segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O QUE É ACORDAR


CS = Consciencia de Si
FDS = Família, Dinheiro e Sexo
TG = Trabalho de Gurdjieff

Nos Trabalhos de Gurdjieff quase não usamos este termo “Acordar”, pois o nosso objetivo é exatamente alcançar este objetivo e se por um acaso, acharemos que estamos acordado, é um engano, pois esta condição tem níveis diferenciados em cada situação de nossa vida. É fácil para uma pessoa que esteja a um bom tempo fazendo um trabalho de grupo entender o que digo, mas para uma pessoa que  nunca fez exercícios de Gurdjieff ou que fez por pouco tempo se engane e ache que está acordado ou com seu nível de consciência acima do estado de vigília.
Muitas pessoa que chegam ao grupo me dizem que já conhecem estes exercícios de sensação do corpo e que em muitas situações já fizeram e sentiram o que praticamos. O interessante é que no momento que estão falando comigo, não estão fazendo nada para estar presente e mesmo numa situação de movimentos ou Mokuso elas encontram grandes dificuldades em fazer os exercícios, mas mesmo assim acham que estão fazendo e dizem que entenderam o que está se passando em apenas algumas reuniões. O interessante é que estas mesmas pessoas após alguns meses ou anos começam a perceber durante os exercícios que raramente estão presentes e a sua atenção é limitada, restrita a pequenos afazeres, e que diante de si existem várias situações em que ela não enxerga e nem faz absolutamente nada que deveria fazer em relação a atenção que ela deveria ter em muitas ocasiões. Mesmo estando sentindo o corpo e querendo estar com o máximo de atenção, existe uma limitação da própria pessoa, pois seu corpo de CS ainda está em formação. Isto acontece quando o grupo está reunido e todos tem esta finalidade: acordar e permanecer nesta condição de atenção. A todo momento vemos que o esforço dentro do grupo é difícil de se manter em um nível desejado. Agora pergunto : E quando estamos longe um do outro, junto de pessoas que dormem e acham que estão acordadas e que acham que sabem o que fazer, como fica a situação de alguem que está no trabalho? É fácil de se perceber que acontece da pessoa procurar estar presente, mesmo que parcialmente. Mas cada esforço de que fazemos é uma soma para o acúmulo da consciência que dia a dia pode aumentar, até se tornar uma Consciência de Si.
Dentre os vários  Eus  que temos dentro de nós cada eu representa uma força e a soma deles é que produz o que somos na vida. Uma pessoa que está no trabalho de Gurdjieff e se considera firme, que nada o abalará, que seu objetivo é ser imortal etc. mas desconhece que existem  a  força dos Eus  que não estão no trabalho e que somente a própria pessoa tem capacidade de ver e saber de sua existência, mas quando vêem um pouco fogem e procuram justificar seus gostos e até sua compreensão limitada.Alguém está no Trabalho de Gurdjieff porque ainda não apareceu algum tipo de tentação que o tire do trabalho. Pode ser algum emprego cuja remuneração é boa, mas o impedirá de participar de participar das reuniões. Como também algum curso da área que a pessoa dê mais valor do que sua própria evolução. O seu C.G. não é do trabalho sobre si os Eus que estavam adormecidos, podem acordar de repente e ficar até furioso se alguém discordar. Com essas pessoas devemos não tentar mostrar a ilusão em que estão metidas, mas nos afastarmos das idéias dela e observar de longe, sem tentar mudá-las.
Elas não são do trabalho, estavam no Trabalho de Gurdjieff. Quando alguém dentro de si mesmo pode se considerar do trabalho, é pelo simples motivo em que ela descartaria tudo em sua vida para a sua evolução. Seu centro magnético existe e o restante em sua vida que em seu redor, começando com a família, serviços etc, o FDS não lhe atinge.
Uma pessoa pode passar alguns anos sem que apareça uma oportunidade tentadora, mas quando aparece ela ela não tem dúvidas, a sua vida é aquilo, então quando  ela pede uma opinião a alguém, já está decidida a prosseguir em seu real objetivo que acaba sendo outras três forças negativas que tira a maioria das pessoas do Trabalho de Gurdjieff. Então o acordar passa a 2º plano e seu sono vira acolhedor e gostoso.

