sábado, 26 de abril de 2014

PRECONCEITOS


Nossa vida é calcada de preconceitos que nos chegam de muitas maneiras. Alguns podemos perceber e não sentir, outros sentimos e não sabemos porque o possuímos.
Toda a vida comum tem normas e condutas sociais para se ter um equilíbrio de convivência. Cada pessoa tem sua maneira particular de aceitar esse fato e quando se forma um grupo social (religioso ou não) procuram ter normas, regras, etc. para terem um comando ou direção do que se almeja. Inicialmente é assim. De acordo com a lei da descontinuidade, o que hoje inicia em direção ao norte, acaba se desviando para o sul, sem que a maioria possa perceber esse desvio.
Vamos dizer que um grupo tenha um líder que queira a evolução espiritual e vai nesta direção. Após sua morte outros assumem o comando e assim sucessivamente. Com o passar dos tempos (anos) o que começou em direção da evolução espiritual se torna um grupo de moralistas, somente pensando no dia a dia da vida normal material como: serviço para ganhar a vida, comida, sexo, e a manutenção da família como um “bom homem", nada além disso. Falam em Amor e nem gostam de si mesmos, falam de luz e não buscam consciência.
Para tudo isso existir não há necessidade de se formarem grupos pois qualquer homem direito dentro de uma sociedade não necessita de religião para ter esta conduta. Esses grupos normalmente se acham melhores do que aqueles que não o seguem e assim prosseguem em direção a uma “boa vida em família” até a hora da morte e somente nesse momento percebem que nada fizeram para si mesmos, ficam apavorados diante do fato que sempre esteve presente, mas nunca viram. Este fato é o esforço que se pode fazer não para ser um “bom homem”, mas para enxergar através de um esforço de trabalho sobre si mesmo e não de conduta moral.
Como fazer para não cair no mesmo erro? Acima de tudo ter uma sinceridade interior e uma direção no objetivo de se conhecer sem julgamentos ou preconceitos, sem procurar eliminar ou esconder de si próprio suas distrações e erros, isto é: não aparentar o que não é. Para isso deve haver um grupo que não adule nem mulher, nem filhos, nem amigos. Pois quando escondemos o erro de alguém, é porque também temos um igual ou então quando apontamos um erro de alguém é porque queremos esconder o nosso.
Fala-se em “examinar” antes de tomar uma atitude. Isto é falso pois acima de tudo temos que ver nossa incapacidade de se examinar algo que não se conhece e a vida é muito superior ao homem comum para ser examinada. Podemos imaginar um grupo de “mestres” reunidos. Aí chega uma pessoa que dá uma faca para ser examinada, cada um que pega a faca vai dar uma opinião sobre para que ela serve ou do que ela é feita, todos podem estar falando a “verdade” da faca e a soma do conhecimento de todos eles podem nem chegar a 1/10 do que a faca é. Neste momento chega um especialista em faca e ao vê-la fica maravilhado, pois é uma faca antiga de muito valor. Como aqueles que examinaram não sabiam de nada, não valorizaram a sua utilidade. Por este exemplo podemos perceber que existe algo mais e o procedimento para notar isto é aumentar sua própria capacidade de observação e conhecimento com os exercícios sobre si, agindo imparcialmente diante de qualquer fato. Cada observação vamos guardando como experiência dentro de nós.
É como um mosaico de pedra que vai sendo formando gradativamente em uma forma compreensível de um desenho que já existe. Com uma pedra ou duas jamais saberemos qual desenho será formado. Cada momento de esforço é como uma pedra e se dá o aumento gradativo de consciência que vamos adquirindo.
A luz, por menor que seja, não escolhe o que iluminar, clareia tudo pouco ou muito, mas clareia. A luz existe para todos, mas nem sempre queremos abrir os olhos para ver, principalmente as nossas incapacidades interiores. O ver muitas vezes causa dor, porque aquilo que fantasiamos sobre nós mesmos, vemos que não é real e que não somos nada daquilo que pensávamos ser, não aceitando acordar e ver. O dormir é muito melhor pois o sonho nos satisfaz em nossas mecanicidades e se alguém procurar nos acordar, não gostamos. Somente devemos tentar acordar alguém quando a pessoa quer e procura acordar mais que tudo na vida, mais que ter família, amigos, prazer, etc.
Como disse o mestre :
“Para me seguir terás que deixar que os mortos enterrem seus mortos”

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Alimentação e força


Como sabemos, o nosso corpo é uma fábrica de transformação de energia e matéria da mais grosseira a mais fina e sutil. Essa transformação não se dá através de um pensamento ou ação. As pessoas de maneira geral acham que por serem cultas, andarem corretamente como as religiões pedem, estão salvas. Os Eus os esperam, tudo está bem.  Mas nós sabemos que o funcionamento de nosso corpo não é simples e desconhecemos quase totalmente.
Nos esforços que fazemos durante os exercícios, contrariando toda a nossa mecanicidade, armazenamos um grupo de energia que  além de transformar em consciência de si também pode se cristalizar e se tornar um corpo independente. A idéia de hidrogênio nos explica qual é a posição e situação de um corpo e sua energia na manifestação em qualquer situação dentro do Universo e com isso, em nosso corpo denso. Toda a transformação dos três tipos de alimento e até que ponto pode chegar para um perfeito funcionamento nosso para alcançarmos nossa meta na criação dos corpos de consciência, que podemos também chamá-los de “veículos”, pois somente poderemos passar a atender o que vemos e sentimos com o tempo aprendermos a usar estes veículos formados pelo nosso esforço pessoal.
Uma pessoa se satisfaz em viver com alimentos inferiores (mais denso), e se alimenta de H 768 e comida comum e H 192 e também todos os pensamentos, sentimentos e com isto, atitudes, gostos, maneira de pensar, enfim toda a vida circula no nível desse hidrogênio, junto com orgulhos, vaidades, etc... até que a morte os separe, não deixando nada pois tudo é  desagregado em sua formação.
Uma pessoa que trabalha sobre si e possui hidrogênio mais refinado H 48, H 24 e H 12, age e pensa de uma forma diferente, daquela que não possui este refinamento de alimento. A compreensão da vida não significa que a pessoa tenha formado um 2o corpo, pois pode ter apenas energia suficiente para obedecer ou seguir alguém que possua este nível de hidrogênio e com isso aprender através de seu próprio esforço pessoal, armazenar hidrogênio refinado para sua própria existência.
Os homens não possuem o mesmo nível de compreensão, por este motivo que há divergências quanto a atitudes que tornam-se objetivas e capazes de armazenar maior energia sobre si mesmo. O desequilíbrio da razão é a divergência que existe na lógica do Centro Intelectual e do Centro Emocional, determinada pessoa não consegue acertar um trabalho, não aceita opiniões de outras, este é um caso da decisão do Centro Emocional e não do Centro Intelectual e também pode acontecer o contrário. Num momento a pessoa está alegre perto de alguém e no momento seguinte não está. Neste caso vemos que os vários eus não são do Trabalho pois somente a energia do H 48 está em funcionamento e a identificação com o que se está fazendo fica no nível do Caos, confusão e erros. Com o funcionamento do H 48, a obediência é somente aparente e não do Trabalho que necessita de um esforço consciente para uma obediência à razão e não a pessoa. A razão é aquilo que quero na vida e não o que me leva de um lado para o outro, trazendo emoções negativas, desgostos e desequilíbrio. Sempre há dentro de nós nossos gostos, desejos, etc, e quando ele se manifesta contrário à razão de nossa meta, devemos sacrificar isto no momento de sua manifestação e não9 depois quando estamos juntos fazendo exercícios , movimentos, etc. Claro que neste momento de trabalho de grupo também estamos guardando algo para nosso futuro, mas fora daqui estamos sozinhos com as armas que temos em mãos e aí sabemos qual é o nosso nível, quanto possuímos de hidrogênio refinado que se manifesta nos seguintes casos:

  • Observação de si
  • Consideração externa
  • A não manifestação de emoções negativas
  • O uso da força muscular somente no necessário, sem contrações desnecessárias.
  • O impedir as vozes interiores desnecessárias
  • Aceitar dentro de si que nem tudo pode ser entendido e esperar com sobriedade o momento passar, pois nada se pode fazer para mudá-lo
  • Se colocar sempre estrategicamente para o momento.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Ponto de Equilíbrio




Uma pessoa se esforça para se manter alerta, sentindo o corpo, etc...Começa o estado de consciência de si. Nesta situação todos que assim estiverem percebem as mesmas coisas e os acontecimentos ao seu redor são sentidos e vistos de forma equilibrada e dentro de uma mesma compreensão. Digamos que num grupo de 14 pessoas  uma delas esteja distraída e falando algo mecanicamente (fantasiando) e que seu estado interior esteja identificado com o assunto, em outras palavras, que esteja dormindo no estado de vigília ou sono desperto. Por mais que fale ou faça algo, todos notarão a sua intenção e identificação com o que fala ou faça. Se esta pessoa continuar assim o seu sono aumentará e cada vez mais se distanciará de um estado melhor de consciência, mas se o grupo continuar coeso no seu esforço de manter a atenção algo acontecerá com a pessoa que não está com a atenção. Ela acordará ligeiramente e terá alguma emoção de raiva ou tristeza. O grupo estará dentro de uma força que chamamos de consciência que circulará em todos que terão sua visão e sensação do corpo aumentada e cada vez mais a distância entre o grupo e  a pessoa que está dormindo aumentará. Isto poderá acontecer com uma ou mais pessoas  e esta achará que todos estão errados e que são maldosos, que tudo é sem sentido dentro dessa concordância. Se nós percebemos que isto está acontecendo com a gente, devemos imediatamente parar de se movimentar , colocar a atenção na postura e ficar de uma forma que não necessite de esforço físico, relaxar os músculos gradativamente, não procurar entender nada, nem defender nenhum ponto de vista por mais “razão” que pense ter, deverá somente sentir e observar seu próprio corpo, olhar para as pessoas sem julgá-las e não deixar as vozes interiores interferirem, ficar em estado de alerta consigo mesmo, fechando a “porta” e não deixar a desconfiança entrar, apenas observar e estar presente esperando uma situação interior melhor. Se  conseguir isto, entenderá que existe uma força viva, uma energia que está à disposição do grupo e quando falar  haverá uma compreensão única, não haverá discordância dentro do grupo. Esta força não termina quando o grupo se separa fisicamente e cada um vai para o seu lado levando esta energia que poderá ser usada quando necessitar. A energia que acumulamos com os esforços de um trabalho é para a formação não de somente um corpo particular, mas de uma egrégora que permanecerá no grupo enquanto ele existir em sua formação de esforço e até além , se conseguirem armazenar uma quantidade suficiente para a existência do grupo em outras realidades (mundo astral). Para que esta força exista é necessário haver no grupo um sentimento de união, algo que seja amizade e confiança, não confundir com pieguice e identificação com uma ou outra pessoa, por exemplo: pai e filho, mãe e filho, marido e mulher, etc...pois esta ligação é perniciosa quando o grupo se reúne pois este tipo de sentimento é de quem está dormindo e está satisfeito com sua vida e confunde gostar com Amor e identificação com carinho. Os grupos ao se reunirem devem antes de tudo esquecer os laços e correntes que existem no estado de sono desperto. Uma pessoa que se considera carinhoso, bonzinho, etc...não está em condição de trabalho na 2a linha de Trabalho (fazer algo pelo grupo), só estará apta para a 1a linha de Trabalho (fazer algo para si mesmo) e não trabalhar com outras pessoas que desejam acordar e duvidam de sua própria condição de estar desperto. Há aqueles que querem acordar por não estarem satisfeitos interiormente consigo mesmo e há outros que se acham bem e sem problemas e que estão com a “razão”. A mesma razão que leva os homens à guerra, à morte e a disputa entre nações inteiras e até famílias a se gladiarem com outras famílias por vingança e etc. Dessa razão devemos fugir e não aceitá-la como linha de trabalho em nosso caso. Nós do Grupo de Gurdjieff não devemos esquecer dessas 3 linhas de Trabalho:
  • Trabalho sobre si mesmo
  • Trabalho com o grupo
  • Trabalho para o grupo


Os grupos não são formados por vínculos de amizade, mas por capacidade de fazer o que se pede como exercício e obrigações psicológicas que dá a condição de um aumento de consciência numa determinada situação, principalmente quando a reunião está com a finalidade de um aumento de consciência. O nível de consciência de si de uma pessoa é a soma de seu esforço durante o Trabalho e não o esforço que ela está fazendo no momento dos exercícios. Isso quer dizer que mesmo que uma pessoa esteja aparentando distração e normalidade,ela é o produto do que fez durante os dias de Trabalho sobre si e seu equilíbrio e raciocínio é determinado por esta situação interior.

