segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CONSIDERAÇÃO EXTERNA

Sabemos que existem três linhas de Trabalho :
  • 1ª LINHA: Sobre si – onde a pessoa tem que se conhecer e se sacrificar para aceitar as partes mecânicas e de sonho que existem em seu ser. Deve fazer tudo para ver o funcionamento de seu corpo psicológico. São pessoas que freqüentam as reuniões como Grupo 2, a sua obrigação é não faltar as reuniões e tentar a todo custo entender o que faz e porque faz. Normalmente são pessoas que obedecem as ordens do grupo com limitações de sua vida particular, como: serviço, lazer, praia, mamãe, papai, ovo da páscoa da filhinha, ensaios,e etc. O social predomina em sua vida e o Trabalho de Gurdjieff é apenas um conjunto de momentos de reuniões e novidades espirituais e psicológicas que são interessantes de se fazer, mas que por qualquer motivo pode faltar. Qualquer desculpa é aceitável. O Trabalho de Gurdjieff é mais um afazer de sua vida comum, a qualquer hora pode parar, GRUPO 2.
  • 2ª LINHA: É um outro nível de compreensão, o grupo já é importante para sua evolução, a pessoa começa a entender que sem o grupo nada pode ser feito. Então o valor que ela dá a si mesma, dá também para o grupo, a sua observação de si, também é dirigida aos companheiros de trabalho e a falha de cada pessoa do grupo é também sua. Então seu esforço para acordar é levada pelo interesse de que seus amigos também acordem, para não deixá-lo dormir.

Aqui começa aquilo que chamamos de  Consideração Externa, enquanto a Consideração Interna é pensar e fazer tudo somente para si mesmo, sem pensar no outro. A Consideração Externa é ajudar quem dá oportunidade  de evoluir o nosso nível de consciência, o grupo.
Qualquer pessoa que entre no Trabalho de Gurdjieff tem obrigações a cumprir como vir as reuniões, pagar mensalidade, gastos do grupo, fazer exercícios em grupo, movimentos, trabalhos artesanais, mutirões, etc. Tudo isto é apenas TRABALHO.
A CONSIDERAÇÃO EXTERNA começa no rastro do tigre. Uma manada de porcos ao passar pela floresta faz barulho, vai comendo e destruindo o que não come, deixando atrás de si uma grande marca de sua passagem pelo local, com sobras de comida, escavações em vários lugares, etc. Qualquer um sabe que por ali passou um porco, até de longe dá para se ver.
O Tigre, mesmo caçando um animal e o devorando, não deixa marca, nem o sangue do animal fica no chão. Onde ele passa nem barulho se faz nas folhas secas em que pisa, ele tanto se aproxima e se afasta sem que ninguém o note, somente se estiver igual a ele. Esse cuidado e rastro do  tigre é que uma pessoa com um nível de atenção bom tem que deixar. Esse é o rastro do Tigre. Se não conseguir melhorar por onde passa, não piore.
A marca de um homem de conhecimento é acima do rastro de um tigre, pois ele melhora por onde passa. O porco estraga por onde passa, o Tigre já não estraga e o homem de conhecimento, melhora. São 3 níveis diferentes. Vamos dar um exemplo de uma sala onde todos dormem. Ao se levantar pode não arrumar nada e qualquer um que ver, saberá que ali dormiu alguém, rastro do porco. Se uma outra pessoa arrumar tudo e deixar como estava antes, é o  rastro do Tigre.  Até aqui isso é Trabalho de Gurdjieff, nada mais do que isto. Agora se a pessoa além de arrumar e deixar como estava, der uma limpeza, fazer um café, uma vitamina, para quando o dono da casa se levantar e encontrar a casa arrumada, varrida, isto não seria necessário, não faz parte do porco, nem do Tigre, não é consideração Interna , é aí que entra a 3ª Linha de Trabalho.
  • 3ª LINHA: Consideração Externa. No primeiro Nível a pessoa estava atenta, se observando, observando seus movimentos e tensões musculares e ouvindo os sons exteriores. No segundo além de tudo isto, lembrou-se do local como estava antes, observou-se e também viu fora de si e assim foi mais completo. No Terceiro caso fez-se uma projeção para o futuro e qual e a sua colaboração para isto com outras pessoas. É o nível máximo de observação do trabalho sobre si normal, é o rastro de um homem de conhecimento, busca, mago, etc. que se fez presente. Esta atitude leva a pessoa a ter a possibilidade de fazer um outro tipo mais elevado de Observação de si, o de aperfeiçoar as atitudes para aprender a construir algo além de seu próprio limite. O aprendizado na construção  de outros veículos ( corpos ) se inicia num simples mutirão, cozinha, movimentos, etc. Apenas se observar sem nada fazer é o início de um processo de auto-conhecimento para poder colocar em funcionamento a máquina de nosso corpo que nos é conhecida. A medida em que começa a ampliar este tipo de observação exterior, o praticante pode fazer ou ter atitudes completamente desconhecidas para um observador comum, se preparar para algo que vai acontecer no futuro e quanto mais longe uma pessoa consegue prever um acontecimento, mais acordada está. E este nível de atenção pode ser em qualquer momento da vida, desde um simples almoço em grupo numa mesa ou até numa grande construção, onde cada um deve saber qual é o seu lugar e o que deve fazer, para participar ativamente em qualquer situação.

A presença de uma pessoa acordada é o nível de sua atividade nos acontecimentos em seu redor. Quanto mais participativo uma pessoa, mais acordada naquele momento.
No Trabalho de Gurdjieff ninguém é obrigado a nada, mas o que diferencia uma pessoa de outra é o seu nível de disponibilidade, seu nível de esforço de trabalho, seu nível de observação e seu nível de consideração externa. Repito: No Trabalho de Gurdjieff ninguém é obrigado a nada. A pessoa pode não fazer o que lhe é determinado, mas isso já é um indício de que ela não tem nível de Grupo 1. As pessoas do Grupo 1 são diferentes das outras, porque elas sabem o que tem que fazer, as do Grupo 2 nós temos que pedir e não brigar caso não façam.
O porco está fazendo por obrigação, é o egoísta, só pensa nele e nos seus.
O tigre está fazendo porque é do Grupo 1, sabe que tem trabalho a ser feito para o grupo e o faz.
O mago (ou a bruxa) está fazendo numa preparação para o futuro, faz sem esperar nada em troca, faz o bem por fazer, pode ser considerado Grupo Zero-zero.
Por isso é sempre importante lembrar que uma pessoa pode ser tigre numa determinada situação, bruxa em outra e porco em outra. O que estamos buscando nesse Trabalho de Gurdjieff é fazer com que todos os Eus estejam unidos no propósito de ser um homem de conhecimento ou uma bruxa, que faz parte do Grupo OO, pleno de Consideração Externa.
( Texto lido pelo G1 no dia 31 de março de 2004)


