segunda-feira, 18 de abril de 2016

A EVOLUÇÃO DO SER

O homem normal sempre acha que a razão é a sua e que seu ponto de vista é o certo. Baseado em suas próprias convicções, esquece que a sua cabeça e  seu raciocínio é apenas uma pequena parte de seu próprio ser e que sua  compreensão pode mudar de acordo com as circunstâncias em que está vivendo. Todo o conhecimento de uma pessoa pode ser acrescido de uma experiência e se tornar mecânico, completamente automático. Isto quer dizer que o próprio conhecimento pára, estaciona e deixa de evoluir com o  tempo. Quando aprendemos algo pode ser por um dos centros. Pode iniciar com o Centro Intelecctual e passar para o Centro Motor  como também pode iniciar com o Centro Motor e passa para o Centro Emocional e assim o aprendizado se automatiza.
Se o homem for de uma escola que procura a evolução do SER, ele não pode parar de praticar o que toma conhecimento para poder evoluir em sua consciência. Para isso deve aceitar que aquilo que hoje ele gosta, pode amanhã gostar muito mais ou simplesmente esquecer que gostava ou fazia. Se a pessoa procura acordar, deve sempre se auto observar através de exercícios contínuos. Quando a pessoa se acha capaz ou que já está com a razão, significa que parou. O  que ela é continuará sendo até a hora da morte, nada mais lhe será acrescido. Se tem um pequeno gosto, após 5 ou 10 anos continuará a mesma pessoa; Se tem um ponto de vista, assim ficara até o final; Suas convicções continuarão as mesmas, apenas poderá fortalecê-las, isto é, dormirá cada vez mais; Se antes fumava um maço de cigarro agora fumará dez ou mais; Se antes era um pouco nervoso, quando velho ficará pior ainda. A evolução do ser humano precisa sempre ser dada uma corda para sair do lugar, igual um relógio. Tem um tempo determinado para funcionar e sempre voltará as mesmas horas. Fora pode tudo ter mudado mas o relógio é  o mesmo e percorrerá o mesmo caminho por mais que lhe dêem corda. Para  haver uma evolução é necessário trabalhar sobre si mesmo, obedecendo não regras ou leis, mas se observando. Vamos dizer que uma pessoa fuma, bebe álcool, etc.. e ao entrar para uma religião e seguir suas leis deixa de fazer isto. Por um pequeno momento ele fará um esforço, em seguida se achará melhor do que os outros, em situação privilegiada, etc...Na verdade estará em pior situação do que antes, pois se antes ele se achava normal com seus vícios agora se acha melhor e na verdade nada em si mudou, continuará com as mesmas convicções e no lugar dos seus vícios colocará o orgulho e a vaidade, fantasiará sua própria pessoa se achando diferente e daí para frente nada em si mudará, terá os mesmos medos, distrações e conhecimentos, apenas aumentará as suas fantasias.
O que fazer então para se ter algo concreto dentro de si ? Devemos nunca aceitar aquilo que somos como um final ou que está certo. Se achamos que gostamos de uma pessoa devemos observar , com detalhes nosso comportamento diante dela e verificar através de uma observação imparcial o que sentimos por ela em cada detalhe por menor que seja. Por exemplo, acho que gosto de fulano mais do que beltrano. Devemos procurar porque gostamos e na observação constante estar presente quando a pessoa discorda de nós ou faz algo que achamos errado. O que sentimos naquela hora? O que pensamos? O que somos para ela neste momento? Qual é a tonalidade de voz que adquirimos? Como fica nosso corpo? etc, etc... Ao contrário também. Se não gostamos de alguém devemos procurar saber porque. O que temos em comum com ela? O que nos levou a ter esse tipo de sentimento? Será que nós nos achamos melhor do que ela? Porque? Tudo isso com base em relaxamento muscular e duvidar das próprias convicções.  No nosso caminho nada é conclusivo, tudo é início de algum conhecimento que nos levará a frente e para o alto.
Inicialmente deve-se até pensar que devemos deixar de sentir algo pelas pessoas, é o contrário devemos aprimorar nossos sentimentos e nossa atitude não agir mecanicamente como uma folha ao vento. Aceitar que queremos ser melhores do que somos não em nossos costumes ou atitudes, mas em nossa forma de ver e sentir o mundo que existe dentro e fora de nós para quando haver mudanças, ser para melhorar a nossa atual condição e não piorá-la. A medida em que passamos a fazer a Observação de Si  não temos possibilidade de ver o que pode fazer ou mudar. Só a longo tempo é que se nota a mudança tanto nos sentimento como nas atitudes. Agora a influência não fica unicamente em nós, ela atinge as pessoas que conhecemos, no nosso trabalho, religião, família, é como um fósforo dentro de um quarto escuro, por menor que seja a alma ela sempre iluminará o quarto todo, não só uma parte dele. O conhecimento de si inicia-se na observação de nossas impossibilidades, é quando começamos a duvidar daquilo que imaginamos possuir e que não temos como: controle de si, livre arbítrio, determinação, etc... Ao tomarmos conhecimento de nossas incapacidades, temos a possibilidade de termos estes méritos humanos, como amor, paciência, compreensão, etc...
A Observação de Si não pára somente nisto. Estes exercícios também abrem a porta para aquilo que ouvimos, lemos, acreditamos mas não vemos nem sentimos como a outra realidade além da material. Aos poucos passamos a ver, sentir e por em prática muitas coisas que pareceriam totalmente impossível para um não praticante. O grau de aprendizado que diz o nível de evolução de uma pessoa é pelo que ela vê, sente e faz na vida em seu cotidiano, uma coisa não é separada da outra. Vamos dizer que outra pessoa vê a outra realidade e não consegue ver a sua vida normal, isto é desequilíbrio e vice-versa. O trabalho sobre si é para se ter equilíbrio e com isto mais consciência e a formação de algo interior que não é perecível, que permaneça independente da vida material e transitória.
Quanto mais certeza tivermos do que temos que um dia enfrentar, maior é a força que nos faz ser diferente e encarar a realidade da vida como passageira, como o caminho para ir além do conhecimento que adquirimos na sociedade.
(2000)