A soma de nossos momentos é o nível de nossa vida.
Muitas pessoas acham que os exercícios do Trabalho De Gurdjieff somente tem valor quando  é de grande sacrifício físico ou mental. É um engano a pessoa pensar que somente consegue alguma coisa se fizer um esforço grande e contínuo durante anos se os seus momentos foram de sacrifício durante a vida. Algumas pessoas entram para o Trabalho De Gurdjieff, trabalham e fazem coisas muito melhor e com mais aparência do que uma outra que já está a anos fazendo a mesma coisa. Se alguém olhar, vai ter uma idéia errada de nível de ser. Essas pessoas são passageiras e sem determinação e a qualquer obstáculo do FDS a pessoa terá toda razão para parar tudo e não fazer absolutamente mais nada para adquirir um outro nível de consciência.
Em uma reunião, se perguntarmos a qualquer um se o Trabalho De Gurdjieff é bom, prontamente responderão que é a melhor coisa da vida e que jamais deixarão de fazê-lo e se olharmos a pessoa naquele momento, até poderemos nos enganar pela maneira da pessoa falar e fazer. Até a própria pessoa se achará melhor do que as pessoas do grupo que tem mais tempo de treinamento e estudos. É um engano. O que determina um grau, é a  perseverança numa direção, vencendo todos os obstáculos interiores e exteriores, aí é que está a diferença entre as pessoas que trabalham sobre si e uma pessoa comum. Enquanto estas pessoas fazem o que querem, o que gostam e param quando alguma coisa não é como ela quer;  uma pessoa do Trabalho De Gurdjieff persiste e continua a se observar, observa as partes de si mesmo que não quer ter e até se desfaz das partes que gosta mas que lhe faz dormir. Não é pelo que a pessoa acerta ou erra que vemos o seu grau de acordar ou dormir, mas pela perseverança e humildade.
Vamos dizer que alguém perde o controle emocional num determinado momento e em seguida assume novamente, claro que ela lembrará de tudo o que lhe passou e então falará: “dormi muito, não pude me controlar.” – e continuará a fazer exercícios, etc, como se nada tivesse acontecido, mas procurando não repetir o pesadelo que se passou. Esta pessoa tem alguma coisa já acumulada dentro de si que é o fruto do Trabalho De Gurdjieff.
Uma outra não perde o controle, mas por algum motivo vê que houve alguma coisa que vá contra seus princípios que nada mais é do que a cama em que se dorme placidamente. Por este ou aquele motivo parará de freqüentar as reuniões e com o tempo apenas será mais um dos lembrados por nós, como algo do passado.
Firmeza é não vacilar e não parar aquilo que começou.Um outro tipo de sono é ir tão devagar que não dá para ver se a pessoa existe ou não. Aqueles que vem as vezes, outras não, começam algum tipo de trabalho manual e não terminam e assim o tempo vai passando e a pessoa ficando para traz apesar de estar aparentemente junto. É fácil perceber aqueles que defendem princípios e ideais próprios, quem defende não quer ver. Quem quer ver, quando vê algo em si mesmo que alguém mostra, aceita sem contestação e procura trabalhar em cima do que lhe mostraram pois nunca consegue ver sozinho. Quando imediatamente se justifica e tenta explicar o que não sabe nem de si e nem dos outros, procurando dizer que está certo e que é a sua maneira de ver, assim continuará errando na maneira de se observar, isto é, continuará dormindo .Qualquer que seja a correção que algum companheiro faça sobre nossa atitude não interessa se está certo ou errado, devemos parar e nos observar por um longo tempo vários momentos e procurar descobrir como o companheiro conseguiu ver aquilo em nós e nós não. Um grupo não é para elogios pessoais, é para marretar a cabeça que esteja dormindo sem piedade e nem benevolência, quem agüentar é porque está acordando para si mesmo, pois sabe que está ali para isso.
Um grupo existe para que, quando um estiver dormindo, o outro um pouco mais acordado o ajude a se enxergar. Ajudar o companheiro a se enxergar é mais ou menos assim: um companheiro A reclama que comam dentro do seu carro pois não quer que tenha barata nele, mas os outros 12 companheiros sabem que a casa dele está cheia de barata, o seu banheiro tem o chão coberto de carpete onde um homem faz xixi e respinga no carpete, ninguém limpa o carpete, só varre e o cheiro fica insuportável, pois é o dono dessa casa que não quer que comam no seu carro. Outra situação é quando um companheiro está sempre presente nas reuniões, treinos e sessões dizendo que o grupo é a coisa mais importante da sua vida, mas é só aparecer uma moreninha  que chega atrasado nas reuniões, não participa das sessões para poder comer pipoca com sua moreninha e desobedece a etiqueta do karate para que sua moreninha saiba mais que os outros.Temos que tomar muito cuidado também ao observar externamente esses erros, pois isto é fácil de se fazer, devemos é ver esses erros também que nos incomodam criando situações alheias ao Trabalho de Gurdjieff. Num caso desses não devemos ficar quietos, mas também não deixar que estes fatos pejudiquem nossa observação, se tornando meramente social.
Sabemos que temos vários Eus que se apresentam de acordo com a situação externa. Muitos deles se fortalecem formando até grupos unidos que a cada momento de distração vão crescendo, chegando ao ponto de ficar mais forte do que os outros Eus, então a pessoa começa a manifestar idéias contrárias a linha de trabalho. Claro que se perguntarmos a pessoa qual é a coisa mais importante de sua vida, imediatamente ela falará que é oTtrabalho pois este é um tipo de defesa muito sutil que normalmente acontece com as pessoas que não se observam e afirmam ter e ser o que não são.
Algumas pessoas do grupo possuem esse tipo de Eu, que é facilmente visto por mais disfarçado que seja. Quando dois ou mais de um grupo vêem o defeito de uma pessoa é muito sério esta atitude de calar e observar o Eu invisível, pois a pessoa não deve em hipótese alguma justificar ou se defender. Deve calar e ficar em alerta para todas essas manifestações que vêm desses Eus negativos. Se a pessoa não se observar vai chegar a um ponto em que esses Eus negativos assumem o controle da vida da pessoa, até o ponto da pessoa desistir de evoluir e achar que está certo, ficar isolado das outras pessoas até que a vida vem com sua correnteza e a leva para seguir a vida comum.
A primeira atitude que a pessoa tem é começar disfarçadamente a se afastar do grupo de Trabalho com desculpas plausíveis e até lógicas, vai seguindo assim até chegar num ponto insuportável e ela não dá mais importância ao seu próprio destino que antes era a coisa mais valorosa. Uma outra forma perigosa de influência externa é o aparecimento do FDS que vêm de várias formas como se fosse algo acidental e a pessoa acha que se afastando por um pouco de tempo vai conseguir voltar melhor depois, é uma ilusão, pois o afastamento de alguém do grupo de trabalho somente traz enfraquecimento. O fortalecimento do Eu do Trabalho somente existe através da perseverança e continuidade. Se por um acaso a pessoa estiver em uma missão continuará se fortalecendo e isto não é considerado afastamento do trabalho pois isto é um tipo de sacrifício e até mesmo de observação de si ao se deparar com Eus do passado.
No Trabalho não devemos esquecer quais são os nossos objetivos de evolução e as nossas práticas não devem ser prejudicadas pelo FDS, pois podemos até nos enganar achando que a vida está uma maravilha com passeios de praias, shoppings e florestas, mas não podemos esconder de nós mesmos a nossa insatisfação com a condição de sono em que vivemos
Um integrante do grupo tem que ter a humildade de reconhecer que os outros estão certos quando falam a seu respeito e mostram seus defeitos e os outros integrantes do grupo devem observar os erros dos companheiros e não se prender a eles, lembrando de se observar antes de tudo. O Samurai afia a lâmina da sua espada para matar o inimigo, mas se for necessário ele se matará também.
(5 de Novembro de 2003 )