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

ESFORÇO SOBRE SI MESMO

Em nossa situação nos defrontamos com a possibilidade de uma revolução interior que pode mudar nosso nível de Consciência.
Como sabemos, as pessoas independente das religiões que seguem ou do modo que vivem podem estar na situação da terceira Consciência (Sono com Sonhos) na hora que estão dormindo na cama. Ao despertar passam a condição de Sono Desperto ou Vigília, que também consideramos como dormindo. Ao levantar de manhã, parte para as tarefas diárias tratando as pessoas bem ou brigando, sofrendo ou sendo felizes, e assim vão até a hora da morte . Tudo ao seu redor acontece não pela sua Vontade, pois não a possui. São fatos que acontecem, como a chuva caindo ou um vento soprando.
Um homem pode desconhecer quase que totalmente seu interior e não possuir nenhum Trabalho interno. Somente em situações fortuitas de perigo ou susto é que podem dar uma acordada por alguns segundos, mas em seguida voltam a dormir, vociferar, xingar e tudo volta a ser como antes (ao estado de Sono Desperto).
Quando fazemos um esforço interno ao nos observar, temos a possibilidade de uma mudança do nível de consciência. Ao perguntarmos a uma pessoa se ela está se observando, ela falará que sim e que conhece a si mesmo. Sabemos que isso não é verdade pois os cinco centros inferiores trabalham desequilibrados. Mas isto é uma grande fantasia que mantém os homens dormindo, achando que estão acordados. Um homem pode estar corretamente fazendo um serviço ou estudo e estar completamente dormindo sem que ninguém perceba. Mas uma pessoa que faz a Observação de Si como um Trabalho, sabe que existem vários Eus diferentes no seu interior e que seu corpo funciona independente da sua vontade.
Quando estamos fazendo um Trabalho de grupo com uma tarefa designada, percebemos que mesmo querendo estar com Consciência de Si, atentos, nos pegamos na situação de sono, e imediatamente tornamos a fazer um esforço para nos mantermos no estado de Consciência de Si. Essa situação é facilmente percebida por um Grupo de Trabalho que queira despertar. Pois ao fazermos os movimentos do Centro Motor, isto é, ao dançarmos as Danças Sagradas, percebemos a interferência do Centro Intelectual e até do Centro Emocional, quando a pessoa acha ruim consigo mesma ao errar, e isto significa um desequilíbrio interior  no funcionamento dos centros. Se a pessoa deixar seu centro motor livre poderá sentir como ele funciona, em qual região ele interfere ou não, além de perceber a força que circula entre o grupo.
Ao fazermos o MOKUSÔ, nos posicionamos em uma situação favorável de sensação do corpo e funcionamento dos centros, até do centro motor, que não satisfeito com a imobilidade tende a se mexer ou arrumar-se constantemente. Os vários Eus vêm e vão nos distraindo no momento presente. Se contudo mantivermos esse estado de Observação de Si, a energia que acumulamos através de nossa vontade, se transformará em momentos de Consciência que um dia poderá ser um corpo existente, independente das funções do Centro Instintivo.
Todo esse esforço para mantermos  uma atenção que sabemos ser a terceira forma de alimentação, é uma forma efetiva de transformação de energia. A nossa Essência dificilmente se manifesta sem que tenhamos um Trabalho nesse sentido pois o aprendizado oral é apenas guardado pelo Centro Intelectual, fortalecendo nossa Personalidade e não aumentando nosso estado de Consciência que só terá um crescimento através de um  esforço sobre si mesmo, que possibilite o aumento da Essência.
As influências que recebemos: A, B e C, podem se tornar algo de bom se não desperdiçarmos nossos momentos sem a devida Observação de Si.
A mecanicidade de nossa vida, a um nível humano, está debaixo de 48 leis e até de 96 em certos casos. Mas, no momento em que nos posicionamos observando simultaneamente nosso interior e exterior, estamos debaixo de 24 leis. Como não conseguimos nos manter por mais de alguns minutos, voltamos a ser mecânicos novamente até um dia que poderemos manter um estado de Consciência de Si.
Esse estado de Consciência de Si pode ser obtido através da prática de diferentes Escolas: Faquir ( através do sacrifício do corpo físico ), Yogue ( através da meditação ), Monge ( através da fé ) e o 4o  Caminho ( através da Observação de Si ). Nós , entretanto, seguimos o 4o Caminho que é um esforço dentro do dia a dia, na peleja da vida.
É um tanto difícil pois nossos companheiros nem sempre estão ao nosso lado e nos identificamos principalmente com as influências A (no serviço, na escola e até na família). Pois na peleja para mantermos nosso nível social equilibrado, esquecemos nosso objetivo de Consciência e a firmeza que temos que ter ao fazer os exercícios diários. Perdemos até na maneira de conversarmos pois achamos que possuímos dons e capacidades que na realidade não possuímos, como Amor, livre-arbítrio e autocontrole.
Aqui vemos a dificuldade que temos em fazer simples tarefas interiores e exteriores. Constatamos fatos no nosso dia a dia que comprovam nosso estado de sono, mas temos a possibilidade de gradativamente perceber como funciona a nossa máquina, que é o nosso corpo.
O nosso nível de conhecimento da nossa máquina determina que tipo de homem somos. Para mudarmos temos que nos colocar em situação de Trabalho Sobre Si, que é a forma de armazenarmos energia em forma de Consciência (Luz) e essa energia não depende das funções do nosso corpo, que é a vida na matéria. Após a cristalização dessa energia o homem adquire aquilo que se chama imortalidade e passa a sua existência a nível planetário e com a continuidade a nível solar, e até mais.
No nosso Trabalho temos como meta o aumento de nossa Consciência que só é possível dentro de um esforço em todos os sentidos.
Primeiro sobre nós mesmos, para nos conhecermos pois o nosso funcionamento interior é exatamente como uma máquina e as nossas atitudes externas podem ser corretas socialmente , mas estarmos em condição bem inferior em relação ao nível de Consciência superior que devemos alcançar.
Segundo, é o Trabalho em grupo para podermos ver através de um esforço coletivo as nossas próprias fraquezas (orgulho, ciúme, vaidade, etc ...) que é mais facilmente visto no próximo do que em nós mesmos, mas o objetivo é verificar o que nos atinge sem julgamento e sem preconceito, de uma forma bem interior na observação das próprias fantasias e sentimentos.

Terceiro é o Trabalho para todos, independente do grupo a que pertence, e isto não é uma ajuda externa, mas comportamental onde temos a possibilidade de um dia termos aquilo que chamamos de Amor, sendo somente possível para quem tem um equilíbrio interior,  conhecido como Paz, onde o alcançaremos com o aumento de nossa Consciência , sendo a Luz que guiará a nossa vida.

domingo, 28 de agosto de 2016

A MORTE INTERIOR

Sempre lemos e ouvimos que temos que renascer para poder ter uma nova vida. As pessoas pensam que este renascimento é apenas uma mudança de habito, isto é um engano. Uma pessoa pode simplesmente deixar de beber, jogar, e até usar roupa diferente, que a sua compreensão será a mesma interiormente, seu destino como homem apenas satisfaz o mundo exterior. Na verdade nada em si mesmo mudou, ele pode até trocar de amigos e frequentar lugares diferentes que será o mesmo homem. Em nosso trabalho a mudança é interior, e não exterior. Por isso que falamos que basta pensar para errar, mesmo que não façamos o que estamos pensando.
Uma pessoa comum que desconhece o que seja estar dormindo se estiver num sono dentro de um bar ou de uma igreja é a mesma pessoa, pois não sabe o que faz nem em um lugar nem em outro. Se é distraído continuará assim, se for nervoso mesquinho medroso e etc continuará do mesmo jeito. Em nosso trabalho como vivemos no mundo e nele trabalhamos, os nossos hábitos podem até mudar mas esta mudança é um reflexo de nível novo de consciência que o homem tem possibilidade de possuir. Para isto a observação de si é imprescindível, não há outra maneira de se mudar se não aceitarmos que não nos conhecemos e que pouco vemos de nós mesmos. Para isso tem que existir a todo momento a observação de si. Normalmente gostamos apenas de observar aquilo que consideramos como defeitos ou fraquezas, é um engano pois tudo que somos é fruto de uma percepção limitada e se quisermos evoluir temos que começar a colocar em duvida tudo que existe em nossa vida, todos os valores gostos, costumes, posturas e etc. Aquilo que achamos ser mérito, como também os momentos que nada estamos fazendo, até se estivermos quieto sentados sozinhos em uma cadeira é o momento de ficarmos em alerta, pois o que somos é a limitação de nossa consciência, estado de vigília.
Em cada situação de nossa vida, com nosso sentimentos, duvidas, prazeres, tudo enfim deve ser observado como algo estranho. Esta observação deve seguir em principio três degraus:
O primeiro a sensação do corpo, parcelamento ou completo, sem isto nada estamos fazendo por nós mesmos.
O segundo degrau é não aceitar nossas próprias conclusões de compreensão e aquilo que nos vêem como entendimento, não é nosso é apenas um eu do momento, e ele pode em seguida não estar no momento seguinte, por mais claro e obvio que estivermos vendo e entendendo algo, é apenas compreensão do momento, portanto devemos esperar observando sem julgamento e decisões momentâneas.
O terceiro degrau é esperar o sentimento do momento passar e observá-lo com algo impossível de mudar, apenas podemos contê-lo para não se manifestar e se caso for algum ato de carinho ou elogio, verificar intelectualmente porque estamos agindo daquela forma e se for algum tipo de emoção ruim, prendê-la. Digamos que emoção negativa é todo ato que vai levar alguém a se contrariar, ofendendo ou entristecendo quem for alvo desta emoção, mesmo que tenhamos razão não temos o direito de dormir e atacar alguém pelo nosso descontrole interior.
Ao passar por estes três degraus o tempo nos trará uma experiência de como funciona nosso aparato receptor que é nosso corpo e desse modo teremos a chance de mudar nosso nível de consciência trazendo com este esforço algo o que precisamos para morte daquilo que hoje somos dentro de nossas percepções pessoais.