sábado, 26 de março de 2016

O SABER E O SER

O conhecimento é algo que cai no Centro Intelectual e cria a ilusão que o homem tem o saber. De uma maneira comum uma pessoa adquire um conhecimento através de livros, cursos e observação exterior de acontecimentos. Tudo isso alimentará a Personalidade que necessitamos para ter uma vida normal com a sociedade. Vamos dizer que uma pessoa adquirir  um saber de marcenaria ou de pintura a óleo. Ele compra livros e começa a treinar, logo vai verificar que apesar de ter lido, visto e observado, não vai conseguir executar quase nada, vai serrar torto, pintar lambuzando toda a tela e pode até perceber que não consegue nem pregar um prego. Apesar de ter lido vários livros e perguntado para várias pessoas como fazer. Se ele insistir e continuar apesar de errar, com o tempo os erros vão diminuindo, significando que seu conhecimento que era teórico, está passando a ser prático, em outras palavras de simples conhecimento está passando a ser saber. O homem é o que sabe, não o que conhece. Uma outra forma é a seguinte: Apresento um amigo a várias pessoas numa festa  e depois de um tempo todos passam  a conhecer o Toninho. Mas eles não sabem quem é o Toninho, apenas o conhecem. Eu sei que ele é pintor, poeta, não é ladrão e gosta de doces e chá.
O saber é um nível acima do conhecimento e também o próprio saber tem níveis diferentes que podem mudar o ser das pessoas.
Uma pessoa pode ter um saber igual à outra e seu nível de ser pode ser muito acima. Dois carpinteiros podem ter o mesmo saber sobre a sua profissão. Um deles, o A possui um equilíbrio interior, não se exalta, é paciente e o dinheiro que ganha o gasta moderadamente para não lhe fazer falta. O outro, B, é um exaltado, impaciente, e sempre se mete em dificuldade financeira e etc. O A tem amizade com seus vizinhos  e o B, nenhum de seus vizinhos gostam dele, é um sujeito mal visto.
Aqui no trabalho de Gurdjieff o mesmo acontece. Duas pessoas recebem o mesmo exercício de psicologia para se fazer uma observação de si. Um deles quando está perto de outros amigos, por algum motivo se exalta e quer brigar, esquecendo os exercícios de auto-observação naquele momento e coloca seu conhecimento limitado, cheio de rancores, orgulho, vaidade, ciúme acima daquilo  que se propõe para elevar seu nível  de ser que é uma observação imparcial de si mesmo. Um outro, quando as coisas não acontecem como ele quer, se observa, fica calmo e colhe na prática uma observação de si que pelo menos naquele momento o coloca acima de seu próprio limite.
Em dado momento nos vem uma influência de alguém, imediatamente as vozes interiores baseadas em nossos conceitos mecânicos, nos domina passamos a responder ou não aquilo  que nos foi dito ou o que vemos. Neste momento podemos escolher ou sermos o que sempre fomos, desta maneira nada mudará, nem nossas idéias, sentimentos e acima de tudo nossa compreensão se estiver em zero, neste número continuará, mas caso contrário, se decidirmos não reagir mecanicamente, relaxamos nosso corpo, observamos nossos sentimentos e até nosso conceitos e pré-conceitos  e não reagimos, apenas observamos, nada mais ao dar respostas a uma conversa procuramos o Centro Intelectual e a razão baseada na observação do fato e não nos conceitos que sempre tivemos, como ponto de vista, penso assim, sou assim, gosto disso, não daquilo e etc.
Toda a pessoa que decide mudar, tem que sacrificar suas fraquezas, aquilo que o faz dormir, ser o mesmo que sempre foi. Agora se a pessoa entra nos Trabalhos de Gurdjieff e se considera perfeito, correto e satisfeito com o que é, deve parar de se enganar que quer mudar seu próprio nível. Aqui em nosso trabalho, queremos ser outra pessoa, não estamos satisfeitos com o que somos, nem com a vida que levamos. Queremos outra forma de encarar a vida, outra consciência, por isso tudo o que achamos correto ou errado devemos observar imparcialmente. Apenas observar, não julgar. Nem o que somos e nem o que nossos companheiros dessa jornada são.
Num grupo, uns gostam de cigarro, outros de bebidas alcoólicas e um terceiro de falar muito, um quarto de ficar calado, etc... Todos devem sempre lembrar  que aqui estamos para mudar nosso conceito de vida, e não como um clube social onde devemos seguir regras de comportamento, etiqueta e moralidade. Aqui no nosso grupo não nos importamos com o que as pessoas pensam ou agem em sua vida. Para nós o que importa é o objetivo de acordar, ver, sentir, perceber, estar presente nas atividades e exercícios nada mais. A meta a ser alcançada pode até estar longe, mas o caminho a seguir sabemos qual é.  E a nossa conduta externa pouco importa, pois o nosso interior deve sempre estar atento. A mudança do ser não se baseia no comportamento das outras pessoas, muito menos do que elas fazem ou pensam. O importante é estarmos sempre presente sacrificando nossas fraquezas que acumulamos durante nossas vidas. Todos aqueles que estiverem no grupo de Gurdjieff é um companheiro de Trabalho e deve ser respeitado em suas fraquezas pois se fossem fortes não precisaríamos de grupo nem de consciência. A luta é interior e ininterrupta, sem trégua, caso contrário nada alcançamos.