sábado, 29 de março de 2014

DESTINO



O que seria destino? Um fato que não pode mudar/ Algo imutável? Antes de tudo, o destino de quê? Vamos dizer que uma pessoa nasceu numa família de carecas, inevitavelmente o destino dessa pessoa é se tornar um careca também. Já não acontece se uma pessoa for escritora, seu filho terá outro destino, pode até também se tornar um escritor, mas esse pode não ser o seu destino.
Para começar, podemos falar que o corpo denso pode ter um destino e o homem dentro desse corpo ter um outro destino completamente diferente daquele que seu corpo vai ter. Sabemos que crescemos desde criança, nos tornamos adultos e com o tempo a decreptada velhice e por final o fim do corpo denso. Pergunto: o que restou daquela pessoa? Se durante a sua vida só ficou com sua cabeça cheia de fantasias e suas emoções sempre foram frágeis e negativas? Se existiam centenas de Eus fracos e fantasiosos, tudo isso não é nada duradouro, o tempo que fica ativo uma parte da pessoa, este é o seu tempo de vida, nada dentro de uma pessoa pode se falar que tenha um destino. Mas este que até agora falamos é o mais superficial. Tudo que fazemos dormindo ou não é algo que fica em nossa vida. Se uma pessoa corta um dedo, pode ter certeza que a cicatriz ficara no corpo. As nossas ações deixam cicatrizes no destino daquilo que temos dentro de nós e que pode estar dormindo.
Tudo o que acontece é fruto de algo que fizemos antes, bem antes até de nascer neste corpo. Algo pode nos acontecer e ser um merecimento ou fatalidade. Se a pessoa pratica um esforço consciente, ele se tornará um merecimento, se a pessoa fizer algo que prejudique outras pessoas,  esta atitude se tornará uma fatalidade na sua vida vindoura. Então, as pessoas que sofrem, por mais cruel que possa parecer pode ser algo que não sabemos o motivo, mas nada é injusto. A atitude que temos perante a fatalidade de outras pessoas é devido a nossa total ignorância a respeito daquilo que conhecemos como destino.
Um homem que trabalha sobre si, que passa anos procurando uma consciência de si ou outra superior, está fazendo o destino que qualquer homem tem direito, mas não quer. Segue pela vida sem se importar com seu verdadeiro destino. Ele tem direitos que não sabe que existe. Tem possibilidades que não sabe que pode usar e usufruir na vida. Passa a vida toda armazenando coisas que na hora da sua morte não adiantará de nada,  gastou tudo que podia em fantasias e nada ficou para si mesmo. O acúmulo de sua riqueza é fora de seu corpo, então na hora de sua morte ele verá o que possui e o que acumulou no decorrer de seu esforço diário (8 horas ou mais por dia). O seu carro, apartamento, dinheiro, nada é seu, é do mundo e para onde ele poderia ir, o seu “veículo” não foi formado. A sua existência foi para gastar o que podia acumular como energia para este momento. O estranho é que a pessoa pode ter o que quer do mundo externo e ao mesmo tempo acumular no decorrer de sua vida algo para si mesmo que persista a pós a morte de seu corpo denso.
Os exercícios que praticamos é para serem usados na vida, não temos necessidade de nos isolarmos de nada. Ao contrário, temos é que participar da vida, sem estar identificados com o que fazemos e sentimos. Cada esforço do Trabalho de Gurdjieff é um acúmulo de energia que se tornará consciência. Nós não lutamos contra nada, o combate é para separarmos interiormente as nossas vozes de decisão, de ação, daquele que observa o fato. É um trabalho dentro de si que se exterioriza em nosso atos de exercícios, movimentos, domingueira, etc. Que é a prática sem fantasia que fazemos para nos conhecer, e que após isto tentamos ser o que antes julgávamos ser ou que julgávamos ter em nosso interior.

O homem fica satisfeito com o mínimo que a vida lhe dá e o Trabalho de Gurdjieff exige da pessoa algo que a pessoa não sabe que possui. Em outras palavras, a pessoa se esforça primeiro para depois saber o que vai querer da vida. Nós não falamos o que é melhor para uma pessoa, nós damos indicações para se ter uma mudança de compreensão e esco9lher por si mesmo o que é melhor para a sua vida. Quanto mais consciência, mais diferentes são os gostos das pessoas e sua maneira de viver e encarar aquilo que lhe é de valor. O homem no Trabalho muda tudo dentro de si, até o seu destino comum, que passa a ser dirigido pela sua vontade. 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Divisões Dos Centros


Todos os centros são divididos em partes: uma parte intelectual, uma emocional e uma motora. Vamos começar pelo centro intelectual que fica situado na cabeça.
  • CENTRO INTELECTUAL: Como sabemos, no homem normal existem as vozes interiores, lembranças, raciocínio matemático e etc...
    • A sua parte intelectual é a capacidade de criação, invenção e descobrimento; que só pode funcionar através de um esforço. Os movimentos que nós aprendemos com o centro motor, inicialmente o decoramos com a parte intelectual do centro intelectual.
    • A parte emocional do centro intelectual são os desejos de conhecer,  curiosidade por tudo que nos chame a atenção, como por exemplo: ao percebermos um grupo reunido em torno de um desastre somos levados por esta parte a querer olhar ou ao ouvir algum barulho estranho quando estamos sozinhos em casa.
    • Parte motora do centro intelectual são as partes que nos leva a discussões e contestações por algo que já temos armazenado nessa região. Essa parte por sua vez também é subdividida em mais 3 partes que não vamos entrar em detalhes.Também é responsável por esta parte as frases estereotipadas, os slogans e as repetições de palavras. Não há necessidade de nenhum esforço para seu funcionamento. É nessa parte também onde existe a desconfiança, cisma e fantasias  de que somente a pessoa está certa em suas opiniões; é por esta parte que se inicia o desequilíbrio mental.
    • Como já sabemos todas essas partes podem funcionar como pensamento concreto (que são formas) e pensamentos abstratos (que são sons).
  • CENTRO EMOCIONAL: O centro emocional podemos dividi-lo em uma parte positiva ou superior e uma parte negativa ou inferior.
    • Na parte intelectual desse centro é a sede principal do centro magnético, é a busca do desconhecido. Também é a sede onde o homem é levado a grandes aventuras como descobrimentos e ida a lugares desconhecidos como explorador.
    • Na parte emocional desse centro é onde evolui o centro emocional superior e também onde é a sede de emoções religiosas, estéticas e morais que nos conduz a consciência objetiva. Se essa parte se manifesta negativamente é onde existe a crueldade, obstinação e indiferença a sofrimento dos outros.
    • Na parte motora é onde existem as simpatias e desejos pequenos e também o riso. Nesta parte  é onde gostamos ou não gostamos de uma ou outra pessoa, tudo automaticamente por uma escolha totalmente fora do nosso controle. Também os gostos literários e profissionais.
  • CENTRO MOTOR
    • A parte intelectual do centro motor são os movimentos que fazemos para nos equilibrarmos numa corda, dar um salto maior do que o necessário ( tanto em distância como em altura), segurar várias coisas simultaneamente para não deixar cair, algum movimento complexo de pintura e desenho ou aprender uma dança onde há necessidade de habilidade em sua execução.
    • A parte emocional são os prazeres dos movimentos : dança, andar, correr, nadar, lutar, etc..
    • A parte motora do centro motor são todos os movimentos que fazemos naturalmente sem esforço algum, como: se arrumar ao deitar, escovar os dentes, comer, etc... enfim, todos os movimentos já decorados.
     CENTRO INSTINTIVO: O centro instintivo como sabemos são todos os nossos sentidos.Ele já está totalmente formado. Mas pode se tornar deturpado ou viciado.
    • A parte intelectual do centro instintivo é o que conhece pelo olfato ou paladar o que é necessário para o corpo como alimento e sua quantidade necessária, como também define a defesa do corpo pelo susto de sons estridentes (audição).
    • A parte emocional do centro instintivo é o prazer do descanso, como também do esforço equilibrado dos músculos.
    • A parte motora do centro instintivo é a visão, assimilação e excreção tanto dos alimentos como dos suor.

