemplo, uma pessoa se esforça enormemente para adquirir estabilidade financeira ou riqueza ( poderá até parecer que isto seja uma vontade por enormes sacrifícios de saúde  e tempo em sua vida ) mas se olharmos detalhadamente veremos que todo seu esforço nada mais serve do que satisfazer seus pequenos desejos.  Seus esforços são puramente mecânicos e com isso ele segue seu destino comum a todos, isto é : comer, beber, transar e morrer, nada mais que isso.
O homem que se determina a se aperfeiçoar em qualquer arte marcial ou plástica estará perto de alcançar um outro tipo de destino, diferente totalmente do homem comum. Se para isto ele tiver que aperfeiçoar seu sentimento, pensamento, e atitudes, nunca sozinho, sempre dependendo de outras pessoas, por menor que seja seu esforço o armazenamento de sua energia o conduzirá a uma nova compreensão da vida e com isto a algo dentro de si.  Não terá destino comum. Gradualmente ele se afastará de tudo que o prejudique a alcançar seu objetivo ou sua meta. Na verdade o destino do homem não é fazer parte do destino geral da natureza, pois isto não consideramos como evolução. O enorme desperdício de força que temos durante a nossa vida faz com que só vivamos para satisfazer desejos descontrolados que não nos leva a nada. Seremos como pó soprado pelo vento. Qualquer pequena mudança seremos levados de um lado para o outro. Basta uma pessoa fazer qualquer coisa por mínima que seja, se a pessoa não tiver na vontade ela esquecerá imediatamente sua meta e até seus objetivos imediatos cairão por terra. A importância da imortalidade será esquecida nas suas manifestações de raiva e vingança que terão mais importância do que todo esforço acumulado em seu trabalho sobre si mesmo. Esta pessoa não tem um destino, terá apenas fatores que determinarão seu vai e vem nas distrações e mecanicidades.

Há um destino que podemos chamar de geral, por exemplo, uma pessoa sempre foi correta e trabalhadora, nunca foi negligente com a família e de repente a filha morre, sua mulher fica doente e o mal lhe cai sobre a vida. Isto tem a ver com seu destino de renascimento. São coisas que devemos passar na vida para adquirir experiência e acordar. A insatisfação do cotidiano sem um objetivo de evolução, leva a loucura e desequilíbrio. As pessoas vivem para a vida da terra e não para elas. Cada pessoa tem os objetivos de equilíbrio e satisfação social. encontrar alguém, casar, ter filhos, trabalhar, colocar os filhos para estudar e etc... e com isso sua vida vai passando e sua chance de evoluir na vida também. O mesmo acontece com a sua família, vivem para esperar a morte ou uma festa de aniversário e etc...sempre esperam algo do nada apenas para sua satisfação pessoal que a sociedade criou. Esperam que a morte chegue e termine como a festa.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