terça-feira, 22 de setembro de 2015

EMOÇÕES E MANIFESTAÇÕES

Escultura do artista corenao Choi Xooang

Sabemos que temos dois tipos de manifestação de emoções.Uma positiva (felicidade, riso, alegria) e o contrário é negativa(ódio, raiva, mágoa, etc) que nos rouba energia que precisamos para adquirir um aumento de consciência, isto é, para acordar.Devemos evitar de demonstrar as manifestações desse tipo de emoção que chamamos negativa porque nos tira a energia que acumulamos anos.
            Existe uma que é fácil de ver, quando a pessoa grita, vocifera, faz movimentos bruscos e pode até chegar a agressão verbal ou física.Consideramos esta como explosão emocional, falta total de controle sobre si mesmo e que é a pior coisa do Trabalho de Gurdjieff.
            Quando uma pessoa se manifesta com Energia Negativa (E.N.). tudo nela muda, desde os movimentos dos braços, pernas, pescoço,até a tonalidade da voz que pode estar baixa mas dá para se perceber que a pessoa está com E.N.E se tiver mais de duas pessoas no mesmo lugar todas veem o que está acontecendo com a pessoa menos ela.Dentro da cabeça de uma pessoa com E.N. ela se acha certa na forma de “pensar” fantasiar dizendo:Estou certo, penso assim;acho que estou certo mas não me entendem,etc.Quando deveria dar uma pausa e verificar porque está “pensando” daquela forma e também sentindo este tipo de emoção.
            Quando participamos de um grupo de T.G. não interessa estar certo ou errado.O que tem importância é estar atento e procurar fazer algum tipo de exercício para ter a possibilidade de ver o erro, não dos acontecimentos exteriores, mas do interior, dentro de si mesmo.Uma pessoa do T.G. não pode perder o controle emocional que tem várias formas de manifestações apenas por achar que está certa nisso ou naquilo e assim continuarão as divagações interiores que são alimentadas pelo tipo de sentimento que existe e que não é bom.Ao observar alguém temos que olhar os olhos da pessoa, movimentos, escutar sua voz e comparar com a anterior quando ela está normalmente apenas distraída rindo, falando,trabalhando, etc.
            Muitas vezes eu digo que estes momentos de aparente controle e que a pessoa diz estar feliz é o pior momento de observação de si, pois a ilusão de que aqueles momentos são eternos é falsa, tudo isto passa e até podemos observar que é cíclico.Uma pessoa quando está aparentemente feliz deve aumentar sua observação a si mesmo, para que aquele sentimento bom permaneça para sempre e não seja algo passageiro e também para que alguns momentos continuem e não sejam interrompidos por uma pequena distração e a E.N. retorne com seus eus já conhecidos.
Vemos que cada pessoa possui uma certa facilidade em determinados assuntos a se tornarem negativas como, ciúme,vaidade,avareza,preguiça e outras que fazem a pessoa dormir e achar que está certa.
Como vemos a pessoa que está com E.N.? Para alguns ficam mais feias, duras, sem graça e até grosseiras.Tudo isso a maioria já sabe.Agora pergunto e quando percebemos em nós a E.N. já em andamento como vemos os outros que não estão?Primeiro é que todas estão erradas, somente nós estamos certos.Mesmo que três pessoas discordem de nós, o “pensamento” continua a achar que está certo, não há como mudar isto.
O que devemos fazer, então numa situaçao desta?
            Primeiro começar a duvidar de si mesmo, achar que poderá estra errado e acima de tudo não se defender nem justificar querendo mostrar que está certo ou errado.Vamos dizer que na atitude exterior esteja certo, mas na interior está errado pois era com E.N. Não importa o errado ou o certo, o que temos que ver é que estamos negativos, não conosco, mas com todos, até o momento e assim estamos dormindo e temos que acordar, e este sono permanecerá enquanto acharmos que estamos certos.É uma cola que ainda está nos unindo à negatividade e que pode levar dias até meses ou anos.Vamos dizer que seja passageiro, chamamos de raiva, pois em seguida passa e até rimos de nossa atitude.Mágoa que é um sentimento pior ele passa aparentemente, mas volta, mesmo depois de meses ou anos do acontecimento e ele é o primeiro degrau para o ódio, a única diferença é que o primeiro apenas nos corrói por dentro, sem prejudicar a outra pessoa, enquanto o outro espera uma oportunidade para prejudicar a outra pessoa fisicamente ou emocionalmente querendo que a pessoa também passe a sentir o mesmo que está sentindo e a pessoa nesta situação procura fazer com que até outras pessoas que nada tem com isto, passe a sentir o mesmo que ela está sentindo. Ódio.Este sentimento não tem limite de maldade..
A E.N. chega quando achamos que estamos certos, no momento de distração e com isto as outras opiniões estão erradas, não existe a humildade de aceitar que também pode estar errada.
Para verificarmos se aquele sentimento ainda existe basta puxar o mesmo assunto que a pessoa passa a sentir o que antes sentia, E.N. , e se transtorna, muda completamente a atitude, mesmo que queira fingir que esqueceu e que nada sente.
Qualquer que seja o que achamos de uma E.N., não devemos esquecer que o único erro é que faz a pessoa dormir e nada ver, nem si, ou ao seu redor, fica cega, surda e com a razão de tudo por não admitir que possa estar completamente errada consigo mesma por permitir ter dentro de si aquele tipo de sentimento que pode trazer doenças, desarmonia e tristeza.
Outra coisa , temos que saber diferenciar a tristeza de uma raiva.O sentimento de que as pessoas não concordam com nós é raiva e às vezes chamam de tristeza e não é. A tristeza não possui a razão do C.I..É apenas o silêncio de sua própria pequinez diante de sua própria fraqueza em não poder controlar estes tipos de sentimento inferior e que no momento é superior às forças que a pessoa possui e que também pode aparecer nos momentos em que percebemos que entristecemos pessoas que gostamos e não sabemos como tirar aquilo que fizemos com os outros. O erro nos entristece e a raiva faz acharmos que estamos certos e com isto imaginamos que existe a tristeza.Isto é falso, temos que ser sinceros com nós mesmos para diferenciar estes tipos de sentimento completamente diferentes. 5/12/2007


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

CONSIDERAÇÃO



Há dois tipos de consideração: a interna e a externa. A consideração interna é aquela que qualquer pessoa possui e que consiste no seguinte: o melhor para mim e o resto para os outros. Ou o melhor é para os meus e o resto é para os outros, ou então, primeiro eu e depois o resto e assim em diante. Se agrado uma pessoa é porque ela me agrada, ou porque tenho interesse nessa atitude, vou lucrar e ganhar com isso. As pessoas, a partir dessa consideração não vêem a outra, só vêem seus interesses. Não conseguem perceber que todos nós participamos de um modo de viver e que nosso Pai Comum trata a todas as pessoas com as mesmas leis. Esse tipo de consideração não precisa de esforço nenhum, e assim não vemos nem o que está acontecendo, nem por que está acontecendo.

