segunda-feira, 15 de setembro de 2014

MENTIRAS




Normalmente conhecemos como mentira algo que uma pessoa fala e que não é real ou que não está acontecendo. No Trabalho de Gurdjieff a mentira significa dormir, pois a pessoa não sabe nem conhece sua situação interior em relação a situação exterior.
Quando falamos que vamos fazer algo e não contamos com as dificuldades, não sabemos o que está acontecendo, nem o que vai acontecer. Com a observação de si contínua começamos não somente a perceber o que acontece com nosso interior, mas o que vai acontecer por nossa ação. Para um homem saber seu futuro tem que conhecer seu presente; reconhecer que não tem certas capacidades e se preparar para tê-las um dia.
Existe atuação e mentira. Vamos dizer que uma pessoa esteja insistindo para que participemos de uma festa, mas no nosso interior sabemos que não vamos. Podemos falar o que a pessoa quer escutar, pois uma pessoa dormindo não percebe entre o real e o ilusório. Tanto faz você ir como não ir, é a mesma coisa.
O contrário também pode acontecer: a pessoa pensa que pode ir e não conta com todos os acontecimentos que podem impedir sua ida à festa. Uma pessoa comum, quando depara-se com algo contrário, simplesmente deixa de fazer o que se propôs a executar. Se por um acaso ela se observar vai perceber seu erro e notar que aquilo que diz não é o que faz e que ela tanto engana externamente o outro como mente para si mesma. É um joguete da vida, tudo lhe acontece, nada é como ela pensa e as coisas vão se sucedendo fora de seu controle. 
Se uma pessoa do Trabalho de Gurdjieff se decidir a cumprir o que falou, custe o que custar, algo dentro de si irá se fortalecer. Sua palavra estará em equilíbrio, significando que seu CI (o que pensou), seu CE (o que sentiu) e seu CM (o que fez) estão agindo em harmonia. Este homem é equilibrado e terá em sua vida um pouco mais de Consciência de si do que outro homem que fala o que não é real. 
Isto também estará ligado ao seu CE com sentimentos que pensa ter e não tem. Digamos que uma pessoa goste de um filho, ou um grupo venere uma pessoa que lhe ensina algo ou uma pessoa se diga amiga da outra. Enquanto estas pessoas estiverem recebendo o que esperam, tudo correrá normalmente. No momento que surgir algo contrário ao que se espera, haverá mil motivos para essas pessoas deixarem de prosseguir naquilo que fantasiavam sobre a realidade de suas próprias vidas. Estas pessoas estavam se enganando sobre a realidade em que viviam.
É o caso de um homem achar que corre tanto quanto um cavalo (fantasia) e inicia ao lado do cavalo uma disparada. Em seguida começa a ficar para trás e cada vez mais aumenta a distância. Somente acompanhará o corcel, um outro corcel, e o resto é fantasia.
Em muitas situações devemos não somente observar o momento do acontecimento de algo sentindo o corpo como também os pensamentos de nossa cabeça quando começamos a justificar algo que não tivemos capacidade de fazer. Como não enxergamos nossas limitações, quando justificamos é uma fraqueza.
Isto não somente está ligado ao falar, sentir, como também, por nossos gostos pessoais. Uma pessoa gosta de um tipo de roupa e sempre a utiliza e quando precisa mudá-la acha dificuldade com muitas justificativas que a sua cabeça acredita serem verdadeiras e continuará a ser assim por um longo tempo. Para esta pessoa ver o que está acontecendo, terá que sacrificar seus gostos pessoais para poder se observar, mas somente se conseguir se livrar desse sonho do “gosto assim”, “quero assim”, “é meu jeito, sou assim” a justificativa do sono Assim.
Sempre que algo dentro de nós justifica com “Eu faço assim” é porque algo deve ser corrigido por meio de uma observação mais imparcial sobre a própria situação. A liberdade de uma pessoa é fazer o melhor para si para se manter acordada ou evitar que durma e na maioria dos casos é necessário duvidar de sua razão e começar a observar seus próprios gostos e atitudes. Se num determinado momento você precisa se passar por caipira, você deve ser o mais perfeito caipira e quando você tiver necessidade de passar por um grande intelectual, você deve ter esta capacidade. Somente nesta situação você estará livre das identificações de sua própria prisão de costumes adquiridos durante sua vida.
A observação de si é uma forma de se adquirir consciência sem interferir naquilo que se vê, mas também não aceitá-lo como algo definitivo.
O que hoje somos pode amanhã não ser nada do que fomos e até mesmo nem haver lembranças dos nossos gostos e costumes de outrora. Mas essa mudança não é radical nem intelectual, é adquirida através de uma observação de si constante, sem defesa de nossas mecanicidades do momento.


domingo, 7 de setembro de 2014

O QUE É ACORDAR?


No Trabalho de Gurdjieff quase não usamos o termo “Acordar”, pois o nosso objetivo é exatamente alcançar isto e se por um acaso, acharmos que estamos acordados, é um engano, pois esta condição tem níveis diferentes em cada situação de nossa vida. É fácil para uma pessoa que esteja a um bom tempo fazendo um trabalho de grupo entender o que digo, mas uma pessoa que  nunca fez exercícios de Gurdjieff ou que fez por pouco tempo pode se enganar e achar que está acordada ou com nível de consciência acima do estado de vigília.
Muitas pessoa que chegam ao grupo me dizem que já conhecem estes exercícios de sensação do corpo e que em muitas situações já fizeram e sentiram o que praticamos. O interessante é que no momento que estão falando comigo, não estão fazendo nada para estarem presentes, e mesmo numa situação de movimentos ou Mokuso, elas encontram grandes dificuldades em fazer os exercícios. Mas mesmo assim acham que estão fazendo e dizem que entenderam o que está se passando em apenas algumas reuniões. 
Estas mesmas pessoas, após alguns meses ou anos começam a perceber durante os exercícios que raramente estão presentes e sua atenção é limitada, restrita a pequenos afazeres e que diante de si existem várias situações que elas não enxergam e nem fazem absolutamente nada que deveriam fazer em relação a atenção que deveriam ter em muitas ocasiões. Mesmo sentindo o corpo e querendo estar com o máximo de atenção, existe uma limitação da própria pessoa, pois seu corpo de CS ainda está em formação. 
Isto é mais evidente quando o grupo está reunido e todos tem a finalidade de acordar e permanecer nesta condição de atenção. A todo momento vemos que o esforço dentro do grupo é difícil de se manter em um nível desejado. Agora pergunto: E quando estamos longe um do outro, junto de pessoas que dormem e acham que estão acordadas e que acham que sabem o que fazer, como fica a situação de alguém que está no trabalho? É fácil de se perceber que a pessoa procura estar presente, mesmo que parcialmente. E cada esforço que fazemos é uma soma para o acúmulo da consciência que dia a dia pode aumentar, até se tornar Consciência de Si.
Dentre os vários  Eus  que temos dentro de nós cada eu representa uma força e a soma deles produz o que somos na vida. Uma pessoa que está no trabalho de Gurdjieff e se considera firme, que nada o abalará, que seu objetivo é ser imortal etc. desconhece que existem  a  força dos Eus que não estão no trabalho. Somente a própria pessoa tem capacidade de ver e saber de sua existência, mas quando vê um pouco foge e procura justificar seus gostos e até sua compreensão limitada.
Alguém está no Trabalho de Gurdjieff porque ainda não apareceu algum tipo de tentação que o tire do trabalho. Pode ser algum emprego cuja remuneração é boa mas o impedirá de participar das reuniões. Como também algum curso da área que a pessoa dê mais valor do que sua própria evolução. O seu C.G. não é do trabalho sobre si e os Eus que estavam adormecidos, podem acordar de repente e ficar até furioso se alguém discordar. Com essas pessoas devemos não tentar mostrar a ilusão em que estão metidas, mas nos afastarmos das ideias delas e observar de longe, sem tentar mudá-las.
Elas não são do trabalho, estavam no Trabalho de Gurdjieff. Quando alguém dentro de si mesmo pode se considerar do trabalho, é pelo simples motivo de que descartaria tudo em sua vida para a evolução. Seu centro magnético existe e o restante em sua vida está ao redor, começando com a família, serviços etc, o FDS não lhe atinge.
Uma pessoa pode passar alguns anos sem que apareça uma oportunidade tentadora, mas quando aparece ela não tem dúvidas, sua vida é aquilo. Então, quando pede opinião a alguém, já está decidida a prosseguir em seu real objetivo que acaba sendo outras três forças negativas que retiram a maioria das pessoas do Trabalho de Gurdjieff. O acordar passa a 2º plano e seu sono vira acolhedor e gostoso.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Pensamento e Sentimento