domingo, 21 de agosto de 2016

LIMITAÇÕES

O homem possui limitações, mas se considera ilimitado. Em nosso Trabalho nós devemos estar atentos para perceber quando chega o momento de nossas limitações. Nós temos limitações em todos os centros, incluindo nosso próprio corpo, mas desconhecemos. Então há uma necessidade grande do homem conhecer  suas próprias limitações, mas através de si próprio é impossível. O homem só conhece suas limitações num grupo quando está sendo dirigido por alguém .
Então nós temos nossas limitações físicas , isto é, do corpo planetário, um homem não consegue, sem treinar, fazer uma quantidade de exercícios que lhe seja imposto se não estiver preparado para isto assim como o homem não consegue manter a sua atenção por um tempo se não estiver treinado para isto. Isto também se prolonga às limitações em nossas atitudes, mesmo estando com atenção quando recebemos uma ordem. A pessoa pode ter uma limitação interior de compreensão, então a ordem pode ser iniciada mas não completada. Como o Eu desconhece suas limitações, ele se acha capaz de fazer tudo o que lhe é imposto, mas quando se inicia, ele vê que não é capaz disso. Quanto mais esforço o homem faz para ampliar o seu nível de limitação,  mais rápido ele está indo na direção da consciência. Por esse motivo nós devemos a todos os momentos de nossa vida estar numa luta constante para manter o nível de atenção o mais alto possível pois vamos com isso conseguir manter a atenção a um nível desejado para o Trabalho. Não devemos ter como desculpa o cansaço, deixar para depois, pois por mais esforço que façamos vai chegar num ponto que o nível de atenção vai diminuir  mecanicamente. As mudanças de exercícios semanais são com o objetivo deles não se tornarem mecânicos e temos, em várias oportunidades durante o dia, de fazermos o que nós pudemos lembrar no momento.
Vamos dizer que fazemos uma proposta a nós mesmos de que naquele dia contaremos todos os passos que vamos dar e marcamos num papel e sentimos a perna ao contar. Aí estará um treinamento para a vontade assim como para a lembrança. O homem do Trabalho dificilmente conseguirá manter isso apenas por um dia, mas isto não deverá ser motivo de amargura ou tristeza pois esta é sua limitação que poderá até ser marcada numericamente. Veremos que muitas pessoas terão facilidade nesse tipo de limitação mas se pusermos outra limitação como, por exemplo, toda vez que sentar manter uma determinada postura, ele perceberá que algo em si cansará, que não é seu corpo físico, aí estará sua limitação. A limitação não é cansaço, é impossibilidade de fazer o que se quer. Cansaço é outro detalhe. O homem número 4 tem muitas limitações mas não é igual ao homem 1,2,3. O homem 4 percebe as suas próprias limitações. O homem sem limitações será o homem completo. Tudo o que ele faz é capaz de concluir. Vamos dizer as limitações de cada centro:
  • Centro Motor: pode decorar e guardar uma série de movimentos mas ele está limitado a um tempo.
  • Centro Intelectual: pode estar limitado a uma série de lembranças quando passa daí, só através de um treinamento para ficar na memória.
  • Centro Emocional: só gosta da pessoa até um ponto, em outro ponto passa até a odiar. Se a pessoa fizer algo contrário a aquilo que se espera, imediatamente deixará de gostar da pessoa e o tratará como inimigo. Até seus próprios movimentos serão diferentes. Devemos colocar muita atenção nessa parte emocional pois quanto mais gostarmos de uma pessoa, mais aceitamos os erros dela. É através dos erros das pessoas que gostamos que vemos os limites dos nossos sentimentos. Quanto mais pessoas gostamos, mais alto é o nosso nível de ser.
  • Centro Sexual: Devemos também tomar cuidado com as limitações do CS pois existe uma série de fatores que levam a essas limitações. O CS se limita quanto a sensação durante o ato e não na quantidade de vezes ou no prolongamento do tempo. Por exemplo: um casal tem um relacionamento (pode ser rápido ou demorado) e ter um alto nível de sensação e um outro casal ter muito mais vezes e ter  um baixo nível de sensação. Aí está a limitação do CS e não a sua potência, virilidade ou outra coisa.
  • Centro Instintivo: As limitações são quase que desconhecidas pelo homem. Pois sendo um dos centros mais antigos possui uma gama quase que ilimitada de percepção, que o homem por estar desatento não usufrui dela e muitas delas foram perdidas pelo mau uso: Visão, Audição, Paladar e Tato.

Ao nos observarmos devemos aceitar essas limitações como algo a ser mudado e ao nos entregarmos a um esforço devemos não aceitar aquilo que nos vem como compreensão do CI e pensarmos que o corpo existe  para ser sacrificado fisicamente para podermos alcançar um nível diferente de consciência além dos prazeres que ele nos traz na sensação dos 5 sentidos. Ao nos depararmos com aquelas vozes de lucubrações conhecidas, como: “Estou cansado”, devemos enfrentar esse fato como um desafio a ser vencido pelo Eu interior que é muito superior a todos os fatos de fraqueza que são apresentados durante a nossa existência. Desconhecemos quase que completamente nossas próprias capacidades e só através de sacrifícios constantes daqueles momentos que achamos que são gostosos e bons para poder aumentar nossa própria capacidade, tanto perceptiva como de consciência, devemos nos separar totalmente dos impedimentos que vão surgindo no decorrer do Trabalho sobre si . Esses impedimentos podem ser sociais, de comportamento perante nosso serviço, família ou interior (no abandono para a morte daquilo que deve permanecer como uma atenção de nós mesmos).
Existem alguns fatores que não devemos confundir com limitações, que são os impedimentos. Uma pessoa pode ter capacidade de correr 5 Km, mas no dia que vai correr machuca o pé e não consegue correr nenhum Km. Foi um impedimento, não uma limitação. Uma pessoa ouve uma palestra e não guarda nada do que foi dito, isto é uma limitação e não um impedimento. Uma terceira pessoa está gripada e a gripe traz uma sonolência a impedindo de por atenção no que foi dito, isto é um impedimento, não uma limitação. Outra pessoa coloca toda atenção na palestra, relaxa o corpo, procura ficar presente e não lembra de nada, isto é uma limitação.


domingo, 14 de agosto de 2016

O Homem do Trabalho

                                              
Quando uma pessoa se observa nada mais faz do que sair das influências inferiores que está habituada a viver para como observador entrar debaixo de menos leis e assim sucessivamente de acordo com seu próprio esforço não sendo atingido pelas leis de que ele esta observando.

Nós que pretendemos um dia fazer parte do verdadeiro Trabalho de Gurdjieff devemos gradativamente esperar dentro de uma observação imparcial a mudança de nosso ser sem deixar que haja interferência de leis inferiores (força lunar) que tem o seu poder sobre aqueles que não se esforçam pela própria evolução e seguem a evolução geral terrestre  que é um tempo incomensurável em relação a evolução que procuramos portanto não consideram mos como evolução, a qual classificam como “vontade de Deus”.

domingo, 7 de agosto de 2016

PENSAMENTO E SENTIMENTO

O homem como uma máquina que possui três cérebros se engana quando julga a si mesmo com base naquilo que pensa ou sente, pois estes são dois fatores que raramente acontecem. Normalmente dentro da  cabeça do homem existem oitenta por cento de fantasia e vinte por cento de distração, e quando lhe é solicitado um pensamento, ele se atrapalha e não sabe o que fazer, dá uma desculpa e pára. Vamos dar um exemplo: uma pessoa está esperando um ônibus no ponto, dentro de sua cabeça ele está fantasiando o que vai fazer quando chegar no serviço, pois nada daquilo realmente vai acontecer, as circunstancias vão acontecendo e dentro de suas próprias fantasias ele vai agindo de acordo com as conseqüências de fatores externos que o conduzem ao cumprimentar as pessoas, sentar no seu serviço, comer,  até voltar para casa, sem necessidade nenhuma de esforço do centro intelectual e muito menos do emocional. Não querendo dizer que estes centros não estão funcionando, eles estão, mas de forma completamente mecânica e sem objetivos conscientes. Ao se lembrar que tem que pegar uma caneta para escrever, simplesmente levanta e vai pegar, e se encontrar um amigo no caminho, sorrirá e passará por ele sem nenhuma atenção, não há necessidade disso. Se ele passar por uma pessoa que não goste, fingirá que não a vê, e dentro de seus sentimentos tudo mecanicamente continua acontecendo, e assim a vida vai passando.
Nós temos que nos observar para perceber que os nossos sentimentos existem por si, não dependem de nada de nosso  interior para a sua existência, mas para termos uma possibilidade de um dia ter um sentimento superior (amor), temos que primeiro nos observar e saber que tanto as nossas fantasias na cabeça quanto os nossos sentimentos no corpo não dependem de nossa vontade e sim dos acontecimentos externos que podem ser mudados por qualquer fator simples. No momento gostamos de uma pessoa e no momento seguinte podemos passar a odiá-la, esses sentimentos são puramente mecânicos e de um nível baixo de hidrogênio.
Fomos feitos para usar os hidrogênios superiores, porém o sentimento, por ser mais antigo nos domina em situações de raiva e fantasias sentimentais, pois confundimos o desejo de ter com o gostar . Quando sentimos um apego por um filho, neto ou parente, não devemos esquecer que este tipo de sentimento é de hidrogênios inferiores e pode ser mudado a qualquer momento. Observando o comportamento das pessoas, veremos que os sentimentos mudam de acordo com os eus, mas, que algo se conserva prendendo as pessoas em laços de sofrimento por fantasiarem que são obrigados a gostar desta ou daquela pessoa, esquecendo que existem outras milhares de pessoas que podem entrar em contato conosco e termos exatamente o mesmo sentimento, não querendo dizer com isso que gostamos mais desta ou daquela e sim que temos um tipo de sentimento dentro de nós.
Ao fazermos carinho em alguém, devemos simplesmente sentir, sem fantasiar, apenas observar e ver a satisfação daquele ato ou não, sem nenhuma exigência, apenas observar, a partir daí o relacionamento entre duas ou mais pessoas pode aumentar o nível pois não dependerá de fatores externos para sua existência e sim de uma condição de compreensão que é o nível de consciência. Quanto mais alto uma pessoa tiver o seu nível de consciência, menos emoções negativas se manifestarão em sua vida. Uma pessoa pode receber um tipo de influência no centro intelectual através de vozes de eus e não manifesta-la, fingir que ela não existe, se isso não for observado jamais mudará. Nós devemos em nosso trabalho, separar o que nós sentimos daquilo que entendemos, pois procurar uma explicação para um sentimento não é possível, pois um centro não fala a mesma linguagem do outro. Vamos dizer que em nossa cabeça achamos que uma pessoa é nossa amiga, pois, a muitos anos que a conhecemos e se criou uma história em torno daquele relacionamento, isto não significa que temos um sentimento superior em relação a uma outra pessoa que conhecemos a poucos dias, pois o sentimento é muito complexo em seu funcionamento, e não depende somente de uma observação.
Há três fatores iniciais no sentimento:

  • DESTINO: este é um relacionamento anterior ao próprio nascimento, é como uma recordação de um passado que não sabemos qual foi, mas que existe, e isso nem sempre é recíproco, quando acontece de ser recíproco é por quê há uma necessidade de uma continuidade de sentimentos independente das pessoas. Exatamente igual quando existe um sentimento de animosidade. A animosidade são fatos que aconteceram muito antes do nascimento, podendo ser até três a quatro encarnações antes, por esse motivo devemos combatê-lo ferozmente para encerrar esta etapa da evolução. Este é um dos motivos que Jesus disse : “Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa ? Pois até os pecadores amam os que os amam. Se fizerdes o bem a quem faz-lhe o bem, qual é a vossa recompensa ? Até os pecadores fazem isto. E se emprestais àqueles de quem esperas receber, qual é a tua recompensa ? Amai porém os vossos inimigos.”
  • NORMALIDADE: Normalmente, nós temos um sentimento de desconfiança para as maioria das pessoas inicialmente, ao conhecê-las ficamos com o pé atrás, esperando algo de mal, até que a pessoa prove o contrário, se apresentando dentro daqueles esquemas que chamamos de bom amigo, que nada mais é do que uma exigência de que a pessoa fique na linha para ter a nossa amizade, que é algo falso e interesseiro, num nível baixo de sentimento. Esse tipo de sentimento é comum a qualquer homem normal na consciência de sono desperto. Na verdade, quando se tem uma “boa amizade” ao longo do tempo, significa que a pessoa possui os mesmos defeitos da outra e que os admira e os conserva como se fossem boas atitudes. Tem pessoas que por ter um sentimento irascível, também conhecidas como rabugentas, acabam na velhice levando um cachorrinho para a praia, pois é o único ser vivo que consegue aguentá-la, pois somente fica agradando, obedecendo e esperando carinho na hora que ela quer dar, o cachorro é um animal dos mais puxa sacos que existem na natureza, e quem gosta de cachorro gosta de ter o saco puxado, pois mesmo apanhando vem com o rabo entre as pernas pedindo mais carinho, e normalmente todos gostariam que os amigos fossem assim. Nós que estamos trabalhando para o conhecimento desta máquina em relação ao tipo de sentimento que temos devemos tomar muito cuidado com todos os tipos de sentimento, pois raramente temos algum tipo de sentimento superior, devemos portanto, imparcialmente, observar este sentimento que sai de uma mesma fonte e um mesmo tipo de hidrogênio, tanto o que sentimos em relação aos parentes próximos até os que discordam de nossa atitude, como patrões, vizinhos e etc... A maioria dos nossos sentimentos é baseada no sentimento mesquinho de ficar tudo bem, um empregado bem pago mesmo sendo mal tratado não se queixa de seu patrão, mas sabe que não gosta dele, ao fingir está dormindo pois tudo está acontecendo como se fosse chuva ou vento. Ao sentirmos uma atração, um desejo de querer agradar alguém não devemos impedir, mas sentir o corpo, olhar a pessoa e pensar, por quê sinto isso somente por essa pessoa, por quê por esse outro não sinto o mesmo, e ao abraçar o outro, devemos também procurar fazer a mesma pergunta. O toque físico é uma maneira eficaz de um equilíbrio sentimental, por esse motivo, casais que possuem algum relacionamento íntimo e ainda assim não possuem algo de sentimento mais elevado estão se masturbando com o corpo do outro e não sentindo o corpo do companheiro ou da companheira. Se cada vez que ao darmos a mão a uma pessoa ou um abraço, dermos uma parada interior e sentirmos o nosso corpo, passaremos a sentir o corpo da pessoa também. Por esse motivo há sempre um toque leve de preocupação quando pessoas de pólos contrários se abraçam, pois as pessoas não procuram entender este tipo puro de sentimento, podendo até se tornar ofensivo ou obrigatório nos casos comuns.

Fruto de um esforço pessoal na direção da consciência, é o HOMEM LADINO, tanto pega a cobra pelo rabo como a pomba pelo pescoço, e triturará os dois quando for necessário sem deixar a pomba voar ou a cobra morder. Isto que dizer: se eu souber que alguém não gosta de dar carona eu não vou pedir carona, se eu souber que alguém gosta de fazer comida gostosa, eu peço para alguém fazer comida gostosa. Não devemos exigir, com sentimento de nível baixo, que as pessoas sejam iguais as melhores partes que nós temos. No trabalho, aquilo que falamos, devemos sentir e seguir, pois um dia a nossa palavra estará dentro de uma força que o que dissermos poderá acontecer, portanto, devemos treinar e observar, para ao falarmos seguirmos o que foi dito, pois este também é um nível de consciência que o homem do trabalho deve alcançar, conhecido na vida comum como homem de palavra, mesmo que para este fim precisemos sacrificar até a nossa própria vida. Ao verificarmos que a mecanicidade da vida vem sorrateiramente, disfarçadamente nos atingindo, devemos combatê-la, contrariá-la para que os eus do trabalho se fortaleçam, ou para sermos capazes de  diferenciar uma real necessidade de um ato mecânico. Como raramente pensamos, os frutos das vozes de nossa cabeça são acúmulos de pequenos sentimentos errados que constroem as personalidades diversas de nossos eus, e que nos tira as possibilidades de um real sentimento. Sempre dizemos: gosto assim, sou assim, acho melhor assim, tudo isso não é fruto de uma consciência pois como nós sabemos a consciência é sempre de um nível de compreensão que não gera dúvidas nem contrariedades nas decisões que devemos tomar em nossa vida, sempre é boa.


domingo, 24 de julho de 2016

GRAUS DE OBEDIÊNCIA - GRUPO DE TRABALHO DE GURDJIEFF

Em um grupo de T.G. existem graus de obediência que estão diretamente ligados ao centro Magnético e não ao nível de consciência. Podemos dizer que quanto maior a obediência, maior confiança ou fé a pessoa tem em relação àquilo que ela quer fazer. Aqui não estou dizendo da obediência como ameaças à pessoa, como existe num assalto, ou um pai amedrontando um filho por medo de perder algo (vida). Este tipo de obediência é referente ao perigo, uma defesa do C.Inst. para continuar vivendo a qualquer custo e o seguinte para se dar bem em outras situações ou não ser castigado pela obediência. É o mesmo caso de alguém ter algum interesse em obedecer com medo de perder algo:namorado, emprego, etc.
Nós consideramos obediência quando a pessoa obedece sem medo de perder algo e sim pela satisfação de se alcançar algo interior espiritual e não material. A fé, podemos dizer, é o nível humano mais alto de obediência. Então a numeramos com graus até o 7º pelo motivo de cada grau ser um centro de nosso corpo. Para o estudo do presente falamos somente até o grau 5.

·         Grau 1: a pessoa faz somente o que quer no momento e procura saber o que vai ganhar com aquela atitude e sempre acha que outro pode fazer em seu lugar.É puramente egoísta.
·         Grau 2: A pessoa obedece mesmo contrariada e achando ruim o que está fazendo. O 1 º grau não faz o que lhe contraria.
·         Grau 3: é um tipo de obediência que tem continuidade e ao se mandar uma vez, todas as vezes em que for necessário, não há a necessidade de dizer.A pessoa sabe o que deve fazer após ser mandado uma única vez e se não faz é por esquecimento.Existe uma satisfação em obedecer.
·         Grau 4: não esquece o que foi mandado a maioria das vezes e a obediência é uma satisfação e alegria interior .Mas tem que haver um nível de compreensão daquilo que está fazendo.
·         Grau 5: Não tem dúvida sobre a obediência e se não fizer será por medo e não por desconfiança. Este sentimento vem do C.Instintivo fazendo a pessoa não obedecer, mas não existe um limite que a force a desobedecer. Tudo fará sem nada esperar. Existe uma compreensão superior de que tudo que obedecer não só é para o seu bem como para o de todos. Mesmo que não tenha a mínima compreensão do que esteja fazendo. Dentro de si existe algo que sabe que um dia entenderá.