A consideração externa para ocorrer tem de ser, acima de tudo, com um esforço de consciência, isto é, uma observação de si, pois sem isso, aquilo que chamamos de consideração, nada mais é do que uma atitude mecânica. A consideração externa é fruto de um trabalho sobre si e não uma atitude que visa lucros nem uma demonstração de educação ou benevolência, para a pessoa se sentir satisfeita com o que fez.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

A vida só é real quando eu sou!

“...Portanto, se vocês querem realmente adquirir em si próprios a única coisa que distingue o homem de um animal comum, em outras palavras, se querem ser tais como a Grande Natureza lhes deu a possibilidade de ser, com a condição de que tenham um verdadeiro desejo disso - um desejo que emane das três partes independentemente espiritualizadas do seu ser - e se empreendem esforços conscientes para transformar-se numa “terra trabalhada”, apropriada à germinação e ao crescimento daquilo sobre o que repousa a esperança do Criador de Todas as Coisas Existentes, então vocês devem, a todo o momento e em todas as circunstâncias, lutando contra as fraquezas que se encontram em vocês em conformidade com as leis, chegar a qualquer custo à total compreensão e, depois, à execução prática deste exercício, tal como acabo de lhes expor. Vocês terão, então uma chance de cristalizar conscientemente em si mesmos os dados suscetíveis de engendrar esses três impulsos, que devem obrigatoriamente existir na presença geral de todo o homem que tem o direito de chamar-se uma criatura à imagem de Deus...”

( “A Vida só é real quando Eu Sou”, Gurdjieff )



sexta-feira, 17 de julho de 2015

CONSIDERAÇÃO INTERNA E EXTERNA

                CONSIDERAÇÃO INTERNA E EXTERNA

               Qualquer pessoa tem a consideração interna que nada mais é do que egoísmo ou distração. Sempre estamos prontos para defender nossos interesses mesquinhos e ordinários mesmo que para isso tenha que prejudicar a maioria das pessoas. Um homem pode viver normalmente no sono da vida, na consideração interna, pois não há necessidade nenhuma de um esforço para tê-la. Não devemos esquecer que nem sempre a consideração interna é direcionada para os interesses pessoais, pois uma mãe, um irmão ou um amigo podem defender seus interesses que aparentemente não são deles, até uma pessoa que esteja fazendo algo de ¨bom" para ajudar os outros pode estar perfeitamente só pensando em si próprio pois é difícil percebermos essas manifestações.
               Quando uma pessoa ou um grupo de pessoas fazem algum esforço filantrópico, nada mais está fazendo do que satisfazer sua própria vaidade ou achando um meio de fazer algo elogiável para que seja aplaudido. Uma pessoa que se dispõe a ter consideração externa precisa acima de tudo estar com uma atenção em si própria, em sua voz, em seus movimentos, e simultaneamente na pessoa ou pessoas que estejam por perto ou não. A consideração externa é o nível de atenção inicial para uma OS. Muitas pessoas confundem achando que apenas por ser educado está tendo consideração, isto é um engano. Nós do TG devemos, a todo o momento estando sozinhos ou não; além de também sabermos se o que estamos fazendo ou falando é ofensivo ou se é somente algo de nosso interesse e de mais ninguém. Em qualquer momento estando sozinhos ou não, nós temos que estar perguntando o que deveríamos estar fazendo ou o que deveríamos fazer para que tudo esteja em harmonia com nosso nível de ser ou consciência. A consideração externa é a atenção no equilíbrio, para isso, temos que tê-la dentro de nós. Uma distração traz a não observância do externo nem mesmo do interior. A consideração externa é sempre útil a todos e não a apenas uma pessoa mesmo que aparentemente a pessoa tenha que sacrificar algo de si em prol de outrem. Quando fazemos algo esperando um agradecimento ou uma recompensa mesmo que seja bom para todos, a ação veio do egoísmo e não pode se considerar uma consideração externa. Quanto mais alto o nível de ser mais difícil de perceber que a sua atitude é uma consideração externa. Vamos dizer que um professor de luta seja amigo e benevolente com seus alunos e um outro seja cruel e exigente, ao olharmos será difícil perceber qual dos dois é mais útil para seus alunos só o tempo é que poderá dizer qual teve maior consideração ou cons. externa pelos seus alunos. A consideração externa nem sempre é o que a pessoa deseja e faça para ela por isso. Ao fazermos algo com a intenção de Trabalho e de termos consideração externa devemos de antes de começar qualquer coisa estarmos com muita atenção primeiro em nós mesmos com as seguintes perguntas: "o que eu quero com isso ?", "porque faço isso ?", o que isso é de bom ?", "pra quê serve isso ?" etc. Se estivermos presentes e lembrarmos que todos os momentos passam, bons ou maus e importância de nossos atos não devem ser somente para o momento pois as nossas atitudes relacionada com as de outras pessoas tanto podem ser dirigidas por nós como acontecer simplesmente como um fato sem nenhuma importância. O que fica de tudo o que fazemos
são os momentos de consciência, pois estes é que são os valores de todos os atos que praticamos. Quando tudo se tornar apenas uma lembrança, fica gravado em nós as nossas experiências pessoais que podem se tornar algo eterno ou apenas aumentar o número de defeitos que nos levam ao sono.
 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

CONHECIMENTO E SABEDORIA

Todo conhecimento é linear e adquirido por um único centro, normalmente o Centro Intelectual. Isso quer dizer que tudo que aprendemos ouvindo, lendo ou vendo não contribui para a evolução do ser. Para que isso aconteça é necessário o funcionamento de mais de um centro num determinado aprendizado.