O homem é como uma máquina que possui três cérebros. Ele se engana quando julga a si mesmo com base naquilo que pensa ou sente, pois estes raramente acontecem. Normalmente, dentro da  cabeça do homem, existe 80% de fantasia e 20% de distração, e quando lhe é solicitado um pensamento, ele se atrapalha e não sabe o que fazer, dando uma desculpa. Vamos dar um exemplo: uma pessoa está esperando um ônibus no ponto. Dentro de sua cabeça ele está fantasiando o que vai fazer quando chegar no serviço, pois nada daquilo realmente vai acontecer. As circunstâncias vão acontecendo e dentro de suas próprias fantasias ele vai agindo de acordo com as consequências de fatores externos que o conduzem a cumprimentar pessoas, sentar no seu serviço, comer,  até voltar para casa, sem necessidade nenhuma de esforço do centro intelectual e muito menos do emocional. Não querendo dizer que estes centros não estão funcionando. Eles estão, mas de forma completamente mecânica e sem objetivos conscientes. Ao se lembrar que tem que pegar uma caneta para escrever, simplesmente levanta e vai pegar, e se encontrar um amigo no caminho, sorrirá e passará por ele sem nenhuma atenção, não há necessidade disso. Se ele passar por uma pessoa que não goste, fingirá que não a vê, e dentro de seus sentimentos tudo mecanicamente continua acontecendo, e assim a vida vai passando.
Nós temos que nos observar para perceber que os nossos sentimentos existem por si, não dependem de nada em nosso interior para a sua existência, mas para termos possibilidade de um dia ter um sentimento superior (amor), temos que primeiro nos observar e saber que tanto nossas fantasias na cabeça quanto os nossos sentimentos no corpo não dependem de nossa vontade e sim dos acontecimentos externos que podem ser mudados por qualquer fator simples. Num momento gostamos de uma pessoa e no momento seguinte podemos passar a odiá-la. Esses sentimentos são puramente mecânicos e de um nível baixo de hidrogênio.
Fomos feitos para usar os hidrogênios superiores porém o sentimento, por ser mais antigo, nos domina em situações de raiva e fantasias sentimentais, pois confundimos o desejo de ter com o gostar. Quando sentimos apego por um filho, neto ou parente, não devemos esquecer que este tipo de sentimento é de hidrogênios inferiores e pode ser mudado a qualquer momento. Observando o comportamento das pessoas, veremos que os sentimentos mudam de acordo com os eus, mas algo se conserva prendendo as pessoas em laços de sofrimento por fantasiarem que são obrigadas a gostar desta ou daquela pessoa, esquecendo que existem outras milhares de pessoas que podem entrar em contato conosco e termos exatamente o mesmo sentimento, não querendo dizer com isso que gostamos mais desta ou daquela e sim que temos um tipo de sentimento dentro de nós.
Ao fazermos carinho em alguém, devemos simplesmente sentir, sem fantasiar, apenas observar e ver a satisfação daquele ato ou não, sem nenhuma exigência. A partir daí o relacionamento entre duas ou mais pessoas pode aumentar de nível pois não dependerá de fatores externos para sua existência e sim de uma condição de compreensão que é o nível de consciência. Quanto mais alto for o nível de consciência, menos emoções negativas se manifestarão em sua vida. 
Uma pessoa pode receber um tipo de influência no centro intelectual através de vozes de eus e não manifestá-la, fingir que ela não existe. Se isso não for observado jamais mudará. Nós devemos em nosso trabalho, separar o que nós sentimos daquilo que entendemos, pois procurar uma explicação para um sentimento não é possível, porque um centro não fala a mesma linguagem do outro. Vamos dizer que em nossa cabeça achamos que uma pessoa é nossa amiga pois, a muitos anos que a conhecemos e se criou uma história em torno daquele relacionamento. Isto não significa que temos um sentimento superior em relação a uma outra pessoa que conhecemos a poucos dias, pois o sentimento é muito complexo em seu funcionamento, e não depende somente de uma observação.
Há três fatores iniciais no sentimento:

·        DESTINO: este é um relacionamento anterior ao próprio nascimento, é como uma recordação de um passado que não sabemos qual foi, mas que existe e isso nem sempre é recíproco. Quando acontece de ser recíproco é por que há necessidade de continuidade de sentimentos independente das pessoas. Exatamente igual quando existe um sentimento de animosidade. A animosidade são fatos que aconteceram muito antes do nascimento, podendo ser até três a quatro encarnações anteriores. Por esse motivo devemos combatê-la ferozmente para encerrar esta etapa da evolução. Este é um dos motivos pelos quais Jesus disse : “Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Pois até os pecadores amam os que os amam. Se fizerdes o bem a quem faz-lhe o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isto. E se emprestais àqueles de quem esperas receber, qual é a tua recompensa ? Amai porém os vossos inimigos.”
·        NORMALIDADE: Normalmente, nós temos um sentimento de desconfiança para com a maioria das pessoas. Ao conhecê-las ficamos com o pé atrás, esperando algo de mal, até que a pessoa prove o contrário, se apresentando dentro daqueles esquemas que chamamos de bom amigo, que nada mais é do que a exigência de que a pessoa fique na linha para ter nossa amizade, o que é falso e interesseiro, num nível baixo de sentimento. Esse tipo de sentimento é comum a qualquer homem normal na consciência de sono desperto. Na verdade, quando se tem uma “boa amizade” ao longo do tempo, significa que a pessoa possui os mesmos defeitos da outra e que os admira e os conserva como se fossem boas atitudes. Tem pessoas que por ter um sentimento irascível, também conhecidas como rabugentas, acabam na velhice levando um cachorrinho para a praia, pois é o único ser vivo que consegue aguentá-las, pois somente fica agradando, obedecendo e esperando carinho na hora que ela quer dar. O cachorro é um animal dos mais puxa sacos que existem na natureza, e quem gosta de cachorro gosta de ter o saco puxado, pois mesmo apanhando vem com o rabo entre as pernas pedindo mais carinho. Normalmente todos gostariam que os amigos fossem assim. Nós que estamos trabalhando para o conhecimento desta máquina em relação ao tipo de sentimento que temos devemos tomar muito cuidado, pois raramente temos algum tipo de sentimento superior. Devemos portanto, imparcialmente, observar este sentimento que sai de uma mesma fonte e um mesmo tipo de hidrogênio, tanto o que sentimos em relação aos parentes próximos até os que discordam de nossa atitude, como patrões, vizinhos e etc. A maioria dos nossos sentimentos é baseada no sentimento mesquinho de ficar tudo bem. Um empregado bem pago, mesmo sendo mal tratado não se queixa de seu patrão, mas sabe que não gosta dele e ao fingir está dormindo pois tudo está acontecendo como se fosse chuva ou vento. Ao sentirmos uma atração, um desejo de querer agradar alguém não devemos impedir, mas sentir o corpo, olhar a pessoa e pensar: por quê sinto isso somente por essa pessoa, por quê por esse outro não sinto o mesmo, e ao abraçar o outro, devemos também procurar fazer a mesma pergunta. O toque físico é uma maneira eficaz de um equilíbrio sentimental, por esse motivo, casais que possuem algum relacionamento íntimo e ainda assim não possuem algo de sentimento mais elevado estão se masturbando com o corpo do outro e não sentindo o corpo do companheiro ou da companheira. Se cada vez que damos a mão a uma pessoa ou um abraço, dermos uma parada interior e sentirmos o nosso corpo, passaremos a sentir o corpo da pessoa também. Por esse motivo há sempre um toque leve de preocupação quando pessoas de polos contrários se abraçam, pois as pessoas não procuram entender este tipo puro de sentimento, podendo até se tornar ofensivo ou obrigatório nos casos comuns.
Fruto de um esforço pessoal na direção da consciência, é o HOMEM LADINO, que tanto pega a cobra pelo rabo como a pomba pelo pescoço, e triturará os dois quando for necessário sem deixar a pomba voar ou a cobra picar. Isto que dizer que: se eu souber que alguém não gosta de dar carona eu não vou pedir carona, se eu souber que alguém gosta de fazer comida gostosa, eu peço para alguém fazer comida gostosa. Não devemos exigir, com sentimento de nível baixo, que as pessoas sejam iguais as melhores partes que nós temos.
No trabalho, aquilo que falamos devemos sentir e seguir, pois um dia nossa palavra estará dentro de uma força que o que dissermos poderá acontecer. Portanto, devemos treinar e observar, para ao falarmos, seguirmos o que foi dito, pois este também é um nível de consciência que o homem do trabalho deve alcançar, conhecido na vida comum como homem de palavra, mesmo que para este fim precisemos sacrificar até nossa própria vida. 
Ao verificarmos que a mecanicidade da vida vem sorrateiramente, disfarçadamente nos atingindo, devemos combatê-la, contrariá-la para que os eus do trabalho se fortaleçam, ou para sermos capazes de  diferenciar uma real necessidade de um ato mecânico. Como raramente pensamos, os frutos das vozes de nossa cabeça são acúmulos de pequenos sentimentos errados que constroem as personalidades diversas de nossos eus, e que nos retiram as possibilidades de um real sentimento. Sempre dizemos: gosto assim, sou assim, acho melhor assim, tudo isso não é fruto da consciência pois como nós sabemos, a consciência é sempre de um nível de compreensão que não gera dúvidas, nem contrariedades nas decisões que devemos tomar em nossa vida. Sempre é boa.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Mudança de Grau

 

Geralmente, as pessoas que estão no Trabalho de G. questionam sobre o que devem mudar nelas mesmas.
O Trabalho não exige nem pede nada neste sentido. O comportamento das pessoas de fora do Trabalho tem a mudança como um tipo de melhoria, mas nós não buscamos mudar nada, nem em nós mesmos nem nas outras pessoas.
O quarto caminho é um trabalho sobre si mesmo, interior e não exterior. O que aparece exteriormente é apenas uma pequena parte, um simples reflexo daquilo que estamos fazendo dentro de nós mesmos. Por este motivo não há desculpas para que alguma coisa esteja atrapalhando o nosso sistema de observações pois o objetivo não é mudar nada, visto que não sabemos o que é melhor numa determinada mudança de hábito, como por exemplo : comer muito, fumar, dormir mais de oito horas, etc.
Ao despertar de manhã já temos uma oportunidade de fazer a observação sobre nós mesmos, desde a nossa fantasia dentro da cabeça até a sensação do despertar e ao se locomover para sair da cama já se pode iniciar os exercícios que conhecemos. A soma dos exercícios nada mais é do que essa forma de se usar o conhecimento deles em momentos oportunos, desde os passos que damos até os movimentos que fazemos ou mesmo durante uma conversa ou a sentarmos diante de uma tv.
Se dermos um grau para cada tipo de esforço, podemos dizer que essa pessoa é
  • 1º grau quando faz os exercícios esporadicamente, quando se lembra dele em determinado momento, mas pode apenas lembrar do exercício e não fazê-lo.
  • 2º grau é quando toda vez que lembrar dele conseguir fazê-lo durante o dia.
  • 3º grau será a pessoa que não passa um dia sem fazer um tipo de exercício.
  • 4º e 5º grau consegue fazer os exercícios várias vezes ao dia.
  • 6º e 7º  grau podemos dizer que é a pessoa que raramente fica sem fazer os exercícios durante um dia, desde a hora que levanta até adormecer.
           
Existem até 18 graus a nível de trabalho sobre si, e cada um deles é um tipo de capacidade que a pessoa possui. Até o sétimo grau é apenas esforço externo com os exercícios e a partir do oitavo é um trabalho a nível de observação e atitude fora dessa realidade comum a todos. O décimo oitavo grau já possui o segundo corpo que é o astral. Este grau é também conhecido como grau Cavaleiro rosa-cruz  e nós chamaremos de grau de Rosa, que é o homem com a consciência de si cristalizada.
Os exercícios nos proporcionam uma quantidade de energia que se transforma em consciência e quanto mais tempo dedicamos aos exercícios, mais consciência adquirimos. A medida do nível de compreensão e a quantidade de esforço do Trabalho são indicadas pela dedicação na prática do dia a dia, com a quantidade de energia armazenada. Esse tipo de esforço que se transforma em consciência, ajuda a pessoa a Ter força para a continuidade do trabalho sobre si e a leva a se manter desperta em situações adversas que antes de se ter um pouco mais de consciência ela não teria forças para se auto observar. Isto não somente permanece em qualquer momento da vida diária, como também na realidade do mundo dos sonhos,  ou do mundo astral, indicando que o grau é também o nível de ser do homem do trabalho.
Os exercícios que fazemos ou aqueles que não conseguimos fazer, mesmo tentando ou os momentos que flagramos nossas fraquezas, isto é, aquilo que achamos sermos capazes mas, na hora constatamos que não somos capazes, podemos considerar estes momentos como um despertar para a realidade do sonho em que vivíamos,  quando tudo que hoje temos como compreensão é também consciência de si.
É fácil entendermos o que é consciência se usarmos comparações de atitudes de pessoas entre si, tanto durante um esforço coletivo de trabalho, como também fora de nossas atividades. Vou dar um exemplo que aconteceu comigo e as pessoas que me cercam desde alunos, família e amigos: há anos atrás como era a minha vida? Na hora do almoço bebia uma caipirinha ou cerveja e após a refeição um licor e assim foi durante anos em minha vida normal. Até que, observando imparcialmente, comecei a estudar o que é melhor para minha vida e deixar de lado a bebida alcoólica, a hipocrisia e fetiches de fingimento de amigos e familiares, e etc.
Comecei a me dedicar inteiramente ao Trabalho, e o mundo de fora dele começou a me achar estranho, anti-social e etc, exigindo minha presença e apoio, para a vida de ilusões e sonhos em que vivem. O acordar passou a ser uma ofensa para a vida deles e assim pude verificar que o nosso comportamento é totalmente diferente daqueles que não querem o trabalho e não pensam que estão dormindo.
Por isso digo que o trabalho é um esforço daquele que caminha só, pois os amigos que estão no trabalho lutam contra a força colossal do mundo, que existe para nos fazer dormir. Somente queremos controlar e traçar nosso próprio destino e não caminhar para o sono da vida comum. Despertar, acordar, para o destino do homem completo, com todos os corpos que seja capaz de formar com seu próprio esforço, junto daqueles que possuem o mesmo objetivo, que é conhecer a máquina que possuímos (corpo) para poder usá-la como armazenadora de energia superior.