Não devemos esquecer que estes graus não são fixos e que de acordo com a situação,
uma pessoa do grau 3 em diante, poderá se tornar 4 ou 5. Os graus 6 e 7 dependem do nível de
consciência ou grau do ser.
Existem graus de obediência comum entre guerreiros, samurais, soldados, índios, etc. Dentro de todos eles o objetivo a ser alcançado é superior a própria vida. Isto acontece porque através da fé naquilo que se propõem, existe uma certeza de que sua atitude é contraria as três forças que dirigem o sono da humanidade. São elas o sexo, dinheiro e família. A pessoa que colocar estes três obstáculos acima de seus objetivos, sejam eles quais forem, jamais passará do nível 3 que requer a compreensão de sua atitude para ter motivo e gosto para fazer o que quer e não o que deve.
Tivemos vários exemplos, infelizmente como em tempo de guerra, onde tropas militares foram dizimadas e mesmo assim não se entregaram até chegar a hora da morte. Não devemos esquecer que o corpo físico de quem se propõe a obediência falhará, pois temos dentro de nós algo muito forte e antigo que conhecemos como C.Instintivo que existe para conservar a nossa vida à qualquer custo. Esta energia de cura se torna mais forte do que qualquer coisa que possa existir dentro do corpo.
Outra energia de mais alto grau que a obediência, a única força capaz de sobrepujá-Ia: a fé, uma energia superior individual do ser. Algo que também não devemos esquecer é que a obediência não depende da idade e nem da compreensão, mas de algo que a pessoa traz em algumas encarnações.
O que também mostra um grau de obediência 4 ou 5 é a força racial que possui. Ou melhor dizendo, a força de um determinado grupo de pessoas que já se acostumaram a ter um nível a cima de 4 dentro de sua sociedade como os japoneses, alemães antigos e outros grupos, até africanos.
Quando esta força da obediência é dirigida para a evolução do ser, não existe limite ou algo que a faça diminuir. Alguns exemplos que temos são no início do cristianismo, a entrega da vida para se ter a salvação dos céus. Isto aconteceu em várias partes do mundo e em muitas religiões diferentes.
Em nosso caso a obediência é interior e nós a modificamos pelos exercícios que nos propomos. Quanto mais tivermos lembrança de si, mais obediência teremos aos nossos objetivos.

11/03/2009 

sábado, 16 de julho de 2016

ONDE ESTOU AGORA?

É um engano imaginar que somente estaremos num determinado lugar se saímos do corpo ou se o corpo físico estiver lá. Quando uma pessoa está na fantasia interior divagando e conversando interiormente, esta pessoa não está presente. Por este motivo é que não consegue perceber o que está acontecendo consigo, muito menos com o outro. Por estar ouvindo, falando e vendo, se cria uma ilusão de presença. Para estarmos presentes temos que estar em base sólida, material e de fácil observação.
O primeiro passo é sentir o corpo, mesmo que seja apenas uma parte dele: rosto, ombros, abdômen, etc. O segundo é assistir os acontecimentos apenas, olhando e ouvindo o que está se passando, sem emitir opinião própria, apenas usando o que está entendendo (C. Inst).
Olhar e ouvir apenas com atenção em si mesmo e nos outros. Nesta situação evitar a todo custo a expressão do sentimento ou sua interferência. Acontecendo isto até podemos dizer que não estamos dormindo totalmente.
Quando uma pessoa está distraída, alegre ou triste, também não está percebendo o que está acontecendo em seu redor nem dentro de si mesma. No aumento da consciência ou OS, de acordo com nosso estado de sentimento, nos elevamos das regiões inferiores onde existe a raiva, ódio, lascividade e grandes distrações (festas) e passamos a nos situar nas regiões superiores do mundo dos desejos com sentimento bons, de afeição, carinho, amizade, alegria equilibrada. Através desses sentimentos acumulamos energia que se transforma em consciência. No caso contrário, perdemos até a pouca que temos no estado normal de vigília. Enquanto as distrações são um escoamento de forças que são necessárias para nossa evolução, a atenção é o armazenamento da energia da consciência, nos proporcionando um aumento de compreensão e de equilíbrio entre os centros motor (não fazendo movimentos desnecessários ou contração muscular), centro intelectual ( que não fica criando vozes interiores se afastando da realidade que está acontecendo dentro de si e também fora) e o C. Inst., que pode funcionar melhor sem a gula e interferência do CI que procura mudar o costume e funcionamento desse centro com idéias alimentares – dietas – ou descontrole total da interferência do CS na satisfação dos alimentos descontrolada.

Duas pessoas podem estar juntas em uma sala e no entanto distantes. Uma pode estar nas regiões superiores e a outra na própria região, recebendo influencias de acordo com o que sente e imagina com a cabeça.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

RENASCIMENTO

O homem em seu estado normal de consciência de sono (vigília) não consegue perceber o que acontece com o seu interior muito menos com os acontecimentos exteriores. Como segue suas próprias opiniões, não tem possibilidade de entender as vicissitudes da vida (nem a sua nem a dos outros), aceitando os acontecimentos como casuais e que até não deveria acontecer. Por este motivo o nosso trabalho é não lutar contra aquilo que não sabemos, mas apenas observar e aceitar que tudo passa nesse momento bom ou mal, devemos tirar o proveito de ter uma melhor situação de equilíbrio interior, para dar continuidade a nossa própria evolução.
Os diversos tipos de seres humanos (preto, mulato, branco, amarelo, mestiços, etc.) possuem um destino comum com a terra e viemos aqui para cumprir esse destino, usufruindo dos nossos méritos ou sofrimentos (físico ou psicológico). Não há uma só pessoa que nós deparamos que não possua algum motivo para isto acontecer. Ao renascermos cumprimos a determinação de um motivo para nos acordar.Ao iniciarmos os esforços para nos conhecer, devemos estar preparados para enfrentar muita coisa que não gostamos e que existe em nós mesmos.
As pessoas possuem máscaras e até acreditam que elas são verdadeiras, por este motivo evitam falar sobre elas e muito menos de as tornarem conhecidas pelas outras. Os pais se mascaram diante dos filhos e criam uma imagem falsa do que são. À medida que os filhos vão crescendo, vão vendo que seus pais não são o que dizem ser, neste ponto se inicia a rebeldia e a desobediência, pois começam a perceber que o mundo de seus pais é falso, pois ninguém consegue se esconder 24 horas por dia durante anos. Como os filhos não tem a possibilidade de se enxergarem acham que seus pais estão errados e eles estão certos e assim se inicia uma cadeia de sono de pai para filho, e cada geração acha a sua melhor e mais avançada. Como todos estão dormindo e não querem acordar para ver o que são, vivem num mundo de sonhos com pesadelos e fantasias até a velhice, se satisfazendo em permanecer assim sem acordar para ver a própria vida e suas reais possibilidades de evolução interior. O acordar exige um esforço cada vez maior nesta linha de evolução em busca de sua consciência.
Para se alcançar um estágio que se possa falar que está acordado temos que passar por 3 estágios (DÓ, RÉ, MI) e somente em FÁ é que podemos considerar que estamos acordados pelo menos em nossas decisões na vida.

É o momento em que encontramos duas pessoas que estejam se esforçando para conhecer a si mesmas e pelo menos uma delas ( às vezes ) está acordada, mas para ter certeza disso é preciso estar ao lado delas fazendo as coisas mais simples como: limpeza, arrumação, pintura, etc...e poderemos notar que muita coisa escapa de ser observada. A coisa mais simples que se pode notar num grupo é que as pessoas não percebem o que elas devem fazer e nem como fazer, para isto é necessário que tenhamos uma sinceridade com nós mesmos e possamos perceber que temos que ser mandados para poder fazer algo. Alguém tem que tomar conta para que o serviço a ser executado possa ter andamento e se não tiver quem veja, nada será feito. Para o grupo funcionar tem que ter alguém tomando conta, se por um acaso um grupo funciona sozinho onde cada um sabe o que tem que fazer significa que este grupo evoluiu para a nota seguinte.

O grupo que estiver nesse estágio, não tem necessidade de alguém tomar conta dele, ele já funciona por si mesmo. O dirigente apenas transmite ensinamentos e práticas, orientando ou interferirindo em alguma lei do acidente que possa atarapalhar o andamento e existência deles. Toda a atenção do dirigente é voltada para a distribuição de Trabalho para que cada um possa se desenvolver interiormente em sua consciência. O dirigente chega e todos já estão preparados, prontos para obedecer as ordens de Trabalho e Estudos do grupo, mas se por um acaso o dirigente se ausentar da reunião, o grupo tem capacidade suficiente de se organizar e dar continuidade aos trabalhos práticos e exercícios.