(11/09/2000) 

O QUE NOS TIRA ENERGIA - PARTE II

É fácil dizer que é espiritualista, que se tem livre arbítrio etc, mas quando chega a hora da prática pura, as coisas mudam e fala mais alto o egoísmo, a vaidade, a raiva, etc. É fácil também participar de reuniões sentadinhos, comportando-se como pessoa amiga e educada, seguindo os princípios de onde se freqüenta. Tudo isto é um grande fingimento e a pessoa imagina que está enganando as outras pessoas quando na realidade está se enganando e como os outros também estão, tudo se torna uma grande manifestação social que se diz espiritual e assim todos voltam para casa satisfeitos, como se já tivessem cumprido seu dever na escola, só que o dever de casa não fazem, e assim vão esperando algo que não chega até a hora derradeira de despedida do corpo físico, então se acordam, mas não há mais tempo para nada, somente ir, sem saber para onde, neste momento não há mentira, somente realidade do que se fez e do que se foi na vida.
Os que praticam vêem o que são, mas não o que serão, os outros vêem o que poderão ser, mas não o que são, e assim vão. Uns somente vêem dentro de seu nível de ser, isto é, de uma consciência nada mais do que isto, tornando-os até certo ponto cépticos, racionais e limitados na compreensão de leis e fenômenos espirituais e de leis da conseqüência.  Outros o inverso, quase não notam o presente dentro da consciência de si, são levados pela mecanicidade e possuem conhecimentos espirituais de alto nível, que uma pessoa jamais poderia possuir se  baseasse unicamente em seu nível de consciência do momento normal.