 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

SER ÚTIL



Num grupo há três formas de ser útil para o grupo existir por um tempo desejável até alcançar a sua meta.
Primeiramente as pessoas do grupo devem ser úteis a elas mesmas. Aceitando que sua atual condição não é boa, nem desejável, e que a maneira que estão vivendo pode mudar. Em outras palavras: que seu nível de consciência pode melhorar. Se alguém entra no grupo de Trabalho de Gurdjieff achando que o que sabe é certo ou suficiente, não está querendo mudar nada em si. Com sua condição interior está satisfeita. Caso contrário, se a pessoa acha que nada sabe a respeito de si mesma, se não está satisfeita com suas distrações, tensões, nervosismos, ideias pessoais... e que tudo isso pode mudar, então essa pessoa tem chances de trabalhar sobre si mesma. Esta pessoa é útil tanto para o grupo como para a vida comum. Nessa situação, os exercícios que se passam para ela são executados e seu interesse pode ser observado pelo esforço que esta pessoa faz sobre si mesma.
A segunda forma de utilidade no Trabalho é a utilidade que a pessoa pode ter para o dirigente do grupo. A pessoa pode não fazer um esforço para mudar a si mesma, mas faz tudo para que o grupo continue a existir e para isso serve ao dirigente, que é responsável pelo grupo. O trabalho dessa pessoa com o tempo passará a ser para si mesma, pois ela passou a trabalhar na segunda linha de trabalho, que é para os outros, antes de trabalhar para si.
O terceiro tipo de pessoa não é útil para o grupo e inicialmente pode até parecer útil e dedicada, mas na realidade a pessoa somente quer algo da vida material e nada de mudança interior. A mudança que a pessoa procura é externa, aparente, e quando ela alcança o que quer como carro, casamento, namorado, dinheiro, deixa de pertencer ao grupo. 
Como somos vários eus em diversas situações, devemos sempre observar qual é o direcionamento que damos a nossa conduta interna para uma mudança em nossa consciência. Todos devem fazer algo para que o grupo exista. Cada tarefa deve ser executada, não por obrigação ou dever, como é feito na vida fora do trabalho de Gurdjieff. Digamos que uma pessoa tenha sido designada para datilografar um texto e outra para distribuir esses textos depois de datilografados. Na vida comum o texto somente será distribuído se o datilógrafo fizer primeiro. Aqui, no nosso grupo, não se deve fazer isso. Se o datilógrafo não fizer sua função, aquele que terá que distribuir, terá que ver e fazer o trabalho do outro, pois ele não está trabalhando para o outro e sim para si mesmo e para o grupo. 
Podem ainda haver outras situações. A pessoa designada para datilografar não faz nada, a que tem que distribuir fica esperando e também não faz nada. Uma terceira olha e fala mal dizendo que nenhum deles quer nada com suas obrigações e o quarto que nada tem a ver com isso pega, datilografa e distribui. Este está no Trabalho, os outros três são apenas comuns e não percebem a meta do grupo e nem o seu próprio objetivo no Trabalho. Uma outra coisa também pode acontecer: nenhuma pessoa do grupo se interessa pelo que o dirigente do grupo determinou a fazer. O dirigente então pode datilografar, distribuir e etc... Isto quer dizer que o nível do grupo é baixo, são iniciantes e nem estão na primeira linha de trabalho que é sobre si mesmos.
Fora do Trabalho, os dirigentes têm que exigir que seus subordinados façam seus gostos para que ele alcance seu objetivo e sua meta. Aqui entre nós é totalmente diferente. Os objetivos de cada participante devem ajudar o dirigente a alcançar a sua própria meta, que deve ser evoluir, acordar. Se os participantes evoluírem juntos acompanharão o dirigente através dos anos, caso contrário serão usados e descartados para dar treinamento e conhecimento para o dirigente transmitir para quem realmente se interessa pelo Trabalho.
Em outras palavras, ou o grupo evolui na consciência e nos atos juntos, ou é apenas usado para  quem se interessar em aprender com os erros daqueles que não se esforçaram. Num grupo de Gurdjieff, tudo é útil.  Tanto os que fazem esforço como os que são usados pelos outros. A escolha é pessoal e interior. É como o exemplo da árvore, é necessário haver raiz, caule, folhas, para que haja frutos. A raiz são aqueles que trabalham para o grupo sem aparecer, o caule são os que sustentam o grupo com dinheiro, casa, local, etc. As folhas são aqueles que entram no grupo e saem em seguida por qualquer motivo e o fruto é a meta que se está alcançando com o esforço pessoal de cada um. 
Num grupo de Trabalho não deve haver exigência de atitude, cada um deve ser útil para si mesmo e quanto maior a compreensão mais útil é a pessoa para o grupo. Não devemos nos esquecer disso. A cada momento de observação de si, devemos ver o que representamos para o grupo e o que estamos fazendo para nós mesmos. Que valor tem o Trabalho nesses dois contextos. Minha evolução e a necessidade de existência do grupo. 
A disponibilidade é o nível de consciência que está ligado ao destino de cada um. A pessoa muitas vezes acha que não faz algo pelo grupo, porque ela não quer. Isso é um erro, pois nessa situação é exatamente o contrário. A pessoa não faz porque não consegue, sua capacidade de execução de uma tarefa é limitada pelos seus desejos de auto-agradecimento e reconhecimento exterior, tudo acontece para essa pessoa. Nada vem de si mesmo mas ela se ilude achando que não faz porque não quer, ou não deve, e assim passamos a vida nos iludindo achando que estamos acordados, sem percebermos o tanto que ainda falta para acordar.

(18/10/2000) 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A Força do Trabalho