EMOÇÕES NEGATIVAS - Parte I


Falaremos, esta noite, do Trabalho. Falaremos do que significa o trabalho sobre si em relação às emoções negativas. O Trabalho diz: "Tens o direito a não ser negativo". Observem que o Trabalho não diz: "Não tens direito a ser negativo." Um dos sinais pelos quais se pode distinguir entre um ensinamento falso e um ensinamento verdadeiro é que o ensinamento falso insiste que se faça algo que não se pode fazer ou estabelecer como regra. É sinal de um ensinamento falso, por exemplo, obrigá-lo a prometer algo, ou a jurar, ou fazer um voto de silêncio, e assim sucessivamente. Um homem - um homem comum - não pode cumprir uma promessa em todas as circunstâncias, porque não é uma pessoa, mas, ao contrário, várias pessoas. Uma pessoa, um "Eu" nele, pode prometer ou até amarrar-se por um juramento. Outros "Eus" nele, entretanto, não quererão reconhecê-lo. Supor que um homem pode prometer alguma coisa é supor que já é uno, uma unidade - quer dizer, um homem que só tem um "Eu" real, permanente, que o controla e, assim, uma só vontade. Mas um homem tem muitos "Eus" e muitas vontades diferentes. Suponhamos que o Trabalho estabeleça uma regra deste teor: "Não deve ser negativo. Deve jurar que não será nunca negativo. Se não cumprir esta promessa, terá que abandonar o Trabalho." Se o Trabalho dissesse isso, significaria que pressupõe que o Homem pode fazer. Mas o Trabalho diz que o homem não pode fazer e que isso é preciso perceber por meio da observação de si. Se prossegue imaginando que pode fazer, se continua pensando que sempre recorda e cumpre seu propósito, então não haverá lugar em você para o Trabalho e o Trabalho não poderá ajudá-lo. Não sentirá seu desamparo interior. Se começa a sentir seu desamparo interior de um modo correto, sentirá a necessidade do Trabalho, para que o ajude. Como o Trabalho pode ajudá-lo? Só pode ajudá-lo se você começar por obedecê-lo. Sentir a necessidade do Trabalho é sentir que precisa de algo para servir de guia. Se deixa que alguém o guie, é melhor que o obedeça. É preciso que trate de obedecer ao Trabalho. Entretanto, se não entende nada, não pode obedecer ao Trabalho. Por isso é necessário pensar naquilo que o Trabalho ensina, para que fique gravado claramente em sua mente. É preciso que pense, por si mesmo, com seus pensamentos mais genuínos e pessoais, naquilo que o Trabalho está sempre lhe dizendo. Se pensar dessa maneira, profunda, íntima e pessoal, verá que o trabalho lhe diz mais sobre o que tem de fazer do que sobre o que não tem de fazer. Agora, bem, as pessoas muitas vezes perguntam: "Que é que tenho que fazer?" Por esse lado, o Trabalho só diz duas coisas definidas: "Lembre-se de si mesmo" e "Observe-se a si mesmo." Isso é o que você deve tratar de fazer. Por outro lado, o Trabalho diz muitas coisas sobre o que não deve fazer. Diz, por exemplo, que deve tratar de lutar contra a identificação, de lutar contra a mecanicidade, contra a conversa mecânica e equivocada, contra todo tipo de consideração interior, contra todo tipo de auto-justificativa, contra as diferentes imagens de si mesmo, as formas especiais de imaginação, a antipatia mecânica, contra todas as variedades de auto-compaixão e auto-valorização, os ciúmes, os ódios, com