domingo, 13 de março de 2016

O QUE NOS TIRA ENERGIA - PARTE I

A soma de energia que adquirimos durante o dia vem através dos três alimentos comuns ao homem: a comida através da boca, o ar que respiramos e as impressões que recebemos. Toda a soma deles  é desperdiçada através de vários costumes que adquirimos desde a nossa infância até a idade adulta. Vamos verificar as três primeiras entre as outras de mais fácil verificação e como temos que fazer para economizar para que ela se transforme em consciência de si e que de certa forma nos traz compreensão e controle sobre certas manifestações mecânicas da vida.
A primeira fonte de desperdício são as contrações musculares que temos e que só notaremos se sentirmos o corpo, o lugar em que isto ocorre, como o rosto, ombros, abdômen, mãos, coxas e pernas. Para que isto não ocorra temos que colocar nossa atenção, através de um esforço para não esquecê-las. Com isto algo dentro de nós fica direcionado, estabilizado para partirmos para o degrau da atitude e notarmos as nossas posições corporais desconfortáveis (não significa desleixado) e contra producente para os objetivos do que estamos fazendo, como escrevendo, lendo, trabalhando, cuidando etc. Só neste tipo de observação temos um grande fato de economia de energia e atenção dirigida para o nosso próprio proveito (Centro Instintivo)
A segunda fonte de desperdício são as conversas interiores inúteis para a vida cotidiana, e que são fantasias e lucubrações da nossa cabeça. Se nos propusermos a notar isto, imediatamente ela cessa  e com isto há uma facilidade em ocupar esta energia em outra coisa. A manifestação da fantasia também está em pré conceituação do que estamos vendo, nos direcionando para fora e não observando o que vemos. Em outras palavras estamos perdidos no que assistimos, que pode ser um filme, televisão, ou até mesmo quando estamos caminhando na rua, olhando as coisas. Se fizermos tudo isto primeiro sentindo as partes contraídas para em seguida colocarmos a atenção nas fantasias da cabeça, passaremos a olhar as coisas de dentro para fora. Como um retorno, vamos para fora com a atenção, ao mesmo tempo dentro do nosso corpo. Isto causa um atrito interior de energia que fica acumulado como consciência. Aos poucos cada tentativa, alguns minutos por dia até conseguir uma grande parte do dia. Este tipo de trabalho sobre si não depende das manifestações externas. Esteja acontecendo o que for, nada pode impedir a pessoa de ter atenção dentro de si, simultaneamente. A percepção deve ser total, ao mesmo tempo em que vigiamos exteriormente, ficamos também nos policiando internamente dentro do nosso corpo.Olhamos as pessoas, movimentos, sons as intenções ao conversarmos, e interiormente a vigilância nas fantasias e frases estereotipadas, mecânicas, e verificamos o que acontece com tudo: com o corpo no relaxamento, com a cabeça e suas fantasias, isto é ficamos alertas.

A terceira coisa que é como uma explosão de energia, que vai para todos os lados, pondo a perder grande parte da nossa energia é a raiva, o ódio. Vamos dizer que a raiva é um sentimento negativo, que dá por algum motivo sempre externo e que entra no nosso corpo nos dominando, se não estivermos preparados para a luta. Na U.D.V. a raiva é uma força perambulante que entra na pessoa e assume o comando, e o ódio é o próprio mal. O ódio é um sentimento que persiste por um longo tempo dentro da pessoa e se manifesta quando encontra uma oportunidade, até de forma aparentemente calma, controlada e até inteligente para causar o mal para aquele que é odiado e para o que odeia. Este sentimento só pode existir em quem não se observa e não tem nenhum interesse em evoluir a consciência.Já a raiva é uma perda de controle que quando se vai deixa até arrependimento do ato praticado. Já o ódio deixa satisfação em quem pratica. Uma das manifestações do ódio é a vingança, outra é a satisfação que a pessoa tem em ver a outra prejudicada ou sofrendo. A raiva quando chega devemos pegar nossas armas e lutar para ela não se manifestar primeiro relaxando o corpo em seguida dirigir a atenção para a voz e nunca tomar uma decisão nesta hora. Só podemos esperar passar o momento e com ele os "Eus" que querem assumir . A luta não é para vencê-la e sim amenizá-la, estudá-la, observá-la. Este esforço nos trará a glória de uma compreensão diferente do que está acontecendo ou motivando aquele momento. Comumente se diz que a pessoa tem uma personalidade forte e fala e faz o que quer nestes momentos, mas é um erro enorme pensar assim. Pois ao se manifestar com raiva a pessoa é fraca, descontrolada e totalmente levada pelas circunstâncias que podem prejudicar tanto no momento fisicamente como psicologicamente, nada trará de útil além de se perder o momento para se armazenar uma força que é útil e prática. Podemos nos arrepender de perder o controle e extravasar a raiva mas nunca de ter controlado para que não se manifeste. 
(...continua)