Um grupo se reúne com a finalidade de trabalhar para o aumento de consciência. A pessoa que pertença a este grupo sente e percebe que seu nível de consciência pode ser mudado. Após alguns esforços sobre nós mesmos, começamos a perceber nossas mecanicidades, fatos emocionais negativos, distrações em geral. Enfim, tudo que nos faz dormir. E neste processo de auto observação, diferenciamos os vários eus da personalidade negativa, que em determinado momento se apresentam com a força total de identificação e não temos nenhuma possibilidade de muda-los, pelo menos no momento de sua manifestação. Mesmo nestes momentos, podemos observa-los e por trás disso esperar passar o fato que o fortalece. Se estivermos com raiva, ou alegres, os dois são as mesmas forças que nos enfraquecem, se não estivermos com a devida atenção. Mas a raiva é de maior intensidade. Isto quer dizer que a raiva nos enfraquece, nos levando ao mais baixo nível de sono.
Quando estivermos fazendo qualquer serviço ou mesmo numa conversa com amigos, ou assistindo a um filme, se nos observarmos veremos que além dos fatos externos, existem fatos internos como vozes interiores, sentimentos, relacionados aos acontecimentos externos. Temos que colocar atenção em duas partes simultaneamente: dentro de nós e fora de nós.
Vamos dizer que uma pessoa esteja falando um assunto que não seja verdade a nosso respeito. Aquele assunto começa a nos atingir emocionalmente e imediatamente as vozes interiores iniciam um debate sobre a razão e o erro da pessoa em relação a nós.
Para podermos entender o que está acontecendo temos que primeiro ter a base em nosso corpo  isto é, relaxar e sentir o que pudermos: rosto, pernas, braços ou, se for possível, todo o corpo. Nesta situação, olhamos a pessoa que está falando ao mesmo tempo que nos observamos, não deixando que as vozes interiores interfiram no assunto, pois se deixarmos as vozes que pensamos ser nós falarem, dar qualquer opinião naquela hora, paramos de ver e nos identificamos com o acontecimento. Devemos ter esse momento como hora de combate entre nossas mecanicidades e o fato que está se desenrolando. Se conseguirmos manter nossa atenção nesses dois sentidos, os fatos que acontecem exteriormente não nos atingirão, apenas serão observados de fora imparcialmente. O que decorre exteriormente é apenas um filme que não poderá entrar no nosso interior. E se somos obrigados a agir ou a falar, tudo acontecerá dentro do nosso controle, sem emoção negativa. Se conseguirmos nos manter nesta situação, estaremos mais acordados, com mais luz.
Vamos dizer que por um momento de distração a emoção negativa assume o controle deste centro. Procuramos imediatamente relaxar o rosto, soltar a tensão dos ombros, olhar as pessoas e ao falarmos não nos defender, e até procurar “dar razão” a pessoa que nos ataca, dando mais fatos sobre o que ela fala, para que ela continue sem controle e nós possamos observar primeiro nós mesmos, depois reverter a situação e elogiar a pessoa que nos ataca pois como ela está dormindo, somente conseguiremos atacar se estivermos também dormindo.
Uma pessoa que dorme não sabe o que está acontecendo ao seu redor, muito menos com ela e quanto mais profundo for o seu sono, mais identificada ficará com os acontecimentos. Para não entrarmos nessa situação de sono profundo, devemos sempre nos lembrar de nosso objetivo de acordar, em qualquer situação.
Me perguntaram se devemos evitar locais que não gostamos,  locais que nos conduzem ao sono. Se pensarmos um pouco, as condições de sono não dependem do exterior e sim de nossa quantidade de energia acumulada como consciência. Se uma determinada pessoa tiver pouca energia dentro de si e ficar isolada no meio de uma floresta, ou num quarto de apartamento, ela não conseguirá aumentar sua capacidade sozinha, terá que entrar no mundo externo e começar a se observar. Sua determinação de acordar a levará a aumentar sua capacidade de observação em várias circunstâncias e com o passar do tempo se tornará cada vez mais fácil, até o momento em que o que acontecer fora de si seja apenas um fato, e não uma calamidade ou ofensa. 
Não devemos evitar nada, mas sim observar e aprender com os fatos que acontecem dentro e fora de nós, não esquecendo que tudo que esteja acontecendo fora de nós pode nos atingir ou não, dependendo de nossa capacidade de observação e consciência. Quanto mais perto das altas esferas, mais perto dos seres superiores e de sua compreensão e nível de decisão sobre tudo que possa acontecer. Estaremos sob menos leis, e nossas atitudes externas e sentimentos interiores serão de grau mais elevado.  Não dependemos para nossa evolução dos acontecimentos exteriores, mas sim, de nossas decisões interiores que se manifestarão exteriormente. Existem forças exteriores negativas que nos levam ao sono, como forças que vem a nós para acordar-nos, depende de nossa atitude interior de auto observação, tanto para usarmos nossa consciência superior, como o abandono de si  para dormirmos mais com os acontecimentos exteriores.
A força que adquirimos com a luz, consciência, mudará gradativamente nossos sentimentos até formar uma força  que não depende de nada exterior, material, para continuar sua existência.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

CENTRO INSTINTIVO




Centro Instintivo é o elo de ligação da nossa realidade interior com exterior. Esse centro funciona dentro de uma perfeição para a continuidade da a vida humana. É o centro mais antigo e de maior experiência entre os centros. Podemos dizer que ele é o mais evoluído e depois dele o centro sexual , motor, emocional e por último o intelectual. O C.Inst. tem sua parte positiva na assimilação e a negativa na excreção. Em todo o sistema do corpo humano denso, no sistema circulatório, assimilação do ar e a negativa a exalação. No sistema circulatório diástole e a negativa é a sístole. Quase todo seu funcionamento é baseado no sistema formatório (nervoso) e sua velocidade é muito superior a dos outros centros. Quase todo seu funcionamento é imediato e até anterior ao acontecimento que dele se exige.
Como este centro já possui equilíbrio nós não devemos interferir no seu funcionamento pois no nível de nossa compreensão, não entenderíamos suas necessidades, principalmente na parte de assimilação do primeiro alimento (comida comum) . O corpo denso, ao estar com fome, aciona o mecanismo do olfato e se prepara para receber o alimento que vem pelo cheiro a este centro, que o analisa e prepara o aparelho digestivo para recebê-lo num nível  muito acima do químico pois além de ser perceptível é analítico. É pernicioso ao seu funcionamento sentir um cheiro e comer outro tipo de alimento que não tenha o mesmo cheiro ou ao estar comendo um tipo de comida lembrarmos de outro que não temos no momento. Isto é um tipo de interferência no funcionamento da digestão. Um dos hábitos ruins mais generalizados é beber água durante a refeição. Se o corpo pede água é pelo excesso de sal no alimento, pois se fosse bem balanceado, o corpo não pediria líquido. 
Ao olharmos a natureza animal, nenhum carnívoro, herbívoro ou frutífero bebe água após ter se alimentado e somente os pássaros que comem sementes é que sentem necessidade do líquido junto da refeição que no nosso caso seriam as farinhas ingeridas sozinhas. O motivo principal dos homens da sociedade sedentária terem barriga volumosa é pela ingestão de líquido após a refeição e não pelo excesso de alimento.
O corpo procura alimento para sua subsistência normal que é equilibrado pelo gasto de energia que ele precisa. Um esportista tem necessidade de mais alimento do que o homem sedentário, mas normalmente os dois comem a mesma quantidade e isto leva o corpo sedentário a ter excessos de gordura e a deformação no aparelho digestivo, aumentando a capacidade estomacal da pessoa. Isto se inicia na infância, com a má educação que os pais dão aos filhos obrigando-os a comer não pela necessidade do corpo, mas pela sua própria cabeça que fantasia e se ilude de que sabem a necessidade do corpo da criança. Uma base para se saber sobre as necessidades é o desejo de fome, e não os de satisfação intelectual de uma comida por ser gostosa e etc. Dificilmente uma pessoa segue o que seu corpo pede e necessita. Comumente a pessoa segue o centro intelectual  que possui menos conhecimento e é formado de falsa personalidade.
·        PARTE MOTORA do C.Inst.: são os movimentos de piscar, batida cardíaca, movimentos para constatar sons diferentes e a locomoção através do caminhar ou engatinhar, movimentos de acomodações, coceiras, etc.
·        PARTE INTELECTUAL : é o que determina se um dado cheiro é bom ou ruim, se a comida está ruim ou boa, isto é, dentro de nossa percepção e dentro de nosso corpo, atua na força que coloca a qualidade de ácidos na assimilação, desde a salivação, digestão, circulação, paladar.
·        PARTE EMOCIONAL : É o prazer do descanso e as sensações de perigo que chegam ao corpo como calor (fogo), répteis predadores que se aproximam ou algo da aproximação de um perigo da natureza: vento, chuva, etc... Imediatamente é acionada a aceleração do coração e a agitação do sangue se inicia, preparando o corpo para a fuga ou enfrentamento e é a parte que nos possibilita ter as sensações do corpo, Tato, audição.