a vaidade, a falsidade interior, a mentira, o auto-convencimento, os preconceitos, etc. E fala expressamente de lutar contra as emoções negativas em seu conjunto. Às vezes se encontra no Trabalho uma pessoas ansiosa e desejosa de saber exatamente o que fazer. Em geral as pessoas que fazem essa pergunta só prestam atenção exterior e não interior. Como sabem, o Trabalho começa com a atenção interior. A observação de si é atenção interior. Uma pessoa deve começar por ver a si mesma, a que se assemelha e o que lhe acontece - por exemplo, é preciso que veja por meio da atenção interna suas próprias emoções negativas, em lugar de ver só as das demais pessoas por meio da atenção exterior. É preciso que veja o que significa identificar-se com suas emoções negativas e o que significa não identificar-se com elas. Uma vez que o veja, já conseguiu a chave para entender o aspecto prático do Trabalho. As primeiras etapas do Trabalho se chamam, às vezes, "limpeza da máquina". Uma pessoa que constantemente diz: "Que deveria fazer?", depois de haver ouvido o ensinamento prático do Trabalho algumas vezes, assemelha-se a um homem que tem um jardim cheio de ervas daninhas e diz, ansiosamente: "Que deveria plantar nesse jardim?, Quais plantas poderiam crescer nele?". Mas a primeira coisa que tem a fazer é limpar o jardim. Por isso o Trabalho enfatiza o que não deve ser feito - quer dizer, aquilo que é preciso deter, aquilo ao que não se deve ceder, o que se deve impedir, o que não se deve alimentar mais, o que se deve limpar na máquina humana. Porque entre nós não há ninguém que tenha máquinas lindas e novas quando entra nesse Trabalho, e sim máquinas oxidadas, sujas, que necessitam de limpeza diária e, por certo, uma limpeza radical no começo. Uma das maiores formas de sujeira são as emoções negativas e o abandono habitual a elas. A maior sujeira no homem é a emoção negativa. Uma pessoa habitualmente negativa é uma pessoa suja, no sentido do Trabalho. Uma pessoa que sempre pensa coisas desagradáveis das demais, que não simpatiza com ninguém, que tem inveja, que sempre tem algum motivo de queixa, alguma forma de compaixão de si mesma, que sempre sente que não é tratada com justiça, tal pessoa tem a mente suja no mais verdadeiro e prático dos sentidos, porque todas essas coisas são formas de emoções negativas e as emoções negativas são sujas. Agora, bem, o Trabalho diz que tens o direito a não ser negativo. Como se assinalou antes, não se diz que não tens o direito de ser negativo. Examinando a diferença ver-se-á como ela é grande. Sentir que se tem o direito a não ser negativo significa que se está bem encaminhado para o verdadeiro trabalho sobre si em relação aos estados negativos. Ser capaz de senti-lo atrai a força que o ajuda. Mantendo-se erguido, por assim dizer, em si mesmo, em meio a toda a desordem da negatividade, e sentir e saber que não é necessário perder-se nessa desordem. Dizer esta frase de modo correto para si mesmo, experimentar o significado das palavras "Tenho direito a não ser negativo", é, na realidade, uma forma de lembrança de si, de sentir um indício do verdadeiro "Eu" que se levanta sobre o nível de seus "Eus" negativos que todo o tempo repetem que tens todo o direito a ser negativo.