A sabedoria se adquire quando o conhecimento internalizado se torna prático, e não é apenas cópia externa. Uma pessoa pode perfeitamente copiar a atitude da outra, ser até perfeita nas suas atitudes mas seu nível de ser interior não mudou nada. Como sabemos nós temos vários eus em nosso interior, cada um com sua ideia e compreensão e até seus próprios sentimentos, pois os eus utilizam os centros para sua manifestação.
Quando estamos praticando a observação de si, estamos acima dos eus e não aceitamos  nossas restritas compreensões como um fato de todo o ser, mas sim de uma pequena parte, ou de um pequeno eu que está se manifestando no momento. Vamos dizer que alguém fale algo para mim. Ao ouvir, imediatamente assumo uma postura de curiosidade ou de aceitação. Isto é uma pequena parte de meu ser. Devo neste momento duvidar de mim mesmo e me colocar numa postura de combate às minhas mecanicidades. Observo atentamente o que estou sentindo ou pensando e não tomo nenhuma atitude baseado naquela compreensão, apenas observo, tanto o meu interior, como quem fala comigo. 
Isto me traz uma possibilidade de adquirir um pouco mais de consciência naquele momento, pois não estou defendendo absolutamente nada do que eu sei e nem do que sabem, apenas observo. Ali se inicia o processo de transformação interior, pois estamos nesse momento recebendo um tipo superior de influência. Em outras palavras: estou me separando de mim mesmo. Se alguém perto de nós estiver fazendo o mesmo, imediatamente perceberá não só a intenção do assunto, como o nível de atenção que está se desenvolvendo no momento.
O conhecimento de um centro não é fruto de esforço consciente, por isso devemos a todo o momento estar sentindo uma parte de nosso corpo ao mesmo tempo em que observamos exteriormente, incluindo nessa observação o que se passa em nosso interior. Nesse caso,  estamos recebendo um tipo superior de energia (H48), que entra através das impressões e fica armazenado em nosso interior como uma forma de saber.
Para receber esta energia não interessando qual seja o assunto. Pode ser um assunto corriqueiro – futebol, esportes, família – como um assunto espiritual, pois o que importa é a maneira com a qual estamos recebendo o que está nos chegando através de nossos sentidos. 
A consciência de si não se restringe unicamente em ficar sentindo o corpo ou se auto-observando, mas na presença de tudo que esteja acontecendo ao nosso redor, devemos perceber não só o que falamos, o que fazemos, mas o que está acontecendo que necessite de nossa atuação no momento. Um homem que não esteja no trabalho, pode perfeitamente estar fazendo tudo corretamente, então é difícil perceber o que isso significa (a observação de si).
Para que tenhamos uma evolução interior efetiva, devemos nos colocar numa situação de caçador, à procura de um ponto que não esteja visível e que deveríamos perceber. Quando alguém nos alerta a respeito de algo que deveríamos fazer, isto é um momento de sono pois deveríamos perceber e sentir o que está se passando. Exatamente igual quando uma pessoa fala: se não estivermos identificados com o assunto, podemos ficar de fora apenas como espectadores do que se passa conosco e com os outros. 
Em outras palavras: é um alerta que nos conduzirá a uma situação de separatividade de nossas partes mecânicas interiores. Digamos que não haja ninguém perto de nós e estamos comendo um sanduíche. Devemos estar sentindo o corpo, percebendo o gosto do sanduíche e ao mesmo tempo estarmos alertas para o que se passa fora daquela situação, como pessoas que passam, que chegam e etc. Para a vida comum não há necessidade dessa observação interior, mas para nós, devemos incluir nessa observação as vozes interiores que nos chegam através de fatos exteriores ou de lembranças, preocupações, fatos da vida, que nos roubam energia como fantasia em nossa cabeça, trazendo até emoções negativas, nos prejudicando em nossa evolução.
Cada voz interior não deve ser levada em conta como algo de nosso ser, mas sim, de um eu que está se manifestando naquele momento. Então podemos dizer que chegou o momento de sacrifício, não deixando esses pequenos eus se manifestarem com ideias adquiridas mecanicamente.  Quando começamos nossa observação, no mesmo momento estamos adquirindo algo permanente que não necessita das funções do corpo (centros) para a sua existência e isto é a força que se tornará SABER.