MI
É quando o grupo já pode se subdividir iniciando outros. Os integrantes do grupo já estão aptos a orientar um grupo. Nesse estágio são mais intensificados os exercícios naguais, já que o tonal é praticado com impecabilidade. O acordar é um estado mais constante no mundo lá fora e não apenas ans reuniões ou na presença dos colegas.
Em DÓ, o iniciante possui o desejo de acordar, mas ao acordar por um instante pode não gostar do que vê e sair do grupo. Em RÉ o praticante vê muitas coisas que não gosta, mas (com dificuldades) continua no grupo praticando exercícios e querendo ver mais, contudo se alguma força externa atuar (FDS), ele pode abandonar tudo e voltar a ser o que sempre foi; o trabalho de anos pode se perder numa decisão de um EU que ele achava que não existia mais. Em MI podemos dizer que os integrantes neste estágio de Trabalho, já possuem algo interior e o Trabalho não é somente algo almejado à distância (como uma ilusão ou fantasia), o Trabalho é algo de real e imprescindível para sua existência como um ser em evolução. Podemos considerar que também estas pessoas já são o TG enquanto as outras estão no Trabalho.
Esta é a diferença de comportamento desses 3 estágios: O primeiro (DÓ) a sua permanência no TG depende do grupo e não do dirigente pois a mesma facilidade de estar nas reuniões pode desaparecer na primeira dificuldade  fazendo o praticante parar. O segundo tipo (RÉ) depende da compreensão e até dos desejos interiores para permanecer no grupo. O terceiro tipo (MI) não depende de ninguém e nenhuma dificuldade o afastará do TG pois a sua força e seu nível de consciência já é algo adquirido através de anos de esforço sobre si.

sábado, 2 de julho de 2016

OS QUATRO INIMIGOS NATURAIS

OS QUATRO INIMIGOS NATURAIS 
“-  Quando um homem começa a aprender , ele nunca sabe muito claramente quais seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem. Devagar, ele começa a aprender...a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque.O que aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa, e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito torna-se um campo de batalha. E assim ele se deparou  com o primeiro de seus inimigos naturais: o Medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca. 
O que ele pode fazer para vencer o medo? 
A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural. 
Mas o homem não terá medo outra vez, se lhe acontecer uma coisa nova? 
Não. Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza... uma clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfaze-los.(...) E assim ele encontra seu segundo inimigo natural : a Clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter, elimina o medo, mas também cega. Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro. Ma tudo isso é um engano; é como uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, sucumbiu a seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem. Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou vai ser paciente quando devia precipitar-se. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender mais qualquer coisa. 
Mas o que é que tem de fazer para não ser vencido? 
Tem de fazer o que fez com o medo: Tem de desafiar sua clareza e usa-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudica-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista.Será o verdadeiro poder.Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando a tanto tempo é seu, por fim. Pode fazer o que quiser com ele. Seu aliado está a suas ordens. Seu desejo é a ordem. Vê tudo o que está em volta.Mas também encontrou seu terceiro inimigo: o Poder! O poder é o mais forte de todos os inimigos. E naturalmente a coisa mais fácil é ceder; afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor. Um homem nesse estágio quase nem nota seu terceiro inimigo se aproximando. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso. 
Então o que o distinguirá de um homem de conhecimento? 
Um homem que é derrotado pelo poder morre sem realmente saber maneja-lo.. O poder é apenas uma carga em seu destino. Um homem desses não tem domínio sobre si, e não sabe quando ou como usar seu poder. 
A derrota por algum desses inimigos é uma derrota final? 
Claro que é final. Uma vez que esses inimigos dominem o homem, não há nada que ele possa fazer. 
Será possível, por exemplo, que o homem derrotado pelo poder veja seu erro e se emende? 
Não. Uma vez que o homem cede, está liquidado. 
Mas, e se ele estiver temporariamente cego pelo poder, e depois o recusar? 
Isso significa que a batalha continua. Isso significa que ele Ainda está tentando ser um homem de conhecimento. O indivíduo é derrotado quando não tenta mais e se abandona.(...) 
Como o homem pode vencer seu terceiro inimigo, Don Juan? 
Também tem de desafia-lo, propositadamente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem seu controle sobre si, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então, saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo. O homem não estará, então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo: a Velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar. É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito...um momento em que todo seu poder está controlado, mas também um momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido o último round, e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda sua clareza, seu poder e sabedoria.Mas se o homem sacode sua fadiga, e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente.” 

( Retirado do livro “A Erva do Diabo”, do autor Carlos Castaneda ) 

sábado, 25 de junho de 2016

MUDANÇA DE NÍVEL DE SER

Toda pessoa que está satisfeita com o que é, com o que sabe e com o que faz não tem possibilidade de mudar seu nível de ser. Temos que primeiro acreditar que podemos ser melhores, tanto na compreensão intelectual como no nosso sentimento. Para iniciar temos que fazer observação em tudo o que somos não aceitando como final os dados colhidos. Então vamos dizer que gostamos de um determinado tipo de música; devemos lembrar que isto não é definitivo, mas ao ouvirmos a música, apenas senti-la sem deixar a cabeça interferir; como também o que observamos em nós, e nos outros, Como fruto de algo que já sabemos ou compreendemos. 
Temos o costume de agradar certas pessoas e ignorar outras. Devemos observar este sentimento, também, como algo mecânico de distração. Por este motivo, os casais se auto- estimulam neste tipo de situação, quando não estão atentos. A observação de si é algo que requer um esforço de continuidade, para um tipo de armazenamento de energia, que não é comum ao homem. Até nossas conversas, interiores e exteriores, possuem esta mecanicidade; então devemos tratar de todos esses casos como algo a ser estudado, através  de um relaxamento do corpo e da observação imparcial de si. Quando dormimos, isto é, passamos  do estado de vigília para o estado de sono com sonhos, vamos deixando gradativamente, os apegos da vida. Primeiro, deixando aquilo que vemos, por isso fechamos os olhos antes de dormir. Depois, os sons vão ficando distantes até não ouvirmos mais. Neste momento o corpo começa a relaxar. Esse processo de desprendimento também deve ser seguido por nós se quisermos acordar. Devemos ir nos desligando gradativamente, inversamente, de tudo que nos prende.Primeiro tomando uma postura que não seja comum e mantê-la, sentindo o corpo, relaxando os músculos, pois se estivermos tensos com atenção nele ou tencionado propositalmente. Este deve ser seguido por não fixar a atenção em um determinado som , mas nos ouvidos  que recebem todos os sons exteriores, nossos olhos podem até estar fixados em algum ponto, mas a atenção não deve se fixar nele; e dentro de nós, não aceitar as vozes interiores como algo nosso. 
Nas reuniões e Gurdjieff, devemos , ao estarmos no local, lembrar porque viemos e o que estamos fazendo; é onde a atenção deve ser de maior intensidade possível; desde os assuntos até aquilo que estamos fazendo deve ser objetivado em aumentar o nosso nível de atenção. Como viemos para um local de trabalho sobre si, não é local para dar continuidade ao chamado esquecimento de si. Os filhos, namorado, marido, amigos, não devem ser tratados como tal, e ao iniciar uma reunião, até o seu término os tratamentos da vida exterior devem ser totalmente abandonados pois, do contrário, permanecemos na mesmice de antes de chegar. É lamentável que nós percamos um tempo precioso com o continuísmo daquilo que somos, pois uma mudança de nível de ser requer um esforço muito maior do que fazemos. Sempre julgamos que estamos fazendo muito, quando na verdade estamos fazendo o mínimo. 
Quando nos deparamos com o inevitável, que pode ser desde um simples tropeço até a morte, não estaremos acompanhados; estaremos com nós mesmos. Muitos pensam, erroneamente, que o trabalho tem local. Na verdade, onde quer que estejamos com atenção, devemos nos preparar para o inevitável. Isto não quer dizer que devemos agir friamente com as pessoas que gostamos, ou não. Devemos fazer tudo o que gostamos, mas não esquecermos de nós mesmos em momento algum.  Quando nos depararmos com algo corriqueiro, distraidamente não temos possibilidade de escapar das fatalidades, mas se estivermos com atenção estamos mudando o nosso destino. 
O homem como é não tem destino; tudo acontece em sua vida. Uma hora está alegre outra hora está triste, nervoso, bravo, ranzinza, se quisermos deixar tudo isso para trás, um dia, não devemos aceitar nada do que somos naquele momento, e com humildade, deixar o que não conseguimos controlar fora de nós fluir e seguir o seu destino, pois nós estamos construindo com nosso próprio esforço, e o homem comum, na sua distração não pode dizer que gosta de alguém , pois não gosta ainda de si mesmo. 
(Itaboraí, 25 de junho de 2003 ) 