terça-feira, 11 de julho de 2017

A EVOLUÇÃO DO SER


O homem normal sempre acha que a razão é a sua e que seu ponto de vista é o certo. Baseado em suas próprias convicções, esquece que a sua cabeça e  seu raciocínio é apenas uma pequena parte de seu próprio ser e que sua  compreensão pode mudar de acordo com as circunstâncias em que está vivendo. Todo o conhecimento de uma pessoa pode ser acrescido de uma experiência e se tornar mecânico, completamente automático. Isto quer dizer que o próprio conhecimento pára, estaciona e deixa de evoluir com o  tempo. Quando aprendemos algo pode ser por um dos centros. Pode iniciar com o Centro Intelectual e passar para o Centro Motor  como também pode iniciar com o Centro Motor e passa para o Centro Emocional e assim o aprendizado se automatiza.
Se o homem for de uma escola que procura a evolução do SER, ele não pode parar de praticar o que toma conhecimento para poder evoluir em sua consciência. Para isso deve aceitar que aquilo que hoje ele gosta, pode amanhã gostar muito mais ou simplesmente esquecer que gostava ou fazia. Se a pessoa procura acordar, deve sempre se auto observar através de exercícios contínuos. Quando a pessoa se acha capaz ou que já está com a razão, significa que parou. O que ela é continuará sendo até a hora da morte, nada mais lhe será acrescido. Se tem um pequeno gosto, após 5 ou 10 anos continuará a mesma pessoa; Se tem um ponto de vista, assim ficara até o final; Suas convicções continuarão as mesmas, apenas poderá fortalecê-las, isto é, dormirá cada vez mais; Se antes fumava um maço de cigarro agora fumará dez ou mais; Se antes era um pouco nervoso, quando velho ficará pior ainda. A evolução do ser humano precisa sempre ser dada uma corda para sair do lugar, igual um relógio. Tem um tempo determinado para funcionar e sempre voltará as mesmas horas. Fora pode tudo ter mudado mas o relógio é o mesmo e percorrerá o mesmo caminho por mais que lhe dêem corda. Para  haver uma evolução é necessário trabalhar sobre si mesmo, obedecendo não regras ou leis, mas se observando. Vamos dizer que uma pessoa fuma, bebe álcool, etc.. e ao entrar para uma religião e seguir suas leis deixa de fazer isto. Por um pequeno momento ele fará um esforço, em seguida se achará melhor do que os outros, em situação privilegiada, etc...Na verdade estará em pior situação do que antes, pois se antes ele se achava normal com seus vícios agora se acha melhor e na verdade nada em si mudou, continuará com as mesmas convicções e no lugar dos seus vícios colocará o orgulho e a vaidade, fantasiará sua própria pessoa se achando diferente e daí para frente nada em si mudará, terá os mesmos medos, distrações e conhecimentos, apenas aumentará as suas fantasias.
O que fazer então para se ter algo concreto dentro de si? Devemos nunca aceitar aquilo que somos como um final ou que está certo. Se achamos que gostamos de uma pessoa devemos observar, com detalhes nosso comportamento diante dela e verificar através de uma observação imparcial o que sentimos por ela em cada detalhe por menor que seja. Por exemplo, acho que gosto de fulano mais do que beltrano. Devemos procurar porque gostamos e na observação constante estar presente quando a pessoa discorda de nós ou faz algo que achamos errado. O que sentimos naquela hora? O que pensamos? O que somos para ela neste momento? Qual é a tonalidade de voz que adquirimos? Como fica nosso corpo? etc, etc... Ao contrário também. Se não gostamos de alguém devemos procurar saber porque. O que temos em comum com ela? O que nos levou a ter esse tipo de sentimento? Será que nós nos achamos melhor do que ela? Porque? Tudo isso com base em relaxamento muscular e duvidar das próprias convicções.  No nosso caminho nada é conclusivo, tudo é início de algum conhecimento que nos levará a frente e para o alto.
Inicialmente deve-se até pensar que devemos deixar de sentir algo pelas pessoas, é o contrário devemos aprimorar nossos sentimentos e nossa atitude não agir mecanicamente como uma folha ao vento. Aceitar que queremos ser melhores do que somos não em nossos costumes ou atitudes, mas em nossa forma de ver e sentir o mundo que existe dentro e fora de nós para quando haver mudanças, ser para melhorar a nossa atual condição e não piorá-la. A medida em que passamos a fazer a Observação de Si  não temos possibilidade de ver o que pode fazer ou mudar. Só a longo tempo é que se nota a mudança tanto nos sentimento como nas atitudes. Agora a influência não fica unicamente em nós, ela atinge as pessoas que conhecemos, no nosso trabalho, religião, família, é como um fósforo dentro de um quarto escuro, por menor que seja a alma ela sempre iluminará o quarto todo, não só uma parte dele. O conhecimento de si inicia-se na observação de nossas impossibilidades, é quando começamos a duvidar daquilo que imaginamos possuir e que não temos como: controle de si, livre arbítrio, determinação, etc... Ao tomarmos conhecimento de nossas incapacidades, temos a possibilidade de termos estes méritos humanos, como amor, paciência, compreensão, etc...
A Observação de Si não pára somente nisto. Estes exercícios também abrem a porta para aquilo que ouvimos, lemos, acreditamos mas não vemos nem sentimos como a outra realidade além da material. Aos poucos passamos a ver, sentir e por em prática muitas coisas que pareceriam totalmente impossível para um não praticante. O grau de aprendizado que diz o nível de evolução de uma pessoa é pelo que ela vê, sente e faz na vida em seu cotidiano, uma coisa não é separada da outra. Vamos dizer que outra pessoa vê a outra realidade e não consegue ver a sua vida normal, isto é desequilíbrio e vice-versa. O trabalho sobre si é para se ter equilíbrio e com isto mais consciência e a formação de algo interior que não é perecível, que permaneça independente da vida material e transitória.
Quanto mais certeza tivermos do que temos que um dia enfrentar, maior é a força que nos faz ser diferente e encarar a realidade da vida como passageira, como o caminho para ir além do conhecimento que adquirimos na sociedade.