  • CENTRO SEXUAL: É dividido em 3 partes, as quais são diferentes dos outros centros.
    • Atração pelo sexo oposto.
    • A Indiferença tem duas divisões : 1) Mistura ; 2) Igualdade
    • Foi criada artificialmente pela má educação social que é a repulsão, que podemos até considerar como uma doença.
    • No caso de lesbianismo e homossexualismo é a interferência de outros centros e não a mudança do funcionamento do centro sexual. Ë a emoção que entra ou o centro intelectual.
  • CENTRO INTELECTUAL SUPERIOR: Não existem as partes negativas. É a criação artística objetiva.
  • CENTRO EMOCIONAL SUPERIOR: Não existem as partes negativas. Emoções de êxtase e sentimentos superiores que dificilmente um homem que não seja fruto de um esforço sobre si consiga.
Todos os centros devem trabalhar harmonicamente para ser possível uma evolução interior efetiva e para isso temos que conhecer como funciona  nosso corpo psicológico e físico dentro daquilo que conhecemos como essência e personalidade.


quarta-feira, 19 de março de 2014

Grupo do Trabalho de Gurdjjief atualmente

            Somos o GTG, Grupo de Trabalho de Gurdjieff. Este grupo formou-se sob a orientação de Benedito Nelson no ano 2000, no Rio de Janeiro. Kyoshi, como é conhecido Benedito Nelson por seus alunos de Karate, então já dedicava mais de vinte anos às práticas e estudos contidas no Quarto Caminho. Inicialmente, o maior número de participantes do grupo compunha-se de estudantes de teatro, que entraram em contato com as publicações relacionadas ao Trabalho em suas pesquisas relacionadas à arte.
Com o passar dos anos este Grupo se firmou com mais participantes, vindos de diversas origens culturais e étnicas. Nas reuniões semanais, que aconteciam na residência de Benedito Nelson e de sua esposa, Maria Nayara Arnaud Tavares Augusto dos Santos, recebemos orientações para o desenvolvimento harmonioso de cada um do GTG, enquanto atuávamos em diversas atividades para o desenvolvimento da atenção.
No final do ano de 2004, após intensificação de nossas atividades, nos mudamos para o estado de Rondônia, onde construímos o Condomínio dos Samurais, sob a supervisão direta do Orientador do GTG, que se dedicou exclusivamente a transmissão de seu conhecimento em diversas áreas a seus alunos do GTG. Além disso, os participantes do Grupo que permaneceram no Rio de Janeiro mantiveram o compromisso com o GTG e permanecem se reunindo. O Grupo se expandiu para Belém, no estado do Pará, e também um grupo para iniciantes no Quarto caminho se formou em Porto Velho, Rondônia.
No dia 1º de Agosto de 2013, após um difícil processo de recuperação pós-cirúrgico, veio a falecer nosso Mestre e amigo Benedito Nelson. Após um breve período de reflexão interna, nós, alunos e praticantes do Trabalho de Gurdjieff, seguimos com sua obra nas práticas e estudos do Quarto Caminho.
Como alunos, fomos testemunhas da grandiosidade de sua obra, fruto da atenção e observação de si praticados por mais de quarenta anos. Omaior empreendimento de sua vida foi o esforço e sacrifício para o conhecimento de si mesmo e o desenvolvimento da psicologia da possível evolução do homem. Este esforço, materializado na dedicação diária e ininterrupta aos praticantes do GTG que o acompanharam, resultou na solidez do Grupo, que se mantém firme no intento de vencer o sono e a mecanicidade humanos, a fim de conhecer a verdadeira potencialidade do espírito humano em uma vida na Terra.

            Dando continuidade aos esforços do Kyoshi, nosso mestre de Karate, amigo e conselheiro, a orientação de nosso Grupo está sob responsabilidade de sua viúva, Maria Nayara,também praticante do Trabalho e aluna de Karate, e de nosso companheiro de Grupo Bruno Mendonça Guimarães, ambos escolhidos pelo Kyoshi em vida para esta tarefa de manter sua obra fiel aos ensinamentos e práticas do quarto Caminho. Deste modo, estes dois alunos de Benedito Nelson são os coordenadores das atividades de nosso Grupo, nas diversas áreas abrangidas pelas práticas e estudos teóricos dos ensinamentos de Gurdjieff. 

Karate nos dias atuais

            Nosso Kyoshi Benedito Nelson dedicou a vida ao aprimoramento do corpo para o combate e do espírito do guerreiro, não hesitando em transmitir seus conhecimentos. A proposta de unificar o Karate em âmbito nacional objetivando a formação de professores qualificados e de atletas desta arte marcial, capazes de afigurar do pódios das competições nas quais ingressassem, se materializou na fundação da associação de academias Hien Karate Kyokai.
            Esta associação visava aprimorar as técnicas dos professores, assim como permitir um intercâmbio saudável entre os alunos, mantendo as tradições de nossos mestres antepassados, ensinando a etiqueta Budo e criando condições para o desenvolvimento desportivo.
            Após o falecimento do Kyoshi BNAS, em 1º de Agosto de 2013, coube a responsabilidade de assumir a liderança deste grandioso projeto, que tem como objetivo levar o Karate para o maior numero de praticantes que assim desejarem, ao Shihan (5º Dan/Grau) SiddiGobbi dos Santos.
            O ShihanSiddi é filho do Kyoshi Benedito Nelson e iniciou a prática do Karate aos 3 anos de idade, com seu pai, em 1975. Os exames de graduação que participou até obtenção da faixa laranja aconteceram com o Professor Juichi Sagara, que, professor do nosso Kyoshi BNAS. Ao atingir a faixa roxa, iniciou os treinamentos com o melhor aluno do Kyoshi nesta época, César Vallaperdi, adquirindo a faixa marrom.Nesta época, o Kyoshi não tinha possibilidade de ministrar aulas regulares durante a semana, só podendo aos sábados ministrar aulas aos faixas pretas.
            Aos 13 anos de idade o Shihan começou a ministrar aulas de karate, o que permanece fazendo até os dias atuais, tendo se graduado em Educação Física pela Universidade Gama Filho no ano de 1994 e pós-graduando pela Universidade Veiga de Almeida em Psicomotricidade no ano de 2001.
            O Shihan recebeu a graduação de faixa Preta (1º Dan) aos 16 anos, no anos de 1988, pela Federação de Karate do Estado do Rio de Janeiro (FKERJ). O 2º Dan foi recebido em 1993, pelo mesmo organismo organizativo, o 3º Dan em 19996 também pela FKRJ, o 4º Dan também foi recebido pela FKRJ, 2002.
            O 5º Dan foi recebido por três organizações distintas de Karate, no ano de 2010: a FKRJ, a Confederação Brasileira de Karate e a Shotokan Karate Intenational federation pelo mestre Kansho Kanazawa.
            Além da extensa experiência como professor, tendo graduado em sua carreira mais de 40 faixas pretas, o Shihan teve grande sucesso como atleta em campeonatos tendo recebido mais de 40 títulos em diversas competições. As principais elencamos aqui:

·                Campeão do 1o campeonato estadual de Karate juvenil 1987 - Kumite
·                Campeão do 1o campeonato estadual júnior - Kata e Kumite FKERJ - 1991
·                Diversos títulos estaduais e nacionais pela FKERJ -SKIF e CBK
·                Campeão pan-americano juvenil de KataSKIF - México 1989
·                Vice-campeão -pan-americano juvenil de KumiteSkif - México 1989
·                Participação do campeonato mundial México - SKIF -1991
·                Campeão Sul americano adulto por equipes  skiF - Mar del Plata - Argentina - 1993
·                Vice-campeão sul americano adulto de Kata  SKIF - Mar del Plata - Argentina - 1993


            Desta forma, com respeito aos ensinamentos tradicionais recebidos de seu pai, o Shihan se encontra em boas condições de continuar e divulgar o trabalho pelo engrandecimento do Karate iniciado por seu pai, tanto na parte de conduta do guerreiro como na formação de atletas nesta arte. 

Fabricação de espadas nos dias atuais

            Uma outra atividade que juntamente com o Karate e o Trabalho de Gurdjieff esteve presente em todo a história de vida do Kyoshi Benedito Nelson foi a fabricação das tradicionais espadas japonesas. Jovem ele se interessou por este tipo de armamento e por toda a tradição que estas lâmina feitas artesanalmente carregam.
            Após muitas pesquisas solitárias, conversando com famílias japonesas, estudos a partir de livros e relatos de espadeiros de séculos passados, o Kyoshi logrou fazer uma lâmina da maneira tradicional, com a metodologia e a técnica necessárias para garantir as características diferenciadas das lâminas usadas pelos Samurais.
            O Kurokaji Sukehiro, nome de espadeiro do Kyoshi BNAS,em sua vida fabricou espadas para a venda à colecionadores que tem especial interesse nesta obra de arte e para demais interessados na cultura japonesa e nas tradições samurais. O aluno Guilherme Freitas, acompanhou como aprendiz as técnicas de fabricação das espadas a partir do ano de 2001, tendo recebido a orientação para fabricar espadas em todas as suas fases de acabamento desde as mais rústicas as mais sutis e delicadas. Quanto à confecção das bainhas, parte fundamental para a montagem da espada completa, Kyoshi ensinou ativamente a seu aluno Francisco das Chagas Araujo.
            A tradição de fabricar as espadas japonesas não cessou com a morte física de Kurokaji Sukehiro. Os alunos nesta antiga tradição Guilherme Freitas e Francisco das Chagas Araújo, já perpetuam os ensinamentos recebidos do mestre. Deste modo, a estes dois discípulos foi dada a incumbência e responsabilidade de atuar para a continuidade desta antiga arte Samurai, como todo o zelo e responsabilidade com as tradições japonesas como foi a vontade de seu mestre espadeiro.


sexta-feira, 14 de março de 2014

MENTIR A SI MESMO


Em nosso Trabalho uma das piores situações interiores é enganar a si próprio e não querer ver e aceitar a mentira, para se satisfazer e continuar a dormir. Como nos enganamos? Primeiro é falar o que não faz como se fizesse. Por exemplo: A pessoa diz que quer  despertar e conhecer a si mesmo para uma evolução posterior e começa a fingir que está no Trabalho, chega a uma reunião, se comporta perfeitamente, senta-se para o Mokusô de maneira correta, coloca atenção nos fatos do momento e etc. Assim que termina a reunião volta a ser o que sempre foi, inicia o papo sobre futebol, cinema, serviço, amigos, diversão, saídas, etc. Estes são os que se enganam e o Trabalho é mais uma atividade na vida e não a vida em si.
Nós podemos fazer tudo o que queremos, contanto que não prejudique o próximo, só não devemos é nos enganar, fazer uma coisa pensando ser outra. O papo, o assunto que fazemos não interessa, mas o nível de nossa atenção não deve diminuir e devemos colocar os centros para funcionar no momento preciso. Digamos que temos que comprar uma pizza para o jantar:  saber sem dúvida o que comer, preparar o troco antes dela chegar, não duvidar quando a campainha toca, já deixar tudo preparado, e tudo isto na observação de si.
Se uma pessoa estiver sentindo o corpo e passa pela sala  percebendo algo desarrumado e não toma a iniciativa para arrumar, pode ter certeza que não está atenta a um nível bom de Trabalho. Como disse N. a pessoa vê a bolsa de outra pessoa aberta , mostra a uma terceira que vai lá e fecha a bolsa aberta. Quem viu tirou o corpo fora, foi inútil ter visto. Quem deixou a bolsa aberta estava distraído, quem tomou conhecimento e foi fechá-la agiu certo: viu, sentiu e agiu.
Na observação de si existem duas linhas de atenção: uma para nós mesmos e outra para uma situação exterior. Quando tomamos conhecimento dessas duas linhas, não devemos confundir achando que é apenas saber o que está se vendo, mas sim saber o que fazer com a situação em que está se vivendo, sempre para o nosso bem sem prejudicar o próximo. Ajudar sim,  sem se prejudicar também.
Certa pessoa acha que gosta de sua mãe e faz tudo o que ela não quer que faça: tem vícios, não a ajuda nos afazeres domésticos, é ríspido quando contrariado, não faz carinho algum quando está perto dela e etc. Uma pessoa desta está mentindo para si mesmo, ela não quer ver quem ela própria é. Quando a mãe ou o pai adoece, chora, fica preocupado, etc... Mas no íntimo ela sabe que não gosta dos seus pais, se tem algo é apenas apego, e em muitos casos medo de ficar sem alguém para ampará-lo nas situações difíceis.
Não podemos esquecer que é totalmente inútil perguntar a uma pessoa que dorme se ela gosta de fulano ou cicrano, ela afirmará e até brigará se alguém duvidar de seu sentimento. Nada mais ofende um pai ou um filho este tipo de pergunta:”Você ama seu pai?” Todos afirmarão que sim mesmo sem ter a mínima noção do que isto significa na vida humana. Houve uma pergunta numa de nossas reuniões que sintetiza este fato. A perguntou para B se gostava de sua filhinha, B respondeu que era a coisa mais amada por ela no mundo.Então A disse: o dinheiro é algo que negamos, mas gostamos muito, quanto mais recebemos e temos mais felizes ficamos, então porque vocês não tiveram mais filhos já que gostam tanto dessa filha? Os pais assustados disseram: “Deus me livre!” Aqui está claro que Amor não existe, pode se ter apego, consideração interna, posse, identificação, etc... mas Amor está longe de ser.
A mentira está presente em nós, por isso não devemos julgar A ou B como errado, mas sim a mentira que existe em nossas vidas. Temos que procurar conhecer o que sentimos e o que fazemos para o nosso auto-conhecimento. Nada deve ficar fora de uma observação imparcial do que sentimos, vemos e queremos. Se procurarmos estar perto da verdade é porque estamos no caminho do nosso salvador daquele que nos criou e portanto não procurar fechar os nossos olhos para o que existe em nossa vida.
Quanto mais perto da luz, mais perto da verdade e esta verdade não é falarmos o que pensamos ou agirmos como os corretos querendo corrigir o mundo. A verdade é se conhecer para poder ver o que temos de trevas em nosso interior. A verdade não é andar correto para os olhos dos homens,mas saber o que acontece com nós e com o que nos rodeia, para sabermos como caminhar para a luz de consciência de si.