domingo, 12 de junho de 2016

O QUE VER, OBSERVAR

Ao estarmos com atenção em nós de maneira correta, sentindo o corpo, etc. podemos dizer que estamos perto da C.S. Quando olhamos uma pessoa falando, gesticulando ou parada, não devemos esperar ver nada nem querer ver algo, apenas olhar e colocar a atenção no que nos chega, incluindo a nossa pessoa na observação.
Quando queremos ver algo, limitamos nosso nível de observação. Quando apenas procuramos estar presentes, tudo o que nos chega pode ser novo e trazer uma nova explicação daquele acontecimento do momento. Outra coisa que devemos tomar muito cuidado é esperar que por causa de uma mecanicidade de alguém ou nossa, já saibamos o que vai acontecer. Isto é um engano, o inesperado é que aumenta nosso nível de observação, e nisso nos incluímos.
Até nossa postura é observada imparcialmente. Quanto mais natural nos posicionarmos, melhor de se observar. Uma pessoa se coloca imóvel com os olhos fechados, não significa atenção no ambiente em que se encontra. Isto é apenas um relaxamento e a pessoa está mais dentro de si e pouco no local em que se encontra. Como devemos nos posicionar em uma reunião ou em qualquer outro lugar em que se requeira uma atenção de melhor nível?
1 º: Ficar em posição normal e não arrumada, mas que não precise mudá-Ia constantemente, ficar confortável, com os olhos abertos, sem tensão e fazer a voz fluir naturalmente.
2º: Olhar de maneira panorâmica sem se fixar em nada, e quando estiver falando com alguém, direcionar o olhar para a pessoa e a atenção em todos, principalmente em seus movimentos.
3º: Estar com atenção em todos os sons que chegam, principalmente no interior da sala como também fora e definir que tipo de som nos chega.
4º: Procurar ao ouvir a pessoa, não ser levado pelo que ela quer dizer e tentar descobrir qual seu objetivo na fala, o que quer dizer com aquilo o que está dizendo.
5º: Perceber quem está mais presente durante um depoimento e pergunt sua opinião. Isto quer dizer, compartilhar com os atentos a fala daquele momento da pessoa.
6º: Quem esteja distraída no grupo deve repetir o que foi falado. Não cobrá-Ia e colocar atenção nela. Se sua atenção melhorar pedir novamente para dizer o que achou do que foi dito.
7º: Durante toda a reunião colocar atenção no som interno.

18/06/09

segunda-feira, 23 de maio de 2016

DECISÃO

Muitas vezes imaginamos que somos nós mesmos que tomamos decisões em fazer isto ou aquilo. É muito difícil uma pessoa que não escuta nem vê decidir algo. Quando alguém toma uma decisão pelo destino dela, ela acha que foi sozinha. A decisão interior é que é de livre arbítrio.
Se decidirmos lembrar de nós mesmos, não depende de nada externo, unicamente de nossa disposição e vontade. Os acontecimentos externos vem de 2 direcões diferentes e se encontram em nossa vida:
Primeiro é o destino que fizemos com a nossa vida antes de nascer. Podemos chamar de destino maduro; e nele está nosso corpo físico carnal, que tem a disposição para enfrentar o que tem que ser, doenças, deficiências físicas ou também força física.
O segundo destino é a nossa ligação com as pessoas que temos que passar pelo nosso passado, chamo isto de encontro para saldar dívidas de sofrimento emocional, físico ou até de felicidade. Até aqui a pessoa não pode decidir nada, o que tem que pagar, paga. Só depois é que inicia a formação do seu próprio destino. E ele começa no destino anterior. Vamos dizer que um irlandês do norte odeia um irlandês do sul e tenta eliminá-lo com ódio. Quando ele renasce será no mesmo lugar. Se ele foi do norte vai nascer no sul, se ele foi do sul vai renascer no norte e assim por diante até acordar e ver que o ódio, raiva, vingança e etc faz dormir e amarra a pessoa a um destino que ela mesmo fez.
Muitas vezes as pessoas do TG quando falam comigo se queixam que são piores do que as pessoas comuns e até tem situações em que essas pessoas comuns são superiores as pessoas do TG, em relação a atenção e atitudes na vida cotidiana. Alguns do grupo são lerdos, erram pequenas coisas, só fazem quando são mandados, muitas vezes não vêem o óbvio que está acontecendo e etc. O que muitas vezes não acontece com outra pessoa de fora que são dinâmicas, vivas e etc. Para o TG o que interessa é a compreensão de vida, para que serve a vida, para onde vamos e procurar ter a firme determinação do que se quer nesta vida. Uns querem filhos, carro, festas e etc outras já não se satisfazem somente com isso, querem saber o que fazer para acordar, ter mais consciência para se ter o direito a verdadeira imortalidade que é a verdadeira vida.
A personalidade é necessária a vida, pois muitas vezes a falsa personalidade se manifesta  e ela é prejudicial, com as fraquezas que já conhecemos como: gostos sociais de festinha, cervejas em bar, apegos familiares etc...Tudo isso pode e deve existir em nossa vida, mas não ser a principal meta ou objetivo de se viver.
A força que alimenta o sono trabalha para a evolução geral da Terra. A vida animal é horizontal  e vegetal é de baixo para cima. A força de cima para baixo é para a evolução humana, então uma cruz simboliza os reinos mineral, vegetal, animal e humano. Podemos dizer que o reino mineral é da Lua de baixo para cima, a do reino animal é horizontal da terra, e a de cima para baixo é a do Sol. Por este motivo que deitamos para dormir, e ao acordar levantamos. É prejudicial à vida  ficar com a cabeça para baixo.
Aqui podemos perceber que a decisão humana, animal e vegetal tem objetivos diferenciados. O homem, em muitas situações, toma decisões animais, como: comer, dormir, descansar, sexo, etc. Já o homem que procura uma evolução de sua consciência, toma decisões com o esforço físico, mental e emocional. O reino vegetal tem como decisão apenas alimentar-se e também serve de alimento aos animais e homens.
  • Vegetal = alimentar-se
  • Animal = alimentar e reproduzir
  • Humano = alimentar, reproduzir e divertir-se
  • O homem do quarto caminho quer algo além disso.

O objetivo do divertimento é unir os grupos para se ter um sentimento superior. A sua parte negativa é a guerra. Todas as formas de festa, folclore, danças e etc vieram de escolas superiores para a humanidade. Então o homem comum pode “decidir” criar e manter sua família, que se manifesta no conforto de sua parte negativa, como: possuir cada vez mais bens, criar possibilidade de diversão cada vez maior inspirado pela fantasia como viagens, hotéis caros, comidas sofisticadas etc.O conforto do Centro Instintivo é mínimo, descansar quando está cansado, comer quando está com fome, fazer as necessidades na hora certa.
            As decisões objetivas que nos levam a evoluir sempre requerem um sacrifício de uma dessas formas normais da vida animal e vegetal. Se examinarmos veremos que não há necessidade nenhuma desse esforço para acordar, viver bem e confortavelmente. Para se viver normalmente não é necessário esforçar-se para evoluir interiormente. Ao se tomar uma decisão de fazer algo para nossa própria evolução, o processo não se inicia no momento, mas bem antes, pois vem do centro emocional que é o graduador do nosso nível de ser. Dize-me o que sentes que direi o seu grau naquele momento. Vamos dar um exemplo: alguém decide vir a reunião do G1, esta decisão está em seu interior e não gera dúvida se vem ou não, mesmo na hora de ir embora já está decidido vir na próxima semana. Isto não acontece com pessoas do grupo 2 ou 3, elas ainda tem que ver se poderão vir e podem mudar de idéia na última hora. O destino dela é da vida, não é dela.
            O verdadeiro destino do homem é quando ele decide evoluir. A vida é apenas o meio de sua evolução.  Depois disso existe o grau da decisão que pode ser exterior, interior ou ambos. Exteriormente uma pessoa vem a reunião e faz tudo o que deve ser feito (trabalha, faz movimentos, artesanatos etc.), mas interiormente ainda não está firme (fica distraído, fazendo tudo mecanicamente e sem atenção). A pessoa deve estar presente com o físico e com os centros. Esse é o objetivo do quarto Caminho, estar presente no momento. Num grupo existem pessoas que apenas lêem e não praticam nada do que tomam conhecimento. São aquelas que se perguntarmos alguma coisa respondem prontamente e corretamente com o centro intelectual. São contadoras de histórias que não vivenciam, falam do que não sabem nem praticam e pensam que sabem.