(2000)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

CONFRONTAÇÃO

Quando um grupo de dispõe a acordar e com esse objetivo começam a se encontrar e a se esforçar para se auto-observar, uma energia e também uma pressão começam a circular em cada um do grupo. Quanto mais determinado for o dirigente neste objetivo da auto observação, maior a pressão. Por este motivo é que deve haver um espaço de tempo entre uma e outra reunião. Não devemos confundir com mutirão, que é ajuda mútua para se alcançar uma construção ou levantamento de fundos para uma obra. Neste caso, ao terminar o mutirão as pessoas se sentirão aliviadas e cansadas, estarão prontas para passear, dormir, se divertir, etc.
A confrontação é uma energia que vem dos grupos do Círculo Interno da Humanidade e tem até cor diferente pra quem pode ver (esverdeado, meio azulado) enquanto o outro é amarelo, avermelhado.
Um grupo ao se reunir mais de 24 horas começará a sentir um silêncio interior e uma calma ao fazer qualquer tipo de serviço e a atenção sobre si começa a facilitar, neste caso poderá ser exigido de cada um, um maior esforço de trabalho. Mesmo que durma um pouco,  um sono rápido e não profundo durante os momentos de descanso,  ao terminar tudo o sono do corpo físico é rápido e profundo.
O acúmulo de energia que gera um aumento de consciência de si quase não é percebido, quando o grupo estiver junto, mas nos momentos em que cada um desse grupo sair e for para casa, verá uma diferença na rua,  o contraste chocante da vida comum com a de consciência de si contínua. Haverá uma sensação de tristeza, melancolia, até de frustração, e o riso será substituído por lágrimas e a falação por silêncio. A pessoa estará acordada para o mundo e vendo a realidade em que está vivendo sentirá a falta daqueles que querem acordar, por isso há a tristeza.  Ao estar nesse estado de consciência de si, que traz a confrontação entre estes dois mundos, verá a intimidade de tudo que existe, o real valor daquilo que se tem fora de si, desde uma casa, carro, família, etc. Este é o grau máximo de sentimento que chamamos Confrontação. Um nível abaixo é a felicidade da lembrança do que foi feito e a espera de uma próxima vez. A pessoa sente que não pertence ao mundo, sai da distração e fica na expectativa da próxima vez. Enquanto a primeira sensação é de solidão, a segunda é de regozijo por ter uma oportunidade na vida.
Num grupo também pode existir um sentimento negativo que se manifesta em pequenos detalhes. Uma pessoa ao fazer algum tipo de serviço ou mesmo ao ver algum ato de outras começa a ficar incomodado, algo dentro de si se acha diferente e a partir daí o desmoronamento do esforço que se fez até aquele dia. Gradativamente a pessoa vai achando uma desculpa para ir embora mais cedo, não vir, até ficar bem claro que ela é diferente do grupo. A força que circula no grupo já não lhe pertence, o mundo o chama, com as suas belezas e atrações normais do sono como: cinema, festas, sexo, shopping, risos, praia, filhos, liberdade de dormir, sem ninguém ver nem saber. A pessoa  não incomodará ninguém em seu redor nem será incomodada, enfim, a maravilha de ser normal dentro do sono com aqueles que não querem acordar. Como diz no novo testamento “deixai os mortos enterrarem seus mortos”.