Ao colocar a atenção numa parte do corpo passamos a senti-la e este processo possui a direção do C.I.  que ali mantém a atenção por meio da nossa intenção, ao mesmo tempo em que usamos uma das funções do C.Inst. como a visão ou audição para percebermos fora de nosso corpo o que está acontecendo, ou o que estamos recebendo do exterior. Isto é, consciência de si. E através da sensação do C.Inst. é que temos bases dos exercícios que nos levarão a uma evolução.
Todos os processos do C.Inst. que não percebemos o funcionamento é pelo motivo dessas funções estarem normais e ao mesmo tempo, não colocamos nossa atenção numa dessas funções.

Ao sentirmos uma dor ou um mal estar, imediatamente o C.Inst. cobra mecanicamente nossa atenção naquele local, que pode começar apenas com um incômodo até se tornar uma dor lancinante. O motivo do C. Inst. colocar um sintoma de dor é pela necessidade da atenção para aquele fato. Quando colocarmos atenção em alguma parte do corpo sem a solicitação do C.Inst., armazenamos naquele local uma energia que não é necessária para aquela parte do corpo. Esta energia ficará em forma de um novo corpo que utilizaremos com as funções da atenção na  função em que estamos utilizando. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

DIVISÕES INTERIORES


Quando nos lembramos de nós mesmos, o primeiro processo para uma observação de si, algo acontece e se altera em nosso interior. Como normalmente estamos completamente identificados com quase tudo o que nos rodeia, deixamos este estado hipnótico e começamos a ter possibilidade de um Trabalho sobre nós mesmos. Seguindo o processo de auto-recordação, colocamos nossa atenção primeiro em nosso corpo e em sua sensação, que se pode começar pelo rosto e se estender até tomar todo o corpo. Alguém dentro de nós observa o exterior e o processo continua daí pra frente. Se estivermos falando ou ouvindo, estaremos situados dentro de nosso corpo e nossas ações como a das pessoas que estão ao nosso redor, passam a ser observadas. Em nosso interior, começamos a notar o que emocionalmente nos atinge e quais são as nossas reações dos diversos centros.

O Centro Intelectual fala interiormente quase sempre, dando opiniões e fantasiando os acontecimentos e a partir daí leva o Centro Emocional a ter sentimentos nem sempre bons em relação as pessoas ou fatos ao redor. Por exemplo: quando acontece algo exteriormente, ouvimos um barulho ou um carro na rua dando uma freada, imediatamente olhamos e se forma no nosso Centro Intelectual uma curiosidade do fato. O Centro Intelectual é dividido em 3 partes: PI (Parte Intelectual), PE (Parte Emocional) e PM (Parte Motora).
1.      PI: A capacidade dessa parte é criar, construir e descobrir. Sempre através de um esforço para manter a atenção( xadrez, matemática... )
2.      PE: O prazer de descobrir, conhecer e compreender ( quebra-cabeça,jogos de carta... ). Ao iniciarmos algum tipo de trabalho sem o incentivo de alguém, sem sermos mandados, foi o funcionamento da PE. A parte negativa é o contrário disto. Digamos que estamos passando por um local e vemos um sapato desarrumado, caído em algum lugar errado em  nosso caminho; podemos parar e arrumar para manter um equilíbrio daquele fato, este equilíbrio se reflete em nossos centros. Se não percebemos um fato deste, estaremos desatentos, dormindo e tudo a partir daí acontece mecanicamente. Se paramos e arrumamos um simples pano caído, algo ali se deu por pequeno que seja na direção da atenção. A soma da mecanicidade do centro se inicia e se espalha para os outros, comumente conhecido como “preguiça”.
3.      PM: É facilmente conhecida pois é a parte que possui frases estereotipadas, decoradas, repetições de palavras e sentenças. Repetições como: “Entendeu?”; “Sabe?”; “Não é?”; “Tipo assim.”. A parte motora também se subdivide em 3 partes e nelas estão inclusas a imaginação desenfreada, a curiosidade, a astúcia, cisma e falta de confiança, que funcionam automaticamente sem nenhum esforço, só gastando nossa energia e por isso podemos chamar de negativa.

Parte negativa do Centro Intelectual
As partes negativas das divisões desse centro são os desinteresses pelos fatos positivos de execução de um esforço em qualquer sentido. A parte intelectual do Centro Intelectual (CI) tem sua forma negativa se manifestando pelo desânimo em se descobrir algo, negação ou cansaço em usar o raciocínio em algum problema a ser resolvido.
Nós do Trabalho de Gurdjieff, ao tomarmos conhecimento disso, devemos observar esses fatos e essas reações de partes mecânicas que nos fazem dormir e ir contra esse estado negativo de ação, pois nos roubam energia que necessitamos para a formação de nosso corpo.

sábado, 26 de abril de 2014

PRECONCEITOS


Nossa vida é calcada de preconceitos que nos chegam de muitas maneiras. Alguns podemos perceber e não sentir, outros sentimos e não sabemos porque o possuímos.
Toda a vida comum tem normas e condutas sociais para se ter um equilíbrio de convivência. Cada pessoa tem sua maneira particular de aceitar esse fato e quando se forma um grupo social (religioso ou não) procuram ter normas, regras, etc. para terem um comando ou direção do que se almeja. Inicialmente é assim. De acordo com a lei da descontinuidade, o que hoje inicia em direção ao norte, acaba se desviando para o sul, sem que a maioria possa perceber esse desvio.
Vamos dizer que um grupo tenha um líder que queira a evolução espiritual e vai nesta direção. Após sua morte outros assumem o comando e assim sucessivamente. Com o passar dos tempos (anos) o que começou em direção da evolução espiritual se torna um grupo de moralistas, somente pensando no dia a dia da vida normal material como: serviço para ganhar a vida, comida, sexo, e a manutenção da família como um “bom homem", nada além disso. Falam em Amor e nem gostam de si mesmos, falam de luz e não buscam consciência.
Para tudo isso existir não há necessidade de se formarem grupos pois qualquer homem direito dentro de uma sociedade não necessita de religião para ter esta conduta. Esses grupos normalmente se acham melhores do que aqueles que não o seguem e assim prosseguem em direção a uma “boa vida em família” até a hora da morte e somente nesse momento percebem que nada fizeram para si mesmos, ficam apavorados diante do fato que sempre esteve presente, mas nunca viram. Este fato é o esforço que se pode fazer não para ser um “bom homem”, mas para enxergar através de um esforço de trabalho sobre si mesmo e não de conduta moral.
Como fazer para não cair no mesmo erro? Acima de tudo ter uma sinceridade interior e uma direção no objetivo de se conhecer sem julgamentos ou preconceitos, sem procurar eliminar ou esconder de si próprio suas distrações e erros, isto é: não aparentar o que não é. Para isso deve haver um grupo que não adule nem mulher, nem filhos, nem amigos. Pois quando escondemos o erro de alguém, é porque também temos um igual ou então quando apontamos um erro de alguém é porque queremos esconder o nosso.
Fala-se em “examinar” antes de tomar uma atitude. Isto é falso pois acima de tudo temos que ver nossa incapacidade de se examinar algo que não se conhece e a vida é muito superior ao homem comum para ser examinada. Podemos imaginar um grupo de “mestres” reunidos. Aí chega uma pessoa que dá uma faca para ser examinada, cada um que pega a faca vai dar uma opinião sobre para que ela serve ou do que ela é feita, todos podem estar falando a “verdade” da faca e a soma do conhecimento de todos eles podem nem chegar a 1/10 do que a faca é. Neste momento chega um especialista em faca e ao vê-la fica maravilhado, pois é uma faca antiga de muito valor. Como aqueles que examinaram não sabiam de nada, não valorizaram a sua utilidade. Por este exemplo podemos perceber que existe algo mais e o procedimento para notar isto é aumentar sua própria capacidade de observação e conhecimento com os exercícios sobre si, agindo imparcialmente diante de qualquer fato. Cada observação vamos guardando como experiência dentro de nós.
É como um mosaico de pedra que vai sendo formando gradativamente em uma forma compreensível de um desenho que já existe. Com uma pedra ou duas jamais saberemos qual desenho será formado. Cada momento de esforço é como uma pedra e se dá o aumento gradativo de consciência que vamos adquirindo.
A luz, por menor que seja, não escolhe o que iluminar, clareia tudo pouco ou muito, mas clareia. A luz existe para todos, mas nem sempre queremos abrir os olhos para ver, principalmente as nossas incapacidades interiores. O ver muitas vezes causa dor, porque aquilo que fantasiamos sobre nós mesmos, vemos que não é real e que não somos nada daquilo que pensávamos ser, não aceitando acordar e ver. O dormir é muito melhor pois o sonho nos satisfaz em nossas mecanicidades e se alguém procurar nos acordar, não gostamos. Somente devemos tentar acordar alguém quando a pessoa quer e procura acordar mais que tudo na vida, mais que ter família, amigos, prazer, etc.
Como disse o mestre :
“Para me seguir terás que deixar que os mortos enterrem seus mortos”