domingo, 16 de novembro de 2014

CONSTRUÇÃO DO TEMPLO INTERIOR



Antigamente, as Escolas de evolução humana (Hindu, Egípcia, Babilônica, Chinesa, Tolteca e Cristã), tinham como objetivo na Terra construir templos que servissem para a evolução do povo. Este povo vivia dirigido por estas Escolas, que ensinavam tudo o que era útil (agricultura, tecelagem, artesanato e convívio social), equilibrando assim a comunidade. Algumas pessoas que participavam destas construções também construíam seu corpo interior. Por este motivo, muitas civilizações desapareceram, por não terem mais necessidade de renascerem, visto que já haviam terminado seu objetivo interior. O que existe fora é o que estamos construindo dentro.
Quando iniciavam uma construção de acordo com os saberes astrológicos e esotéricos, incluindo a localização, sempre tinham como objetivo as medidas e direções acima do gosto pessoal de cada um. O local fortalecia a parte psicológica para quem ali morava e cada cômodo devia ter um objetivo coletivo. Sala: amizade e alegria. Cozinha: prazer e gosto individual de cada participante. Copa: reunião social de quem mora na casa e assuntos diversos. Quarto de dormir: reflexão e descanso e meditação, se não houver um local já determinado. 
A cabeça (CI) é onde se manifesta o pensamento concreto que produz arquitetura, artesanato e tudo aquilo que tem forma. O pensamento abstrato vem do sentimento (CE) e faz música, cores.
O homem com isso começa a trazer para o exterior o que construiu dentro de si, no mundo que podemos chamar astral ou mental, demonstrando para si mesmo a capacidade do comportamento resumido nas ações: querer, ousar, saber e acima de tudo, calar, para poder pensar no que está sendo construído (forma, gosto, pagamentos, gastos, modificações, etc.), não deixando que outras ideias interfiram negativamente na mudança desse mundo para outro.
Todos conseguem ver a capacidade desse feito que pode ser de um grupo ou individual. Se alguém do Grupo der sua contribuição, por menor que seja, seu tamanho não será medido pelo dinheiro, apenas pelo esforço pessoal de cada um. Um bom exemplo está em Marcos 12, 41:44: “Jesus estava no templo sentado perto de uma caixa de ofertas e olhava como o povo punha dinheiro ali. Muitos ricos davam muito, nisso chegou uma viúva que pôs na caixa duas moedinhas de pouco valor. Jesus chamou seus discípulos e disse” Afirmo a vocês que esta viúva pobre deu mais que todos, porque as outras pessoas deram o que estava sobrando. Ela porém, tão pobre assim, deu o que tinha para viver”.
Olhando assim, esse acontecimento pode passar despercebido mas existe nele a mensagem de um sentimento e uma confiança naquilo que está sendo doado, pois quanto maior apego ao mundo material, mais longe do espiritual, devendo ser o contrário, pois tudo segue o inverso do que se pensa comumente. Um aspecto não está separado do outro. Se for para termos apego, deve ser somente ao aumento de consciência e não as posses do mundo físico.
Nós vivemos simultaneamente em vários mundos: palavra, movimento e sentimento, que são uma expressão do mundo interior e com isto atraímos seus iguais. Se sentirmos raiva, esse sentimento atrairá alguma coisa ou pessoa que nos faça sentir raiva ou nos contrarie. Isto não está no exterior e sim dentro de nós.
A pessoa não percebe o que está acontecendo dentro de si então acha que todos são culpados daquele pensamento e daquele sentimento que está tendo (o mundo é culpado!). É preciso observar que o que acontece no interior é responsabilidade de si mesmo e não do mundo exterior.
Temos nosso corpo físico (carne) que obedece primeiro ao instinto (5 sentidos), depois ao desejo (ir, ficar, sentar, levantar, fazer ou não fazer, qualquer coisa por mais simples que seja). O centro instintivo apenas avisa, não determina. Quem decide são os Centros Emocional e Intelectual, sendo que o último entende ou não.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

FALSA PERSONALIDADE




Falso é tudo o que é supérfluo, sem nenhuma necessidade para a evolução da vida. Se inicia com a crença em algo relacionado com corpo e comida. O judeu acha que a carne de porco e outros alimentos são indignos, e que os homens mais respeitáveis usam roupa preta e cachinhos nos lados da cabeça e eles andam assim, se achando diferentes dos outros, procurando mostrar a diferença nas roupas e no corpo, acreditando que a história de um povo o diferencia do outro. Procuram manter essa diferença e assim o poder de serem diferentes e dirvergentes está no corpo, no orgulho de seus filhos, dos filhos de um passado que ignoram mas acreditam, porque alguém o escreveu. Igual a eles existem os Sikhis, muçulmanos, e até os protestantes com seu ternos e roupas compridas. Todos ficam satisfeitos com o que acreditam ser o certo e quando chega a hora da morte, todos choram e sofrem de forma igual. Todos temem a morte por desconhecerem que a essência e a personalidade verdadeira os torna  iguais, mas com a FP são muito diferentes. Devido à FP se odeiam e são inimigos, e quando atua a VP (verdadeira personalidade), se gostam e se respeitam. Se um encontrar com outro numa verdadeira dificuldade de vida, diante da morte, não terá lugar para a FP. Mas se o ódio que vem de um sentimento falso prevalecer, lutam até a morte, esquecendo tudo o que a vida tem de bom. Isto tudo deve ser muito observado e bem estudado pois é a manifestação visível da FP. Qualquer um desses homens tem a fraqueza de qualquer ser humano e o mesmo nível de compreensão, seja qual for a sua cor, religião ou país em que nasce.
Houve uma época em que a raça negra era a mais evoluída, depois a amarela, vermelha e agora a branca, mas a raça do futuro será a mistura de todas as raças. O que evolui em grupo segue a evolução da terra, que para nós é muito lenta. Houve necessidade de raças para a mudança do ser humano, sua evolução espiritual, mas em todas as épocas houve os precursores, os primeiros dirigentes que a pouco tempo eram reis e sacerdotes. Após a vinda de Jesus houve uma mudança enorme na evolução humana e a FP deixou de ser “algo protetor das raças” para se tornar um empecilho ao homem na conquista da sua própria consciência. A FP impede o homem de ser livre de tudo o que existe em sua vida devido aos sentimentos de apego, mas a VP faz brotar um verdadeiro sentimento que um dia se tornará amor.
Se o homem começa a acordar, sua vida muda em tudo, principalmente os sentimentos. Passamos a amar quem está acordado e a entender quem está dormindo. Podemos até a dizer: "Não entendo quem dorme”, “porque a pessoa que dorme não deseja acordar?”, “Porque ela é contra quem está mais acordado?”, “Porque ela procura a ilusão fugindo da realidade?”, “ Porque que todos dormem?”, e etc. E a realidde delas se torna um sonho com pesadelos e delírios, presos ao FDS.
Ao nos livrarmos da FP passamos a nos submeter a menos leis que a nos dirigir, com isto temos mais liberdade, mais direito de fazer o que queremos com consciência e ao mesmo tempo passamos a nos distanciar do mundo, tendo mais direito sobre ele e com isto mais controle também. Porque o controle sobre a vida mundana é proporcional ao controle sobre si mesmo. A FP é o descontrole total da própria vida e é diretamente proporcional ao apego e menos liberdade.
O corpo humano independente do nível de consciência que o homem tem. Qualquer que seja a sua personalidade, o corpo seguirá seu rumo queiramos o não. Neste tempo, devemos usá-lo o máximo que pudermos e exigir dele o que queremos para adquirir mais consciência, caso contrário, se seguirmos a FP, além de não adquirirmos a energia que necessitamos para nossa imortalidade, gastaremos o pouco que o homem comum adquire durante sua vida (de turbulência ou ociosidade), com sonhos, fantasias e com a própria saúde. A FP gasta tudo o que tem de melhor, não sabe o que pode ter e quer o que não serve, somente para aumentar seus sonhos e se distanciar da realidade e da vida. Ao olharmos a pessoa com a FP predominante, com usos e costumes, vemos que ela se apresenta como num desfile de modas querendo e justificando tais atitudes.
Muitas roupas foram usadas no passado por necessidade de clima, vamos dizer um indio brasileiro num clima tropical, 28 a 35 Graus, sem mudanças de temperatura, não tem necessidade de roupa. Já o índio dos Andes onde a temperatura pode chegar a 50 graus negativos com gelo, tem necessidade de roupa. O homem do deserto também é assim e as roupa começaram a ser usadas por necessidade, formado pela personalidade que não é falsa pois junto com ela também existem as necessidade de alimentação e família. A FP começa quando o homem esquece o motivo da roupa e do cabelo e começa a se achar diferente do outro. Exatamente igual ocorre com as religiões, que inicialmente apareceram para acordar o homem, começando com os homens de alto nível de consciência do Círculo Interno da Humanidade, mas depois de ter cumprido sua missão como religião se tornaram apenas ritualística sem nenhum objetivo de despertar o homem, servindo apenas para que ele fique igual aos seus e que proteja o líder religioso na continuidade de sua obra.
Se observarmos atentamente perceberemos alguns fragmentos de despertar em qualquer religião, mas que se desvirtuam até se tornarem fanatismo sem nenhum objetivo de consciência.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