segunda-feira, 10 de março de 2014

Amortecedores

 

Os amortecedores são aparelhos que não deixam os vagões do trem baterem uns contra os outros de forma violenta,porque assim podem danificar toda a estrutura do trem.
Nós também temos amortecedores em nossa vida. Todos nós fazemos esforço, exercícios para nos conhecer e adquirir um nível de consciência superior, mas entre os exercícios e esforços existem amortecedores que não deixam aquilo que vemos de forma suportável se transformar em choque pois poderíamos não resistir.
Digamos que num determinado momento uma pessoa acorde mais e fique nessa situação por uns instantes e passe a perceber o que ela é e o que se passa a seu redor, em seguida gradativamente começa a voltar ao seu normal: gesticular, a sua voz se tornar mecânica, etc... Isto não acontece de imediato pois os amortecedores não deixam. A pessoa não suportaria se fosse dormir imediatamente como antes pois se lembraria perfeitamente de sua condição de acordada. O mesmo acontece com os eus, uns vem, outros vão e entre um e outro existe os amortecedores que não deixam a pessoa perceber as mudanças. Num determinado momento está um eu que é querido da outra pesoa e em seguida vem o eu briguento, já não é mais a mesma pessoa, o corpo continua o mesmo, algumas lembranças também, mas não é a mesma pessoa. Na espera do outro eu querido, acontece que os amortecedores funcionam e nem uma pessoa nem outra percebem que um deles já se foi e a pessoa volta a ser como antes, tudo em poucos momentos.Os eus vem e vão, percebemos a mudança mas não o momento da troca entre eles.
A pessoa que está no Trabalho de Gurdjieff deve sempre estar preparado para aceitar essas mudanças e saber como manter uma observação imparcial nesses eus e depois conhecê-los bem , saber como interferir, não diretamente fingindo uma ação que não corresponda à realidade do momento.
Um determinado eu ou grupo de eus possui um comportamento e tonalidade de voz facilmente reconhecida por alguém do grupo que no momento utiliza dois: um que observa a si mesmo e o outro que espera essa mudança de eu da outra pessoa até que o indesejado vá embora. Assim funciona o trabalho sobre si em grupo. Ao observarmos a mudança de eu de um amigo devemos esperar o outro chegar para falarmos e voltar ao natural de equilíbrio. A pessoa que está com um eu indesejado deve não agir, esperar, observar seus próprios movimentos, sua voz, conversas interiores, posturas tipos de percepções limitadas, gostos, sensações, pulsação, etc... e não agir nem decidir nada, apenas observar tudo o que está acontecendo consigo e com o companheiro.
Nós sabemos que as opiniões e atitudes dentro de nosso ser vêm de várias  fontes (eus) e apenas devemos aceitar aqueles eus que se relacionam com o trabalho sobre si. Se as manifestações de um determinado grupo de eus, por exemplo: briguento, mister bar, o bom profissional, o bom diretor, o bom ator, o bom pai, a boa mãe, o amigão, etc... começam a se manifestar sem serem observados, eles se tornarão fortes, muito mais fortes do que os eus do trabalho e um dia assumirão o controle de tudo o que existe na vida da pessoa, mesmo que esta esteja no trabalho fazendo tudo externamente certo com sua falsa personalidade .   Mesmo quem estiver num grupo de Gurdjieff agindo corretamente e até dizendo: “Nunca vou parar!”, “Sempre quis estar aqui fazendo isso!”, “Sou do trabalho de Gurdjieff!”, etc...Tudo isso é uma falsa personalidade que fantasia o Trabalho de Gurdjieff. Dentro de si a pessoa pode ter como objetivo agradar a namorada ou mulher, família e etc ou se fortalecer para que os amigos passem a  respeitá-la e admirá-la. Mas se estivermos com amigos do Trabalho e estes estiverem atentos, perceberão quem é quem, isto é, quais são os eus que se manifestam numa determinado companheiro e caso ele não faça os exercícios de auto-observação, algo acontecerá: ou a pessoa passa a se observar ou se afastará execrando e maldizendo todos, inclusive o trabalho que antes adorava e era tudo em sua vida.
A parte externa de uma pessoa pode se manifestar com perfeição nos movimentos, trabalhos, etc... mas somente ela saberá o que realmente quer e valoriza. Um grupo de trabalho existe exatamente para diminuir os amortecedores e causar choque naqueles que estão fazendo um esforço sério sobre si mesmo. Aqueles que estão se enganando, conforme a intensidade do trabalho de grupo aumenta eles não agüentam, sairão do grupo na primeira oportunidade que tiverem, como: família, serviço, namorada, dinheiro ou até algumas novidades profissionais físicas ou psicológicas diferentes do Trabalho.

Os amortecedores são o bálsamo que levam a pessoa a dormir e pensar que está acordada ou pensar que está fazendo algo sobre si mesmo. Nesta benevolência, descansará na cama da vida num sono maravilhosos de suas próprias fantasias, achando-se o único certo podendo até encontrar alguém que concorde com ele, mas não será uma pessoa do Trabalho de Gurdjieff. Uma pessoa do Trabalho é acima de tudo, alguém que sabe o que quer, está pronta para sacrificar suas próprias fraquezas, como: preguiça, desleixo com objetos do grupo, pieguismos com amigos, desconfiança ou pior, esperar que as coisas melhorem para começar com a falsa idéia que retornará com mais disposição. Uma pessoa que retorna após um tempo de afastamento por um dos motivos citados acima voltará mais fraca, desturmada, estranha e até com vergonha de si mesma ou ficará com raiva e culpará o grupo pelas suas próprias fraquezas. Estes são os amortecedores que impedem as pessoas de verem o que realmente querem ou são. As pessoas são o que fazem e não o que falam e fazer não é uma vez ou duas, são anos de Trabalho e abnegação na direção daquilo que querem. . Quanto mais esforço para acordar, mais consciência e mais diferente se tornarão do que antes eram, sempre para melhor, nunca para pior do que quando iniciou seus esforços. Nada os abalará nesta meta. São os verdadeiros guerreiros do século XX ! Seu escudo é sua atenção, sua lança é a sua verdade e seu corpo, a sua imortalidade.