segunda-feira, 7 de março de 2016

PONTO DE EQUILÍBRIO

Uma pessoa se esforça para se manter alerta, sentindo o corpo, etc...e começa o estado de consciência de si. Nesta situação todos que assim estiverem percebem as mesmas coisas e os acontecimentos ao seu redor são sentidos e vistos de forma equilibrada e dentro de uma mesma compreensão. Digamos que num grupo de 14 pessoas  uma delas esteja distraída e falando algo mecanicamente (fantasiando) e que seu estado interior esteja identificado com o assunto, em outras palavras, que esteja dormindo no estado de vigília ou sono desperto. Por mais que fale ou faça algo, todos notarão a sua intenção e identificação com o que fala ou faça. Se esta pessoa continuar assim o seu sono aumentará e cada vez mais se distanciará de um estado melhor de consciência, mas se o grupo continuar coeso no seu esforço de manter a atenção algo acontecerá com a pessoa que não está com a atenção. Ela acordará ligeiramente e terá alguma emoção de raiva ou tristeza. O grupo estará dentro de uma força que chamamos de consciência que circulará em todos que terão sua visão e sensação do corpo aumentada e cada vez mais a distância entre o grupo e  a pessoa que está dormindo aumentará. Isto poderá acontecer com uma ou mais pessoas  e esta achará que todos estão errados e que são maldosos, que tudo é sem sentido dentro dessa concordância. Se nós percebemos que isto está acontecendo com a gente, devemos imediatamente parar de se movimentar , colocar a atenção na postura e ficar de uma forma que não necessite de esforço físico, relaxar os músculos gradativamente, não procurar entender nada, nem defender nenhum ponto de vista por mais “razão” que pense ter, deverá somente sentir e observar seu próprio corpo, olhar para as pessoas sem julgá-las e não deixar as vozes interiores interferir, ficar em estado de alerta consigo mesmo, fechando a “porta” e não deixar a desconfiança entrar, apenas observar e estar presente esperando uma situação interior melhor. Se  conseguir isto, entenderá que existe uma força viva, uma energia que está à disposição do grupo e quando falar  haverá uma compreensão única, não haverá discordância dentro do grupo. Esta força não termina quando o grupo se separa fisicamente e cada um vai para o seu lado levando esta energia que poderá ser usada quando necessitar. A energia que acumulamos com os esforços de um trabalho é para a formação não de somente um corpo particular, mas de uma egrégora que permanecerá no grupo enquanto ele existir em sua formação de esforço e até além , se conseguirem armazenar uma quantidade suficiente para a existência do grupo em outras realidades (mundo astral). Para que esta força exista é necessário haver no grupo um sentimento de união, algo que seja amizade e confiança, não confundir com pieguice e identificação com uma ou outra pessoa, por exemplo: pai e filho, mãe e filho, marido e mulher, etc...pois esta ligação é perniciosa quando o grupo se reúne pois este tipo de sentimento é de quem está dormindo e está satisfeito com sua vida e confunde gostar com Amor e identificação com carinho. Os grupos ao se reunirem devem antes de tudo esquecer os laços e correntes que existem no estado de sono desperto. Uma pessoa que se considera carinhoso, bonzinho, etc...não está em condição de trabalho na 2a linha de Trabalho (fazer algo pelo grupo), só estará apta para a 1a linha de Trabalho (fazer algo para si mesmo) e não trabalhar com outras pessoas que desejam acordar e duvidam de sua própria condição de estar desperto. Há aqueles que querem acordar por não estarem satisfeitos interiormente consigo mesmo e há outros que se acham bem e sem problemas e que estão com a “razão”. A mesma razão que leva os homens à guerra, à morte e a disputa entre nações inteiras e até famílias a se gladiarem com outras famílias por vingança e etc. Dessa razão devemos fugir e não aceitá-la como linha de trabalho em nosso caso. Nós do Grupo de Gurdjieff não devemos esquecer dessas 3 linhas de Trabalho:

  • Trabalho sobre si mesmo
  • Trabalho com o grupo
  • Trabalho para o grupo
 Os grupos não são formados por vínculos de amizade, mas por capacidade de fazer o que se pede como exercício e obrigações psicológicas que dá a condição de um aumento de consciência numa determinada situação, principalmente quando a reunião está com a finalidade de um aumento de consciência. O nível de consciência de si de uma pessoa é a soma de seu esforço durante o Trabalho e não o esforço que ela está fazendo no momento dos exercícios. Isso quer dizer que mesmo que uma pessoa esteja aparentando distração e normalidade,ela é o produto do que fez durante os dias de Trabalho sobre si e seu equilíbrio e raciocínio é determinado por esta situação interior.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sacrifício