CONFRONTAÇÃO


 


Quando um grupo de dispõe a acordar e com esse objetivo começa a se encontrar e a se esforçar para  auto observar-se, uma energia e também uma pressão começam a circular em cada um do grupo. Quanto mais determinado for o dirigente neste objetivo da auto observação, maior a pressão. Por este motivo é que deve haver um espaço de tempo entre uma e outra reunião. Não devemos confundir com mutirão, que é ajuda mútua para se erguer uma construção ou arrecadar fundos para uma obra. Neste caso, ao terminar o mutirão as pessoas se sentirão aliviadas e cansadas, estarão prontas para passear, dormir, se divertir, etc.
A confrontação é uma energia que vem dos grupos do Círculo Interno da Humanidade e tem até cor diferente pra quem pode ver (esverdeada, meio azulada) enquanto a outra é amarela, avermelhada.
Um grupo, ao se reunir por mais de 24 horas começará a sentir um silêncio interior e uma calma ao fazer qualquer tipo de serviço e a atenção sobre si começa ser facilitada. Neste caso, poderá ser exigido de cada um, um maior esforço de trabalho. Mesmo que durmam pouco,  um sono rápido e não profundo durante os momentos de descanso,  ao terminar tudo o sono do corpo físico será rápido e profundo.
O acúmulo de energia que gera um aumento de consciência de si quase não é percebido quando o grupo estiver junto, mas nos momentos em que cada um desse grupo sair e for para casa, verá uma diferença na rua,  o contraste chocante da vida comum com a de consciência de si continuará. Haverá uma sensação de tristeza, melancolia, até de frustração e o riso será substituído por lágrimas e a tagarelice por silêncio. A pessoa estará acordada para o mundo e vendo a realidade em que está vivendo. Por isso sentirá falta daqueles que querem acordar, e virá a tristeza.
Esse estado de consciência de si traz a confrontação entre estes dois mundos, vendo na intimidade de tudo que existe, o real valor daquilo que se tem fora de si, como a casa, carro, família, etc. Este é o grau máximo de sentimento que chamamos Confrontação. Um nível abaixo é a felicidade da lembrança do que foi feito e a espera de uma próxima vez. A pessoa sente que não pertence ao mundo, sai da distração e fica na expectativa da próxima vez. Enquanto a primeira sensação é de solidão, a segunda é de regozijo por ter uma oportunidade na vida.
Num grupo também pode existir um sentimento negativo que se manifesta em pequenos detalhes. Uma pessoa ao fazer algum tipo de serviço ou mesmo ao ver algum ato de outras começa a ficar incomodado. Algo dentro de si se acha diferente e a partir daí o desmoronamento do esforço que se fez até aquele dia. Gradativamente a pessoa vai achando uma desculpa para ir embora mais cedo, não vir, até ficar bem claro que ela é diferente do grupo. A força que circula no grupo já não lhe pertence, o mundo o chama, com as suas belezas e atrações normais do sono como: cinema, festas, sexo, shopping, risos, praia, filhos, liberdade de dormir, sem ninguém ver nem saber. A pessoa  não incomodará ninguém ao redor, nem será incomodada. Enfim, a maravilha de ser normal dentro do sono com aqueles que não querem acordar. Como diz no novo testamento “deixai os mortos enterrarem seus mortos”.
No momento em que uma pessoa se prepara para vir a uma reunião, esta decisão não foi tomada naquele instante. Existe algo dentro de nós (centro magnético) que já decidiu participar sempre. É uma força interior que se tem ou não se tem. É fácil em um grupo saber quem a possui ou não, pois existem pessoas num grupo que possuem uma fraqueza tão grande ou maior que a força do Trabalho. Ao olharmos para estas pessoas, nunca saberemos se elas virão na próxima vez ou não, pois poderá acontecer várias coisas que as impedirão de participar das reuniões e se formos ouvi-las, todas as coisas que as impediram de vir, são bem plausíveis e até impossível de contradizê-las. Quanto mais razoável é a uma pessoa faltar às reuniões, como saúde, trabalho, família, dinheiro, mais fácil de se entender que o destino dela não está ligado ao trabalho sobre si. Sua vida acontece, não está tendo a liberdade de fazer o que quer, mas sim o que a vida lhe impõe. Seu destino segue o destino comum, satisfeito com a vida e o que a vida lhe impõe é felicidade e sonho.
Não interessa o que um grupo esteja fazendo, o que tem importância é o objetivo de cada um na direção de querer acordar ou não, de querer ser visto e corrigido ou continuar como sempre foi, pois a mudança é certa para aqueles que querem mudar. O esforço é o mesmo, tanto para acordar como para viver bem com a vida, sendo a mesma energia a ser canalizada para aumentar a consciência ou para a felicidade de viver num lindo sonho, enquanto a morte não chegar.
Uma pessoa comum dedica horas, meses e até muitos anos de sua vida para ter um diploma e um serviço que lhe proporcione meios de satisfazer seus desejos sociais, como comida, viagens, crescer socialmente, financeiramente para ser respeitado por isso, etc.  E assim vai até envelhecer e perceber que tem poucos dias de vida. Mesmo assim, como já se acostumou com tudo isso,  espera a morte chegar ou num asilo ou com os netos e filhos que tem a obrigação de lhe visitar e tomar conta daquele fardo velho que no final da vida nada tem no interior, apenas bens materiais que toda a família está de olho. A vida toda foi acúmulo de ilusão e fantasia e culto à vaidade, em lembrança de festinhas de aniversário ou lembranças amargas de enterros e brigas familiares.
Pergunto: será que este é o destino de todos os homens? Se perguntem: será que estou sendo fraco e me deixando levar por esse destino? Morrerei como um velho num asilo ou lutando como um guerreiro?
Viemos para cá para aprender a encarar e ficar na eternidade. Se gastamos esta energia em baboseiras, o que colheremos será o que plantamos. Nós temos o direito de viver bem a vida, sem nos apegarmos a ela, ao mesmo tempo em que criamos aquilo que queremos ter e ser nesta imensidão incomensurável que existe e que temos o direito de ter como parte de nosso real destino.
O corpo físico existe para ser usado em bom proveito para criar ou fantasiar. Antes de deixarmos este invólucro, temos que fazer todo o possível para criar o que queremos, que é o veículo de nossa existência fora dessa realidade, que se tornará apenas uma lembrança diante da realidade daquilo que há de vir. Para isto temos que aceitar nossa limitação em compreender aquilo que vemos e temos, assim como aquilo que sentimos. Nossa limitação deve estar bem distante do que hoje somos.
A confrontação que sentimos aos nos separarmos do grupo e voltarmos a vida comum, é o que um guerreiro samurai sente ao voltar para sua casa depois de anos de batalha. Ele nasceu para batalha, sua espada não foi feita para ser objeto de arte e sim instrumento de sobrevivência. Num grupo, a espada é a atenção e a batalha é contra o sono e a distração, buscando sempre estar atento. Como o poeta Antonio Abel diz no seu livro Pensamentos II :