A Psicologia de Gurdjieff - Palestra em Belém-PA - 15.03.2014


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Como se Observar





Comumente as pessoas acham que tem atenção e que estão conscientes, isto é, acordadas. Para se entender o Trabalho de Gurdjieff a pessoa tem que ter praticado vários tipos de exercícios, em certos casos até extenuantes senão não terá nem idéia do que é observação de si ou lembrança de si. Todas as pessoas acham que a sua compreensão é igual a dos outros, mas se esquecem que cada idéia contrária ou opinião própria significam que há níveis diferenciados de consciência e com isso, compreensão.
Digamos que num sítio onde há várias árvores frutíferas, piscina, etc, chegam 3 pessoas: um poeta, um arquiteto, uma criança. Depois de irem embora se perguntarmos o que viram cada um falará de acordo com a atenção que tem naquilo que lhes atraiu mais. Todos tem atenção normal que o mundo exige para uma existência comum. Mesmo que alguém vá até um local com a finalidade de por atenção em tudo que for possível, não terá atenção do grupo de Gurdjieff que tem como objetivo um aumento de consciência. O arquiteto colocará a sua atenção na construção; o poeta ouvirá o canto dos pássaros e nas árvores e achará tudo lindo e sossegado; a criança se lembrará das frutas e da piscina. Tudo se baseará fora da cabeça ou das emoções sem linha de retorno para se próprio, aí estará a diferença de uma atenção dirigida em duas setas: uma para fora e outra para dentro de si mesmo, com um observador em terceiro plano. Um homem do Trabalho de Gurdjieff saberá que para se ter um nível diferenciado superior a si mesmo terá que por para funcionar 3 centros simultaneamente a sua atenção terá que estar dirigida para fora e para dentro ao mesmo tempo.
 Uma pessoa está usando uma enxada, capinando e procurando sentir seu corpo e colocando sua atenção nos pontos que estão dentro de seu campo visual e na sua cabeça vêm opiniões sobre o acontecimento como forma de imaginações (vozes interiores): “Como está calor!”, “Como estou sofrendo!”, “O meu companheiro está enrolando!”, etc...Nessa situação esta pessoa apesar de estar sentindo calor e achar que está fazendo algo para si é uma pessoa comum, nada está fazendo ou quase nada para si mesmo.
Ele teria que além de estar fazendo o trabalho, estar com atenção não somente em seus movimentos, mas também no de seu companheiro ao seu lado, não para criticar com  o centro intelectual, mas para apenas olhar e saber o que está acontecendo com ele e com os outros. A sua atenção está em si mesmo e simultaneamente ao seu redor. Verá o que está acontecendo em seu interior, como fantasias em sua cabeça, vozes interiores, opiniões, idéias pré-concebidas, enfim, tudo o que apareça em sua cabeça e em seu sentimento formando sua falsa personalidade. No mesmo momento estará observando externamente se o que está fazendo está certo, bem feito ou errado, assim como sua atenção estará em todo o seu redor, se um companheiro ou amigo tiver alguma dificuldade e precisar de ajuda, estará ali antes de ser chamado ou solicitado, pois  estará presente tanto dentro de si como fora. Quando alguém for passar, não esperar pedir licença e ao ouvir algo estará sabendo o que está acontecendo. A partir desse fato, dentro de sua cabeça cessarão as vozes interiores e ele será apenas observador, podemos chamar isso de ESPREITA . Seus movimentos e sua atitude por fora serão normais de acordo com o que esteja fazendo e por dentro somente sensação e presença real do trabalho sobre si sem nenhuma forma de julgamento, pois não deixou lugar para isso.
Digamos que estamos conversando com alguém, ao escutarmos estaremos deixando aquilo que nos chega como sons entrar em nossos ouvidos, estaremos com atenção no assunto e na pessoa bem como circundantes. Ao mesmo tempo que estaremos observando o que sentimos no centro emocional e no centro instintivo como forma de sensação. Ao emitirmos nossas opiniões dentro do assunto, não deixaremos as manifestações emotivas evoluírem e assumirem a conversa, apenas o centro intelectual ( razão ), mesmo que ela seja contra aquilo que temos como personalidade ou opiniões que tenham, nossos eus que não são do Trabalho. Dessa forma veremos que a atenção normal está limitada externamente ou internamente por aquilo que chamamos de falsa personalidade, se esta pessoa não for do Trabalho de Gurdjieff.

Ao descer do ônibus, uma certa pessoa está fazendo exercício sentindo os pés, mãos e observa ao longe que um amigo se aproxima e vem um pensamento: “Ele vai falar sobre o jogo de ontem e eu não vou discordar dele em nenhum momento”. Ao dar um aperto de mão, notou a sua alegria ao se encontrarem e sentiu interiormente uma satisfação; quando o amigo começou a falar passou a sentir o seu próprio rosto ao entrar no assunto de futebol, se preparando para não ir contra a opinião dele. Durante o papo esquece do seu próprio rosto e passa a não senti-lo, o assunto entrou em contradição sobre o árbitro, um tenta provar para o outro que o árbitro é ladrão, trazendo vários argumentos anteriores sem nada conseguir. Percebe que o rosto começou a esquentar emotivamente mesmo relaxando o ombro e decidindo continuar se observando, a pulsação aumenta e em seguida o assunto se torna natural sem nenhum esforço de Trabalho. Imediatamente a pessoa volta a sentir o rosto e observar todos esses fatos, isto é uma constatação, ele pode ver nesse momento as pessoas que passam ao redor, crianças brincando, pássaros cantando e etc, voltando a estar presente e assim fica na condição de ESPREITADOR, seu destino volta, pelo seu próprio esforço, a ter uma direção dentro da imortalidade.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Os Cosmos

Para entendermos em qual local estamos e qual a nossa situação no Trabalho, devemos ter a idéia dos Cosmos. É muita pretensão das pessoas acharem que por um simples telescópio ou microscópio podem entender a formação daquilo que conhecem a respeito do Universo. Neste conjunto de tudo o que existe como conhecimento do homem comum, desde a sua “consciência” até a vida orgânica, astros, etc,. Perguntamos:  “Em que lugar se situa a Terra?”; “Tudo existe pelo simples motivo ocasional da compreensão científica?”; “Será que a percepção da existência da vida é unicamente humana?”; “E as perfeições da natureza orgânica, como explicar?”.
Para se ter uma ligeira idéia de como é o Universo temos que  ver e entender duas situações distintas: a) o homem como matéria perceptível cientificamente ; b) o outro como um ser psicológico que também é uma materialidade, desde a pedra  ao pensamento e sentimento. Neste ponto podemos tomar o homem como a semelhança de Deus, mas deve ser um homem completo com todos seus corpos.
Neste contexto geral não podemos dizer que exista apenas 1 Cosmo, mas sim 7 Cosmos como um todo.