"...É necessário o sacrifício  - disse Gurdjieff. - Se nada é sacrificado, nada pode ser obtido. E é indispensável sacrificar o que lhe é precioso no próprio momento; sacrificar muito e sacrificar durante longo tempo. Não para sempre entretanto ..." (Em Busca do Milagroso - pg 49. P. O.)
Em nosso caso devemos fazer pequenos sacrifícios, os mais simples possíveis. Por Exemplo: Num determinado momento percebo uma emoção negativa, já sei que ela não trará nada de bom para mim, nem no momento nem depois. Chegou a hora do sacrifício. Devemos dar um passo atrás de nossas emoções, relaxar o corpo e não deixá-la em hipótese alguma ela se manifestar. Sacrificamos até a própria "razão", por mais certos que possamos estar naquele momento, somente teremos razão se formos donos de nossas atitudes, nesse sacrifício eliminamos a vaidade e o orgulho , sem se importar com o resultado de nossa "covardia". Pois a maioria das pessoas acham que coragem é perder o controle sobre si mesmo.
Uma outra força que nos rouba energia são as fantasias interiores. Devemos sacrificá-las também. Aquilo que julgamos ser nossos pensamentos e decisões não são mais do que acontecimentos aleatórios, completamente fora de nosso controle. Se num momento acho que devo falar alguma "verdade" para uma pessoa ou simplesmente tomar alguma atitude, devemos sacrificar essas manifestações e por trás apenas observá-las, nada mais. Tudo vai passar ; a gente gritando ou ficando quieto. tudo passa, então devemos aceitar esse fato e dentro de nós mesmos humildemente se calar e procurar através da observação de si, entender o que está acontecendo.Estamos sacrificando nossas próprias fraquezas.
Até agora só abordamos sacrifícios interiores, mas também existem os exteriores. Vamos dizer que determinada pessoa diz que faz qualquer coisa para acordar e quer ser um dia um guerreiro ou uma bruxa."- Fale mestre! Que eu te sigo e faço qualquer coisa!". Nada é mais falso, pois aqueles "Eus" que decidiram, daqui a uns instantes já não estarão presentes e os "Eus" do choppinho, Kaya, festas e etc se apresentam e dominam a situação. A pessoa que não tinha dinheiro nem para pegar um ônibus, bebe várias cervejas, fuma Kaya, vai a festas e tudo consegue para satisfazer suas fraquezas. Nem o sono a pessoa deseja sacrificar, olha para o relógio e pensa: "Vou dormir mais um pouco. Hoje estou cansado e muito mal. "E lá se vai o dia com a pessoa se espreguiçando na cama. Esperando o tempo passar e a morte chegar nos braços de Morfeu. Não quis sacrificar a preguiça, pois a trata com carinho e zelo.
Também pode nos acontecer de termos que tomar uma decisão onde teremos que  sacrificar um serviço , ou uma profissão, onde teremos que escolher continuar nos Trabalho de Gurdjieff ou seguir a vida. No nosso interior já sabemos o que queremos, mas como gostamos de nos enganar, o que falamos não é a verdade, quando aparece uma oportunidade por exemplo, um emprego, marido, viagem, passeios, aniversários, enterros, etc...Qualquer coisa "boa" já é o suficiente para a pessoa faltar as reuniões , domingueiras, etc... No nosso caminho encontramos vários obstáculos e para sermos dignos de pertencer a uma Escola, devemos saber o que queremos, caso contrário somos exatamente iguais a qualquer pessoa, estamos apenas a espera de alguma oportunidade para sermos levados pelo Rio da Vida, pela correnteza das atrações do mundo em que vivemos. Nas outras Escolas (Monge, Faquir e Yogue), exige-se também sacrifícios. Ou você vive no mundo comum ou escolhe o Caminho da Evolução e da imortalidade. Tanto um como o outro exige-se um sacrifício. Nós estamos a todo momento nos sacrificando.
Digamos que uma pessoa que esteja no Trabalho de Gurdjieff tenha a oportunidade de alcançar algo que sempre quis na realidade, desde um casamento feliz, filho, projeção em algum tipo de serviço com dinheiro e fama. Essa pessoa tem que sacrificar sua imortalidade na Terra e o seu domínio sobre si mesmo, a pessoa está sacrificando a sua consciência e a visão de outras realidades, que lhe trarão um poder permanente. As duas decisões são incertas. Se escolhermos a vida mundana, podemos pegar uma doença, ser atropelados, ou não dar certo o que achamos ser certo. O tempo passou, nada fizemos para nós mesmos e vamos tentar novamente, sempre na fantasia de que depois voltaremos para o Trabalho de Gurdjieff. Isto é uma falsidade, é uma mentira que alimentamos para nos enganarmos, pois nós somos o que fazemos e não o que pensamos fazer um dia.
No caso de uma pessoa permanecer nos Trabalhos de Gurdjieff, também pode estar se enganando. Ela pode estar vindo as reuniões, movimentos, etc... e não estar fazendo exercício algum. O tempo vai passar e a pessoa não vai conseguir quase nada de estável e duradouro; a única coisa que a coloca um pouco melhor do que as outras pessoas comuns são os movimentos e MOKUSO.
Os sacrifícios em geral dão um resultado e traz algo palpável e melhor do que aquilo que a pessoa pode ter perdido, o Trabalho de Gurdjieff. Dão em troca de qualquer sacrifício sincero um poder interior que faz a pessoa atrair outras oportunidades de maior  vulto e aí a pessoa pode escolher com domínio da situação e ser dono de seu próprio destino. Neste ponto quando isso chega , alguma coisa também aparece que é a consciência e a compreensão trazendo junto com ela a indiferença por aquilo que não seja o Trabalho. A pessoa passa a escolher o que quer e não esperar oportunidade.
Nós do 4 Caminho estamos na vida mundana sem contudo sermos levados por ela. Participamos de tudo o que for possível e lutamos para melhorar nossa situação de profissão e estabilidade social, mas no momento que tivermos que escolher entre um e outro, sabemos o que se mais tem valor em nossa caminhada., se é a vida ou a evolução de nosso ser como um todo.
Há realmente dois rios.  Um nos leva aos prazeres de festas, comilanças, risos, viagens, famílias, etc... e uma velhice, esquecido num canto como um entulho da sociedade, preocupado com os netos, ou em qual asilo ficaremos com nossa carcaça velha e cheia de doenças e fraquezas. O outro rio é o do sacrifício e trabalho durante anos a fio que nos traz o equilíbrio e o início d uma caminhada após o abandono dessa carcaça que nos ajudou a chegar por limites acima de nossa atual compreensão, em mundos onde nossas limitações esbarram no incompreensível e ficamos extasiados de apenas observarmos o que existe e está à nossa disposição. A compreensão de que o homem não veio para servir as suas próprias fraquezas, mas para uma existência onde os limites não sabemos onde ficam, sem contudo não termos que sacrificar nada do que seja bom da vida comum, apenas nossas fraquezas e nossos sonhos para sermos um homem de verdade e seguirmos nosso real destino em busca do incomensurável, da imortalidade,  na direção daquele que nos criou.
(22/11/00)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Lembrança de si