No momento em que uma pessoa se prepara para vir a uma reunião, esta decisão não foi tomada naquele instante. Existe algo dentro de nós (centro magnético) que já decidiu participar sempre, isto é uma força interior que se tem ou não tem. É fácil em um grupo saber quem tem e quem não tem, existe pessoa num grupo que possui uma fraqueza tão grande ou maior que a força do Trabalho, ao olharmos para esta pessoa nunca saberemos se ela virá na próxima vez ou não, pois poderá acontecer várias coisas que a impedirão de participar das reuniões e se formos ouvi-las, todas as coisas que a impediram de vir, são bem plausíveis e até impossível de contradizê-las. Quanto mais razoável é uma pessoa faltar às reuniões, como saúde, trabalho, família, dinheiro, mais fácil de se entender que o destino dela não está ligado ao trabalho sobre si. Sua vida acontece, não está tendo a liberdade de fazer o que quer, mas sim o que a vida lhe impõe, o seu destino segue o destino comum, está satisfeito com a vida e o que a vida lhe impõe é felicidade e sonho.
Não interessa o que um grupo esteja fazendo, o que tem importância é o objetivo de cada um nesta direção de querer acordar ou não, de querer ser visto e corrigido ou continuar como sempre foi, pois a mudança é certa para aqueles que querem mudar. O esforço é o mesmo, tanto para acordar como para viver bem com a vida, a energia a ser canalizada para consciência ou para a felicidade de um lindo sonho, enquanto a morte não chegar.
Uma pessoa comum dedica horas, meses e até muitos anos de sua vida para ter um diploma e um serviço que lhe proporcione meios de satisfazer seus desejos sociais, como comida, passeios, crescer socialmente, financeiramente para ser respeitado por isso, etc. Após alguns anos começa a trabalhar para ganhar dinheiro e aos fins de semana passear e se divertir e se prepara para a semana seguinte. E assim vai até envelhecer e perceber que tem poucos dias de vida, mesmo assim como já se acostumou com tudo isso,  espera a morte chegar ou num asilo ou com os netos e filhos que tem a obrigação de lhe visitar e tomar conta daquele fardo velho que no final da vida nada tem no interior, apenas bens materiais que toda a família está de olho. A vida toda foi acúmulo de ilusão e fantasia e cultuação da vaidade de lembranças de festinhas de aniversário ou lembranças amargas de enterros e brigas de familiares.
Pergunto, será que este é que é o destino de todos os homens? Se perguntem, será que estou sendo fraco e me deixando levar por esse destino? Morrerei como um velho num asilo ou lutando como um guerreiro?
É um erro pensarmos assim, viemos para cá para aprender a encarar e ficar na eternidade, se gastamos esta energia em baboseiras, o que colhemos foi o que plantamos. Nós temos o direito de viver bem com a vida sem nos apegarmos a ela, Ao mesmo tempo em que criamos aquilo que queremos ter e ser nesta imensidão incomensurável que existe e que temos o direito de ter como parte de nosso real destino.
O corpo físico existe para ser usado com bom proveito para criar ou fantasiar. Antes de deixarmos este invólucro, temos que fazer tudo possível para criar o que queremos, que é o veículo de nossa existência fora dessa realidade que se tornará apenas uma lembrança diante da realidade daquilo que há de vir. Para isto temos que aceitar a nossa limitação na compreensão daquilo que vemos e temos como daquilo que sentimos. A nossa limitação deve estar bem distante do que hoje somos.
A confrontação que sentimos aos nos separarmos do grupo e voltarmos a vida comum, é o que um guerreiro samurai sente ao voltar para sua casa depois de anos de batalha. Ele nasceu para batalha, sua espada não foi feita para ser objeto de arte e sim instrumento de sobrevivência. Num grupo a espada é a atenção e a batalha é contra o sono e a distração, buscando sempre estar atento. Como o poeta Antonio Abel diz no seu livro Pensamentos II :