“O tolo nas épocas de paz, diverte-se.
O guerreiro nas épocas de paz, prepara-se”.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O QUE É ACORDAR II




No Trabalho de Gurdjieff quase não usamos o termo “acordar”, pois nosso objetivo é exatamente alcançar isso. Se por um acaso acharmos que estamos acordados, é um engano porque esta condição tem níveis diferenciados em cada situação de nossa vida. É fácil para uma pessoa que está a um bom tempo fazendo um trabalho de grupo entender o que digo, mas uma pessoa que nunca fez exercícios de Gurdjieff, ou que fez por pouco tempo, pode se enganar e achar que está acordada ou com o nível de consciência acima do estado de vigília.
Muitas pessoas que chegam ao grupo me dizem que já conhecem estes exercícios de sensação do corpo e que em muitas situações já fizeram e sentiram o que praticamos. O interessante é que no momento que estão falando comigo não estão fazendo nada para estarem presentes e mesmo numa situação de movimentos ou Mokussô, elas encontram grandes dificuldades em fazer os exercícios. Mas mesmo assim acham que estão fazendo e dizem que entenderam o que está se passando em apenas algumas reuniões. Estas mesmas pessoas após alguns meses ou anos, começam a perceber durante os exercícios que raramente estão presentes e sua atenção é limitada, restrita a pequenos afazeres e diante de si existem várias situações que não enxergam e nem fazem absolutamente nada que deveriam fazer em relação a atenção que deveriam ter em muitas ocasiões.
Mesmo sentindo o corpo e querendo estar com o máximo de atenção, existe uma limitação da própria pessoa, pois seu corpo de CS ainda está em formação. Isto acontece quando o grupo está reunido e todos tem esta finalidade: acordar e permanecer nesta condição de atenção. A todo momento vemos o esforço dentro do grupo e é difícil de se manter em um nível de atenção desejado. Agora pergunto: e quando estamos longe um do outro, junto de pessoas que dormem e acham que estão acordadas e que sabem o que fazer? Como fica a situação de alguém que está no trabalho?
É fácil de perceber o que acontece se pessoa procura estar presente, mesmo que parcialmente. Cada esforço que fazemos é somado para o acúmulo da consciência, que dia a dia pode aumentar até se tornar Consciência de Si.
Dentre os vários Eus que temos dentro de nós, cada um representa uma força e a soma deles produz o que somos na vida. Uma pessoa pode estar no Trabalho de Gurdjieff e se considerar firme, nada o abalará, seu objetivo é ser imortal, mas desconhece que existe a força dos Eus que não estão no trabalho e somente a própria pessoa tem capacidade de ver e saber de sua existência. Quando veem um pouco, fogem e procuram justificar seus gostos e até sua compreensão limitada.
Alguém pode estar no Trabalho de Gurdjieff porque ainda não apareceu algum tipo de tentação que o tire do trabalho. Pode ser algum emprego cuja remuneração é boa, mas o impedirá de participar das reuniões. Como também algum curso da área que a pessoa dê mais valor do que sua própria evolução. O seu C.G. (Centro de Gravidade) não é do trabalho sobre si e os Eus que estavam adormecidos, podem acordar de repente e ficar até furioso se alguém discordar.
Com essas pessoas devemos não tentar mostrar a ilusão em que estão metidas, mas nos afastarmos das ideias delas e observar de longe, sem tentar mudá-las.
Elas não são do Trabalho, estavam no Trabalho de Gurdjieff. Quando alguém dentro de si mesmo pode se considerar do Trabalho, é pelo simples motivo de ela descartar tudo em sua vida para a evolução. Seu centro magnético existe e o restante em sua vida está ao redor, começando com a família, serviços etc. O FDS não lhe atinge.
Uma pessoa pode passar alguns anos sem que apareça uma oportunidade tentadora, mas quando aparecer, ela não terá dúvidas, a sua vida é aquilo. Então, quando ela pede uma opinião a alguém, já está decidida a prosseguir em seu real objetivo, que acaba sendo outras três forças negativas que tiram a maioria das pessoas do Trabalho de Gurdjieff . Então o acordar passa a 2º plano e seu sono vira acolhedor e gostoso.