Temos que saber a diferença na percepção de Lembrança de Si e Observação de Si . Ao estarmos distraídos no dia a dia, podemos repentinamente nos darmos conta de nós mesmos. Ao acontecer isto, devemos permanecer um tempo sem interferir no sistema de sensação. Por exemplo ao lembrar de si, flagramos os ombros tensos e imediatamente passamos a sentir o resto do corpo; os sons exteriores passam a ser definidos, etc. Após isto, entramos no processo de Observação de Si, dirigimos nossa atenção para um determinado ponto, vamos dizer que estamos conversando com alguém ou vendo um filme, ao colocarmos a atenção em nós mesmos e fora de nós, percebemos que o assunto da conversa ou o tema do filme nos identifica, mas que se nos esforçamos em manter a atenção em nós mesmos, esta identificação se torna atenção. Na conversa com outra pessoa passamos a ter um controle sobre as nossas emoções e pontos de vista, que são uma coisa mecânica e inútil, no nosso caso.
Para nós tanto faz ter razão ou não, o que interessa é o nível da atenção que estamos desenvolvendo. Somente isto poderá nos trazer algum benefício. Por isto continuamos a manter nossa atenção tanto em nosso corpo quanto no tema ou assunto. Se fizermos isto, um leque se abre e algo dentro de nós se separa tanto do assunto quanto da própria sensação e passa a ter um local independente dentro de nós. Passamos a ser o observador do mundo em que vivemos, incluindo nosso corpo com o que lhe pertence.
Qualquer fato externo que nos prenda está roubando energia que precisamos para nosso desenvolvimento. Somente assim não será, se este fato é feito proposital, premeditado e acima de tudo, tendo como base inicial o relaxamento e controle do nosso corpo e observações de nossas funções. O mundo externo é o alimento que precisamos para nossa evolução que vai depender de como o recebemos, se atento ou distraído. Todas as sensações do nosso corpo são para nos manter um contato nosso interior com o mundo exterior material. O resultado de um longo tempo desse esforço nos abre a janela de uma percepção superior sobre os mundos interior, exterior e a fusão desses dois que podemos chamar de mundo espiritual.
A vastidão de dados que podemos obter, tanto com ajuda externa como do nosso nível de percepção, depende da energia que conseguimos acumular, assim como da disposição de aceitar o que se passa fora do nosso controle, tanto no tempo como em nosso interior e fora de nós. E muitas das coisas que acontecem não são como queremos e sim como devem ser. Mas nem tudo é assim, aquilo que observamos dentro de nós pode ser como queremos se ficarmos atentos aos fatos que nos deparamos na vida. O número de vezes que Lembramos de si é o mesmo da chance que temos de acordar e passar a nos observarmos e só interferir a nosso favor quando for necessário para o nosso bem.
Aí pergunto o que é para nosso bem? O que precisamos? Para o nosso bem precisamos ter o máximo de tempo em atenção, isto é, de Observação de Si e precisamos nos desligar de tudo que nos faz dormir, isto é, tudo que não temos força de nos mantermos em Observação de Si . Nada do que fazemos identificados, distraídos, dormindo é útil para nós. A riqueza deve ser acumulada dentro de nós através desse caminho de luta interior que não é fácil, mas também não é impossível. A impossibilidade começa quando achamos que aquilo que defendemos na linha horizontal de nossa vida comum é o certo e deixamos de lado a  Observação de Si e com ela a espera do momento certo da ação consciente e até objetiva. 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Evolução