“O tolo nas épocas de paz, diverte-se.

O guerreiro nas épocas de paz, prepara-se”.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

PENSAMENTOS

Existem vários pensamentos e para a nossa compreensão devemos definir alguns nomes para não confundi-los. Devemos lembrar primeiramente que o pensamento concreto são as formas que temos dentro de nossa cabeça e o abstrato são os sons que nos chegam em nosso interior. Ambos são considerados como matéria, portanto possuem volume, peso e existência própria podendo ser moldados como um simples desenho, temos que iniciar um processo interior que se manifesta na lei do 3. Primeiro temos que ter vontade que vem das emoções; segundo, imaginação que vem do intelecto. Essas duas forças para se concretizarem, ou melhor, para se materializarem, tem a necessidade de uma terceira força que são os movimentos da parte motora do corpo (músculos). Quando apenas duas dessas forças atuam não há um fato concreto, então a vontade passa a ser desejo e a imaginação, fantasia, que são matérias das regiões inferiores e para nós mais grosseiras que gastam energia do nosso corpo sem produzir nada de útil para nossa evolução. Como saber qual o nível que vem estes pensamentos? É simples. Todo pensamento que destrói, desune ou faz alguém sofrer vem das regiões inferiores do pensamento concreto ou abstrato. Mesmo que estas formas de pensamento não se exteriorizem destrói internamente a pessoa que o tem, pois em vez de se transformar em consciência de si fica como sonho e até cria internamente seres que materialmente se transformam em doença do corpo físico, como também descontrole emocional, stress, melancolia, mágoa e o pior de todos: ódio, que nada mais é do que a manifestação material do pior de todos os males espirituais.
Durante um dia inteiro dentro de nossa cabeça nos chegam vários pensamentos em forma de vozes, cantorias, músicas, lembranças e etc. A soma disso tudo é o nosso nível de ser e o nosso grau.
Aquilo que temos dentro de nós e sentimos é o que somos e o que queremos. Mesmo que os atos externos digam o contrário, pois nossos atos externos podem não corresponder ao que sentimos e falamos. Existe também o contrário disso, uma pessoa pode achar que gosta e tem um determinado sentimento, mas o que conta é o que ela faz externamente, não num determinado momento mas durante todo o seu dia. Nos momentos de distrações é que podemos ver nas outras pessoas o que elas sentem e acham da sua própria vida.
O centro de gravidade dos centros de uma pessoa é o que ela faz, sente e pensa. Tudo no estado de vigília já é diferente se começarmos a nos observar. Tudo isto perde a importância e o CG da pessoa é a vontade de acordar ao fazer um esforço nos momento de crise que necessite de uma observação imparcial de si mesmo.
Quando nos deparamos com a possibilidade de uma identificação dificilmente saberemos no momento exato em que ela acontece e todos aqueles momentos são apenas percebidos sem a possibilidade de se poder modificar tanto oa acontecimentos como as disponibilidades de sentimento e compreensão. Podemos até chamar de momentos de trevas pois nada se pode fazer além de observar e esperar com calma, sem tomar nenhuma resoluÇão. Após algum tempo estes momentos passam para um observador dos T G, para as pessoas que não se observam, aqueles momentos voltam a medida que o assunto ou situação se repetir. Por esse motivo devemos saber que nossas opiniões e atitudes mesmo aquelas dos exercícios com relaxamento, posturas, atenção, também estão dentro desses momentos, como os acontecimentos exteriores não são desfavoráveis, isto é, podem ser bons, achamos que estamos acordados a todo o momento, isto é um engano. Quando estivermos fazendo um exercício de G e nossa atenção for boa, tanto em nosso corpo, como exteriormente, digo que este é o momento de exercícios, que com o tempo somará todos os nossos esforços. Como saber qual o nível de uma pessoa? Como saber qual é o nosso nível? Se a qualquer momento poderemos estar a um nível mais baixo como saber em que situação estamos? Primeiro não devemos aceitar qualquer opinião pessoal, pois é de apenas um momento de nosso dia, de apenas um Eu ou grupo de Eus que não representam nossa totalidade de " notas" (?) de nosso dia a dia.
As decisões e o que fazemos é o que importa. Nós somos o que fazemos e não o que pensamos que somos. O fazer é algo fragmentado, um homem pode ser um excelente bailarino, carpinteiro, pintor, etc, não significa que ele possui um nível de ser melhor do que o outro que é apenas um artesão ou gari. O nível de ser de um homem é a soma do que ele é durante um longo tempo e quanto maior o tempo que conhecemos uma pessoa melhor podemos ver e saber qual é o seu nível, e para isso deve haver entre as pessoas do grupo vários momentos diferentes e ocasiões inesperadas, como viagens, situações adversas e até festas, etc. Naqueles momentos podemos ver o nível de atenção de cada um, um por um e sem dúvida se estivermos atentos poderemos até ver o que cada um mais valoriza em sua própria vida. Um homem quando decide algo deve antes passar por esta decisão várias vezes em sua vida, por vários Eus e mesmo assim pode errar e tomar uma decisão de um Eu sonolento, que não é do trabalho.
Ao depararmo-nos com o momento que deveremos ser humildes, simples e equilibrados dentro do que sentimos e pensamos sem opinião pessoal, mas no equilíbrio da atenção como se os acontecimentos fossem de alguém ou pessoa que desconhecemos.
O que um dia seremos é uma fé daquilo que está no futuro, não no presente. O presente é apenas o esforço dos nossos exercícios.


sábado, 19 de novembro de 2016

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"Nosso desenvolvimento assemelha-se ao de uma borboleta.
Devemos “morrer” e “renascer”,
como o ovo morre e se torna lagarta,
a lagarta morre e se torna crisálida,
a crisálida morre para que,
por seu turno, nasça a borboleta.

"É um processo longo e a borboleta só vive um dia ou dois.
Mas cumpre-se o desígnio cósmico.
Com o homem passa-se o mesmo.
Precisamos destruir nossos amortecedores.
As crianças não os têm
por isso é que devemos nos tornar como as criancinhas ."


(Prieuré, 2 de junho de 1922)

( “Gurdjieff Fala a seus Alunos”, Ed. Pensamento,  p.46. )