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Alimentação e força


Como sabemos, o nosso corpo é uma fábrica de transformação de energia e matéria da mais grosseira a mais fina e sutil. Essa transformação não se dá através de um pensamento ou ação. As pessoas de maneira geral acham que por serem cultas, andarem corretamente como as religiões pedem, estão salvas. Os Eus os esperam, tudo está bem.  Mas nós sabemos que o funcionamento de nosso corpo não é simples e desconhecemos quase totalmente.
Nos esforços que fazemos durante os exercícios, contrariando toda a nossa mecanicidade, armazenamos um grupo de energia que  além de transformar em consciência de si também pode se cristalizar e se tornar um corpo independente. A idéia de hidrogênio nos explica qual é a posição e situação de um corpo e sua energia na manifestação em qualquer situação dentro do Universo e com isso, em nosso corpo denso. Toda a transformação dos três tipos de alimento e até que ponto pode chegar para um perfeito funcionamento nosso para alcançarmos nossa meta na criação dos corpos de consciência, que podemos também chamá-los de “veículos”, pois somente poderemos passar a atender o que vemos e sentimos com o tempo aprendermos a usar estes veículos formados pelo nosso esforço pessoal.
Uma pessoa se satisfaz em viver com alimentos inferiores (mais denso), e se alimenta de H 768 e comida comum e H 192 e também todos os pensamentos, sentimentos e com isto, atitudes, gostos, maneira de pensar, enfim toda a vida circula no nível desse hidrogênio, junto com orgulhos, vaidades, etc... até que a morte os separe, não deixando nada pois tudo é  desagregado em sua formação.
Uma pessoa que trabalha sobre si e possui hidrogênio mais refinado H 48, H 24 e H 12, age e pensa de uma forma diferente, daquela que não possui este refinamento de alimento. A compreensão da vida não significa que a pessoa tenha formado um 2o corpo, pois pode ter apenas energia suficiente para obedecer ou seguir alguém que possua este nível de hidrogênio e com isso aprender através de seu próprio esforço pessoal, armazenar hidrogênio refinado para sua própria existência.
Os homens não possuem o mesmo nível de compreensão, por este motivo que há divergências quanto a atitudes que tornam-se objetivas e capazes de armazenar maior energia sobre si mesmo. O desequilíbrio da razão é a divergência que existe na lógica do Centro Intelectual e do Centro Emocional, determinada pessoa não consegue acertar um trabalho, não aceita opiniões de outras, este é um caso da decisão do Centro Emocional e não do Centro Intelectual e também pode acontecer o contrário. Num momento a pessoa está alegre perto de alguém e no momento seguinte não está. Neste caso vemos que os vários eus não são do Trabalho pois somente a energia do H 48 está em funcionamento e a identificação com o que se está fazendo fica no nível do Caos, confusão e erros. Com o funcionamento do H 48, a obediência é somente aparente e não do Trabalho que necessita de um esforço consciente para uma obediência à razão e não a pessoa. A razão é aquilo que quero na vida e não o que me leva de um lado para o outro, trazendo emoções negativas, desgostos e desequilíbrio. Sempre há dentro de nós nossos gostos, desejos, etc, e quando ele se manifesta contrário à razão de nossa meta, devemos sacrificar isto no momento de sua manifestação e não9 depois quando estamos juntos fazendo exercícios , movimentos, etc. Claro que neste momento de trabalho de grupo também estamos guardando algo para nosso futuro, mas fora daqui estamos sozinhos com as armas que temos em mãos e aí sabemos qual é o nosso nível, quanto possuímos de hidrogênio refinado que se manifesta nos seguintes casos:

  • Observação de si
  • Consideração externa
  • A não manifestação de emoções negativas
  • O uso da força muscular somente no necessário, sem contrações desnecessárias.
  • O impedir as vozes interiores desnecessárias
  • Aceitar dentro de si que nem tudo pode ser entendido e esperar com sobriedade o momento passar, pois nada se pode fazer para mudá-lo
  • Se colocar sempre estrategicamente para o momento.