            Devemos ficar com atenção em tudo o que decidirmos, para ver se é nossa evolução ou nossa satisfação da falsa personalidade que está decidindo. As decisões que pensamos ser nossas podem ter uma origem bem diferenciada em nossa consciência de si. Para se ter certeza de que uma decisão é a mais correta, será quando existir o equilíbrio entre a ação, emoção e intelecto, sem prejudicar outrem. Para isso é preciso ter a necessidade de Consciência de Si. O homem que está dentro de si no momento terá  averdadeira capacidade de decisão, caso contrário, algo decidirá por ele.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Construção do Templo Interior

Antigamente as Escolas de evolução humana (hindu, egípcia, babilônica, chinesa, tolteca e cristã) tinham como objetivo na Terra construir templos que servissem para a evolução do povo. Este povo vivia dirigido pelas Escolas que ensinavam tudo o que era útil (agricultura, tecelagem, artesanato e convívio social) equilibrando assim a comunidade. Algumas pessoas que participavam dessa construção também construíam seu corpo interior. Por este motivo muitas civilizações desapareceram pois deixaram de renascer os construtores, já que terminaram seu objetivo interior. O que existe fora é o que estamos construindo dentro.
Quando iniciavam uma construção de acordo astrológico e esotérico, incluindo o lugar, sempre tinham como objetivo as medidas e direções acima do gosto pessoal de cada um. O local fortalecia a parte psicológica para quem ali morava. Cada cômodo deve ter um objetivo coletivo. Sala: amizade e alegria. Cozinha: prazer e individualidade no gosto de cada participante. Copa: reunião social de quem mora na casa e assuntos diversos. Quarto de dormir: reflexão e descanso, meditação, se não tiver um local pré-determinado. A  cabeça (CI) é onde se manifesta o pensamento concreto que faz a arquitetura, artesanato e tudo aquilo que tem forma. O pensamento abstrato vem do CES e faz a música e as cores.
O homem com isso começa a aprender a trazer para o exterior o que construiu dentro de si no mundo que podemos dizer astral ou mental, demonstrando para si mesmo a capacidade do querer ousar, saber e acima de tudo, calar, para poder pensar no que está sendo construído ( forma, gosto, pagamentos, gastos, modificações, etc...)
Não deixando que outras idéias interfiram negativamente na mudança desse mundo para outro. Todos podem ver a capacidade desse feito que pode ser de um grupo ou individualmente, se alguém do Grupo der o seu esforço por menor que seja, o seu tamanho não é medido pelo dinheiro, apenas pelo esforço pessoal de cada participante. Um bom exemplo está em Marcos 12, 41-44: “Jesus estava no templo sentado perto de uma caixa de ofertas e olhava como o povo punha dinheiro ali. Muitos ricos davam muito, nisso chegou uma viúva que pôs na caixa duas moedinhas de pouco valor. Jesus chamou seus discípulos e disse”Afirmo a vcs que esta viúva pobre deu mais que todos, porque as outras pessoas deram o que estava sobreando. Ela, porém, tão pobre assim, deu o que tinha para viver”. Olhando assim esse acontecimento pode passar despercebido.
Existe nele um sentimento e uma confiança naquilo que está sendo feito, quanto mais apego ao mundo material, mais longe do espiritual, e isto deve ser ao contrário, pois tudo segue o inverso do que se pensa. Um não está separado do outro. Se for para se ter apego, deve ser somente no aumento da consciência  e não nas posses do mundo físico.
Nós vivemos simultaneamente em vários mundos, palavra, movimento, sentimento, é uma expressão do mundo interior e com isto atraímos o seu igual. Se tivermos raiva, esse sentimento atrairá alguma coisa ou pessoa que nos faça sentir raiva ou nos contrarie. Isto não está no exterior e sim dentro de si, não pelo que fazem.
A pessoa não percebe o que está acontecendo dentro de si então acha que todos são culpados daquele pensamento e daquele sentimento que está tendo ( o mundo é culpado! ). É preciso observar que o que acontece no interior é responsabilidade de si mesmo e não do mundo exterior.
Temos nosso corpo físico (carne) que obedece primeiro o instinto (5 sentidos), depois o desejo (ir, ficar, sentar, levantar, fazetr ou não fazer, qualquer coisa por mais simples que seja), o centro instintivo apenas avisa, não determina. Quem decide é o Centro emocional e o Centro Intelectual, entende ou não.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

CARRUAGEM




O homem é como uma carruagem: cavalo, cocheiro e o amo (Sr.) sentado dentro dela.
O cavalo é o nosso sentimento que nos leva com sua força de um lado para o outro, é o responsável pelo andar da carruagem, e também podemos falar que são os desejos e a vontade.
O cocheiro fica sentado em cima da carruagem dirigindo o cavalo com as rédeas nas mãos e deveria levar a carruagem para onde quisesse. É a parte intelectual o que deveria raciocinar sobre a viagem.
A carruagem em si mesma é o nosso corpo físico que deve estar bom e pronto para trabalhar com tudo funcionando e engrenado, sem empurrar.
O amo é uma pessoa que está dentro da carruagem e deveria saber tudo sobre seu transporte e para onde quer ir, e para isso depende do cavalo, cadeira, carruagem, e saber que tudo está trabalhando para que ele chegue em seu destino.
O que normalmente acontece é que o cavalo é mal tratado o fraco e sempre está com fome. Quando ele começa a andar, somente obedece quando é chicoteado, forçado, não sabe obedecer o cocheiro (raciocínio); assim vai com má vontade e somente faz o que quer. Quando vê comida, dinheiro ou sexo (FEDS), desobedece ao cocheiro e pára ou desvia do caminho que a rédea lhe quer conduzir. Diante dessa situação, o cocheiro começa a lhe bater, perder as rédeas, até que ele só obedece depois de se satisfazer, se saciar e assim o cocheiro fica exaltado, sofre, chora e não entende porque o seu cavalo não segue o que é melhor, para si e para todos.
Esta pêrda de tempo, esse desvio do caminho pode levar o cocheiro a não saber mais o caminho de volta. Sem ter como prosseguir a viagem, ele começa a dar voltas até chegar a algum lugar conhecido, e começar tudo de novo. Tudo isto acontece sem que o amo, dentro da carruagem, fique sabendo para onde está indo.
Quando a carruagem pára, o amo pode descer e ver que não era ali que ele queria chegar ou se era, já não dá mais tempo de fazer nada pois já passou muito tempo e o que ele queria já acabou.
Também pode acontecer que no caminho a carruagem se quebre (doenças) e ela tenha que parar até consertar.

O cocheiro também pode estar distraído com as paisagens e dormir, se esquecendo para onde tem que ir e o cavalo segue seu impulso até o cocheiro despertar.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

REALIDADE E FANTASIA

Realidade e fantasia (24 de maio de 2011)

Nós podemos escolher em muitas situações viver uma realidade (ter
consciência) ou uma fantasia de tudo o que vivemos. Um membro do grupo
de TG deve sempre e em todos os momentos da vida estar presente com
alguma base de sentir o corpo, não deixar a cabeça ficar falando
sozinha com fantasias e ter um programa diário por menor que seja ate
que um dia possa programar sua vida inteira.

        Vamos estudar a nós mesmos para possuirmos uma consciência superior a
que hoje nos temos. É fácil dizer isto, agora se preparar é muito
diferente. Até o momento em que não temos o mínimo de compreensão do
que queremos, continuaremos a viver normalmente como somos: interesses
em dinheiro, destino familiar dando importância a família mais do que
a própria consciência e colocando o sexo acima dos objetivos da
imortalidade do ser.

        Tudo podemos usufruir até em melhor circunstância do que uma pessoa
que se entregou a vida, sem contudo não perder nenhum segundo dos
esforço no sentido de nossa evolução interior. Podemos ter muito
dinheiro sem contudo estarmos presos a ele ou deixar ele conduzir a
direção de nossa vida. Formamos uma família casando e tendo filhos ou
simplesmente viver para si e os companheiros de evolução, pois um dia
ficaremos com o que possuímos de real que é a consciência que não
depende de nosso corpo denso para existir, então conheceremos muito
mais coisas do que hoje estamos em contato.

        O sexo pode ser sentido de maneira muito intensa sem fantasias que
satisfaçam a cabeça criando sistemas falsos de sensações. Temos
direito a tudo que existe dentro do âmbito do que conhecemos e muito
mais daquilo que nos imaginamos que existe.  Quando nosso serviço
profissional, família e sexo está acima do TG nos enganamos se
dissermos qual é o mais importante para nós. O importante é o que
fazemos na prática. Ao se adquirir um certo nível de compreensão
iniciamos uma escolha entre realidade ou fantasia. Não existe limite
ao TG quando estamos sabendo de sua utilidade na vida. A um outro que
é a atenção do ser em tudo o que nos rodeia e é externo com menos ou
mais importância até nosso corpo denso. Todo o externo não deve
atrapalhar nossa atenção, o que importa é viver tudo o que temos
direito de ter, dentro dos cinco sentidos e não satisfazê-los como se
eles fossem a própria vida. Eles nos propiciam a vida mas não são a
vida fazem parte dela e de nosso ser.

        Com esta compreensão, estamos decididos a viver juntos e programar o
amanhã no presente, para nos preparar para ter, sem
fantasias, desde uma casa, saúde, amizade e muito trabalho aproveitando esta
oportunidade de evolução que temos.

 (24 de maio de 2011)