     Protocosmo – Absoluto, mundo de 1 lei.
     Ayocosmo – Todos os mundos, mundo de 3 leis
MI      Macrocosmo – Todas as galáxias incluindo  a Via – Láctea, mundo de 6 leis
             Intervalo de semitom, necessidade de um choque.
    4º Deuterocosmo – Todos os sóis incluindo o Sol, mundo de 12 leis.
SOL    Mesocosmo – Todos os planetas incluindo o Planeta Terra, mundo de 24 leis.
    6º Tritocosmo – A vida orgânica na terra incluindo o homem , mundo de 48 leis.
SI        Microcosmo – Todos os átomos, mundo de 3 leis.
            Intervalo de semitom, necessidade de um choque.
   8º Protocosmos – Absoluto, mundo de 1 lei, volta ao início.

A idéia de Cosmos é ligada ao Raio de Criação e se tentarmos entender as limitações de nossa compreensão, temos que minimizar tudo ao nosso nível de consciência e não esquecer duas coisas: a materialidade e a vibração. Quanto mais baixo o nível de materialidade mais vibração, quanto mais alta a materialidade mais baixa a vibração.
Um Cosmo se manifesta em outro superior ao seu próprio e também noutro inferior para se completar e dar continuidade e equilíbrio geral no Universo.
O homem vive no Tritocosmo e é limitado na sua vida comum do corpo denso, dentro de 48 leis. Vamos dizer que ao olharmos numa noite as estrelas, planetas, Lua no céu e sentindo a brisa noturna, estamos no Tritocosmo. Não temos idéia do Microcosmo (inferior a nossa situação) e do Mesocosmo (superior a nossa situação), mas no momento de percepção (miração) e visão espiritual passamos a ver em parte outra realidade, outro Cosmo, superior ou inferior (Microcosmo). Somente passaremos a atuar neles se tivermos veículo para se manifestar nesse Cosmo (2º Corpo - Astral).
O Protocosmo, ou 1º Cosmo: é o Absoluto. É a matéria de mais alta vibração existente. É a mais fina e sutil. Se nosso mais alto sentimento e pensamento dos centros superiores são H6, este, está três escalas abaixo (tríade) do 1º Cosmo, sendo acessível apenas ao homem número 7.
O Ayocosmo, ou  2º Cosmo é onde se manifesta a vontade e imaginação criadora do Absoluto. Está sob 3 leis. Se falarmos de materialidade, é a união do 2º mais alto nível de vibração com o mais baixo existente nos Cosmos. Seria tudo o que existe dentro de nossa compreensão e além dela. Não que tenha a matéria mais grosseira do universo, mas sim que está dentro, formando toda a matéria existente, sem contudo ser ela. Se quisermos analisar dentro da nossa compreensão, a sua parte negativa seria o Vácuo, a parte positiva o Átomo ou o movimento,e a neutralizante a percepção da matéria manifestada como cor e sons (concreto e abstrato).
O Macrocosmo, ou 3º Cosmo.: podemos dizer que é a Via-Láctea e nosso representante, o Sol, dentro dela junto com as outras estrelas que estão sob 6 Leis juntas.
O Deuterocosmo, ou 4º Cosmo: seria o nosso Sol ( Deus ), que nós olhando aqui da Terra não, percebemos o seu tamanho, apenas a sua manifestação mais grosseira como: forma, calor, irradiação, etc. O seu corpo que se manifesta dentro das 12 Leis, tem um tamanho incomensurável para nossa compreensão e podemos dizer que estamos dentro do seu corpo, que passa por nós “Planetas” e vai se intercalar nas próximas estrelas que nos rodeiam, para formar um outro ser.
O Mesocosmo, ou 5º Cosmo: é a matéria refinada que forma os planetas (Marte, Vênus, Terra, etc...). Não podemos confundir com a sua forma física visível astronomicamente (telescópio), pois os planetas são seres em evolução e eles juntos formam um outro ser dentro do Sol, com uma matéria que está sob 24 Leis.
O Tritocosmo, ou 6º Cosmo: é a vida orgânica sob a Terra e o homem como seu representante. Estamos sob 48 Leis ou forças e a Lua com 96 Leis, agregada a Terra.
O Microcosmo, ou 7o Cosmo.: é o mundo atômico que está sob 3 Leis. Depois dele vem novamente o Absoluto, formando então uma Oitava completa no Raio de Criação.
OBS: A teoria atômica atualmente está apenas iniciando, pois ainda desconhece a eletricidade, gravidade e luz.
Se compararmos um homem na cosmologia, podemos dizer que o átomo do seu corpo está sob 3 Leis, seu corpo físico sob 48 Leis e as moléculas ( ferro, cálcio, etc  ) conhecidas pela ciência comum estão sob 96 Leis, assim como a Lua.
O 2º Corpo, o Astral, tem sua materialidade igual a dos planetas, está sob 24 Leis e o corpo denso, 48 Leis.
O 3º Corpo, o Mental, está com uma matéria bem mais refinada sob 12 Leis.
O 4º Corpo, o Divino, está sob 6 Leis, igual ao das estrelas.
Se olharmos o Sol daqui da Terra, ele tem o mesmo tamanho da Lua, visualmente falando, e sua influência orgânica aqui na Terra é equiparada com a Lua, mas sabemos que ele é mais de 1.300.000 vezes maior que a Terra, e a Lua é menor que a Terra. Somente pela distância é que se equiparam os 3 astros: Sol, Terra e Lua; e este fator os planetas se equiparam às estrelas, como da mesma forma influenciam a vida humana na Terra. Podemos dizer que para influenciar sem desequilibrar, teriam que ter essa distância. Se o Sol ficasse mais perto, o veríamos maior e a vida orgânica seria impossível na Terra e se a Lua estivesse na distância do sol, nós nem a veríamos, a sua existência seria nula.
Não podemos esquecer de que o fator distância e sua influência sobre nós atuam em todos os sentidos, tanto entre os astros como entre as pessoas.
O nosso corpo físico (48 Leis) está junto com nossos pensamentos e sentimentos comuns (24 Leis), o mesmo do corpo Astral; enquanto o Intelectual Superior e o Emocional Superior estão sob 12 Leis (a mesma do Sol), que é a mesma matéria o 3º Corpo (Mental). O 4º Corpo (Divino) está sob 6 Leis, as mesmas Leis das estrelas.

1º Corpo, Denso – 48 Leis ( Vida orgânica )
2º Corpo, Astral – 24 Leis ( Planeta Terra )
3º Corpo, Mental – 12 Leis ( Sol )
4º Corpo, Divino – 6 Leis ( Via Láctea )
OBS: Não podemos esquecer que  a materialidade conhecida por nós está na terceira tríade da escala dos Hidrogênios.
Todos os Cosmos são materiais ( do mais refinado ao mais grosseiro ), apenas as suas manifestações sob a forma de Hidrogênio é que limitam o número de Leis que o compõem. (06/12/2000)