terça-feira, 8 de abril de 2014

Ponto de Equilíbrio




Uma pessoa se esforça para se manter alerta, sentindo o corpo, etc...Começa o estado de consciência de si. Nesta situação todos que assim estiverem percebem as mesmas coisas e os acontecimentos ao seu redor são sentidos e vistos de forma equilibrada e dentro de uma mesma compreensão. Digamos que num grupo de 14 pessoas  uma delas esteja distraída e falando algo mecanicamente (fantasiando) e que seu estado interior esteja identificado com o assunto, em outras palavras, que esteja dormindo no estado de vigília ou sono desperto. Por mais que fale ou faça algo, todos notarão a sua intenção e identificação com o que fala ou faça. Se esta pessoa continuar assim o seu sono aumentará e cada vez mais se distanciará de um estado melhor de consciência, mas se o grupo continuar coeso no seu esforço de manter a atenção algo acontecerá com a pessoa que não está com a atenção. Ela acordará ligeiramente e terá alguma emoção de raiva ou tristeza. O grupo estará dentro de uma força que chamamos de consciência que circulará em todos que terão sua visão e sensação do corpo aumentada e cada vez mais a distância entre o grupo e  a pessoa que está dormindo aumentará. Isto poderá acontecer com uma ou mais pessoas  e esta achará que todos estão errados e que são maldosos, que tudo é sem sentido dentro dessa concordância. Se nós percebemos que isto está acontecendo com a gente, devemos imediatamente parar de se movimentar , colocar a atenção na postura e ficar de uma forma que não necessite de esforço físico, relaxar os músculos gradativamente, não procurar entender nada, nem defender nenhum ponto de vista por mais “razão” que pense ter, deverá somente sentir e observar seu próprio corpo, olhar para as pessoas sem julgá-las e não deixar as vozes interiores interferirem, ficar em estado de alerta consigo mesmo, fechando a “porta” e não deixar a desconfiança entrar, apenas observar e estar presente esperando uma situação interior melhor. Se  conseguir isto, entenderá que existe uma força viva, uma energia que está à disposição do grupo e quando falar  haverá uma compreensão única, não haverá discordância dentro do grupo. Esta força não termina quando o grupo se separa fisicamente e cada um vai para o seu lado levando esta energia que poderá ser usada quando necessitar. A energia que acumulamos com os esforços de um trabalho é para a formação não de somente um corpo particular, mas de uma egrégora que permanecerá no grupo enquanto ele existir em sua formação de esforço e até além , se conseguirem armazenar uma quantidade suficiente para a existência do grupo em outras realidades (mundo astral). Para que esta força exista é necessário haver no grupo um sentimento de união, algo que seja amizade e confiança, não confundir com pieguice e identificação com uma ou outra pessoa, por exemplo: pai e filho, mãe e filho, marido e mulher, etc...pois esta ligação é perniciosa quando o grupo se reúne pois este tipo de sentimento é de quem está dormindo e está satisfeito com sua vida e confunde gostar com Amor e identificação com carinho. Os grupos ao se reunirem devem antes de tudo esquecer os laços e correntes que existem no estado de sono desperto. Uma pessoa que se considera carinhoso, bonzinho, etc...não está em condição de trabalho na 2a linha de Trabalho (fazer algo pelo grupo), só estará apta para a 1a linha de Trabalho (fazer algo para si mesmo) e não trabalhar com outras pessoas que desejam acordar e duvidam de sua própria condição de estar desperto. Há aqueles que querem acordar por não estarem satisfeitos interiormente consigo mesmo e há outros que se acham bem e sem problemas e que estão com a “razão”. A mesma razão que leva os homens à guerra, à morte e a disputa entre nações inteiras e até famílias a se gladiarem com outras famílias por vingança e etc. Dessa razão devemos fugir e não aceitá-la como linha de trabalho em nosso caso. Nós do Grupo de Gurdjieff não devemos esquecer dessas 3 linhas de Trabalho:
  • Trabalho sobre si mesmo
  • Trabalho com o grupo
  • Trabalho para o grupo


Os grupos não são formados por vínculos de amizade, mas por capacidade de fazer o que se pede como exercício e obrigações psicológicas que dá a condição de um aumento de consciência numa determinada situação, principalmente quando a reunião está com a finalidade de um aumento de consciência. O nível de consciência de si de uma pessoa é a soma de seu esforço durante o Trabalho e não o esforço que ela está fazendo no momento dos exercícios. Isso quer dizer que mesmo que uma pessoa esteja aparentando distração e normalidade,ela é o produto do que fez durante os dias de Trabalho sobre si e seu equilíbrio e raciocínio é determinado por esta situação interior.

sábado, 29 de março de 2014

DESTINO



O que seria destino? Um fato que não pode mudar/ Algo imutável? Antes de tudo, o destino de quê? Vamos dizer que uma pessoa nasceu numa família de carecas, inevitavelmente o destino dessa pessoa é se tornar um careca também. Já não acontece se uma pessoa for escritora, seu filho terá outro destino, pode até também se tornar um escritor, mas esse pode não ser o seu destino.
Para começar, podemos falar que o corpo denso pode ter um destino e o homem dentro desse corpo ter um outro destino completamente diferente daquele que seu corpo vai ter. Sabemos que crescemos desde criança, nos tornamos adultos e com o tempo a decreptada velhice e por final o fim do corpo denso. Pergunto: o que restou daquela pessoa? Se durante a sua vida só ficou com sua cabeça cheia de fantasias e suas emoções sempre foram frágeis e negativas? Se existiam centenas de Eus fracos e fantasiosos, tudo isso não é nada duradouro, o tempo que fica ativo uma parte da pessoa, este é o seu tempo de vida, nada dentro de uma pessoa pode se falar que tenha um destino. Mas este que até agora falamos é o mais superficial. Tudo que fazemos dormindo ou não é algo que fica em nossa vida. Se uma pessoa corta um dedo, pode ter certeza que a cicatriz ficara no corpo. As nossas ações deixam cicatrizes no destino daquilo que temos dentro de nós e que pode estar dormindo.
Tudo o que acontece é fruto de algo que fizemos antes, bem antes até de nascer neste corpo. Algo pode nos acontecer e ser um merecimento ou fatalidade. Se a pessoa pratica um esforço consciente, ele se tornará um merecimento, se a pessoa fizer algo que prejudique outras pessoas,  esta atitude se tornará uma fatalidade na sua vida vindoura. Então, as pessoas que sofrem, por mais cruel que possa parecer pode ser algo que não sabemos o motivo, mas nada é injusto. A atitude que temos perante a fatalidade de outras pessoas é devido a nossa total ignorância a respeito daquilo que conhecemos como destino.
Um homem que trabalha sobre si, que passa anos procurando uma consciência de si ou outra superior, está fazendo o destino que qualquer homem tem direito, mas não quer. Segue pela vida sem se importar com seu verdadeiro destino. Ele tem direitos que não sabe que existe. Tem possibilidades que não sabe que pode usar e usufruir na vida. Passa a vida toda armazenando coisas que na hora da sua morte não adiantará de nada,  gastou tudo que podia em fantasias e nada ficou para si mesmo. O acúmulo de sua riqueza é fora de seu corpo, então na hora de sua morte ele verá o que possui e o que acumulou no decorrer de seu esforço diário (8 horas ou mais por dia). O seu carro, apartamento, dinheiro, nada é seu, é do mundo e para onde ele poderia ir, o seu “veículo” não foi formado. A sua existência foi para gastar o que podia acumular como energia para este momento. O estranho é que a pessoa pode ter o que quer do mundo externo e ao mesmo tempo acumular no decorrer de sua vida algo para si mesmo que persista a pós a morte de seu corpo denso.
Os exercícios que praticamos é para serem usados na vida, não temos necessidade de nos isolarmos de nada. Ao contrário, temos é que participar da vida, sem estar identificados com o que fazemos e sentimos. Cada esforço do Trabalho de Gurdjieff é um acúmulo de energia que se tornará consciência. Nós não lutamos contra nada, o combate é para separarmos interiormente as nossas vozes de decisão, de ação, daquele que observa o fato. É um trabalho dentro de si que se exterioriza em nosso atos de exercícios, movimentos, domingueira, etc. Que é a prática sem fantasia que fazemos para nos conhecer, e que após isto tentamos ser o que antes julgávamos ser ou que julgávamos ter em nosso interior.

O homem fica satisfeito com o mínimo que a vida lhe dá e o Trabalho de Gurdjieff exige da pessoa algo que a pessoa não sabe que possui. Em outras palavras, a pessoa se esforça primeiro para depois saber o que vai querer da vida. Nós não falamos o que é melhor para uma pessoa, nós damos indicações para se ter uma mudança de compreensão e esco9lher por si mesmo o que é melhor para a sua vida. Quanto mais consciência, mais diferentes são os gostos das pessoas e sua maneira de viver e encarar aquilo que lhe é de valor. O homem no Trabalho muda tudo dentro de si, até o seu destino comum, que passa a ser dirigido pela sua vontade.