O que significa isto? Como fazer para evoluir? Por que evoluir? Sabemos que possuímos o nosso corpo físico e que ele é o receptáculo de manifestações (fusões) para podermos entrar em contato com este mundo externo ou físico. Este corpo nasce, cresce, evolui até certa idade e começa a involuir até a velhice e chegar a um ponto que vai se tornando incapaz de fazer o que antes fazia, isto é, já não satisfaz plenamente uma finalidade de nos fazer entrar em contato com o mundo externo. Para isto é necessária uma alimentação básica: comida e água. Não vou entrar no mérito de qual é a melhor ou pior, isto depende do que se está fazendo e quais são as necessidades do momento. Se acharmos que a Bíblia é certa podemos comer qualquer alimento; carne, peixe, etc.
O que não devemos comer é uma escolha da parte intuitiva do ser, que possui uma inteligência acima do intelecto, se este não interferir com os modismos (refrigerantes, enlatados, etc.), mesmo estes tem um motivo para sua existência, além do fumo, café, etc. Se a pessoa quer por a atenção na saúde é outro caso que não tratarei, pois os conceitos de alimentação mudam como o vento e para o trabalho da evolução humana é apenas uma pequena parte.
O segundo alimento é o ar que respiramos, como não podemos purificá-lo, este também deve seguir os preceitos da parte intuitiva do ser, sem a interferência do intelecto.
O terceiro alimento que achamos ser o mais importante e já falamos dele várias vezes, este sim podemos escolher e nos alimentarmos adequadamente, para tanto temos que apenas fazer esforço de atenção e sacrifício de postura interior, deixando de lado a vaidade, o machismo, a raiva e etc., melhor dizendo, observá-los.
Evoluir é ter mais luz, mais compreensão sobre a vida, mais força dentro de si, é ter liberdade de não ser levado pelas circunstâncias externas, é não depender somente do corpo físico para ter vida, é poder amar quem não tem este sentimento por nós, isso é evoluir. Claro que além disso poder compreender e participar do trabalho divino da criação, entendendo as leis que existem e regem a natureza e a nossa vida.
Iniciar os primeiros passos na direção de um caminho cristão não é ficar dormindo e se julgando isto ou aquilo. Não sei outra maneira a não ser estar equilibrado dentro de mim mesmo. E para isto tenho que conhecer esta máquina que é meu corpo e não deixar que tudo se ponha na lei mais baixa, que é a do animal: viver para comer, criar, envelhecer e morrer junto de meu corpo físico.
Os mundos iniciam com nossos sentidos que nos trazem os recados e influências externas. O que vamos fazer com essas influências depende somente de nós. Entra pelos olhos, ouvidos, sensações, enfim, pelo centro instintivo, e lá dentro podemos estar preparados para receber e procurar entender estes recados da vida externa. Seja lá o que for desde a gota da chuva em nosso corpo até o olhar de nossos filhos. Tudo entra aí para não sair, entra para mudar, queiramos ou não. Tudo vai passar, o nosso esforço para a construção de uma casa, templo ou outra coisa como livro e etc., vai ficar e disso tudo o que ficará realmente conosco? Cada minuto da nossa vida é único, podemos aproveitá-lo ou perdê-lo, pois os acontecimentos seguem o seu curso natural. Nós podemos ter este destino (do nosso corpo físico) ou escolher o destino que o homem merece, aquele que temos direito e tivemos a chance de tê-lo. O trabalho para a construção desse destino, não depende do que acontece externamente, mas sim a maneira que recebemos este alimento chamado impressões. Da maneira que o recebermos poderemos sentir algo de real que existe em nosso interior. Aquele sentimento de pertencer a tudo o que nos rodeia, sem contudo seguir as mecanicidades que herdamos da nossa família, amigos, educação e até da religião que não conseguimos entender. As perguntas são necessárias, pois elas deixam um para nossa compreensão. Olho meu filho e pergunto a mim mesmo: Será que gosto dele? Será que sei o que estou fazendo? O que é gostar? Será que não é identificação? Será que não é apego falso, onde escondo minhas fraquezas? Como posso Ter raiva se a um instante eu dizia que optava? Porque mudo tão repentinamente? Será que sei quem sou eu? E aí vai.
Hoje penso o seguinte: Tudo está fazendo parte de um todo, mas antes desse todo há muitas outras partes que a nossa própria compreensão acha ser o todo. O infeliz e prepotente homem se considera conhecedor de tudo, pelo simples motivo de perceber alguns seres que enxergam através de lentes de contato, lentes de laboratório ou lentes de um telescópio. O pior, considera que sua percepção é certa e ilimitada e que sua vida é somente aquilo que ele vê se mexer e que termina quando fica parado. É como se uma célula achasse que só existe o que ela percebe, para ele então o homem não existiria. Quando fechamos os olhos para a percepção normal e a consciência se abre para outros mundos, aí então percebemos a nossa pequenez, digo outra vez, a nossa insignificância perante o todo que percebemos com um pouco mais de consciência, e na transição do aqui agora, o lá é sempre. O aqui e agora passa, o lá fica. Tudo é móvel e colorido e não está desligado do aqui, que é uma percepção pequena, limitada pelos nossos sentidos, ou melhor dizendo pelo nível da nossa consciência que amortece nossos sentidos, nos cegando. Aceitamos socialmente as nossas limitações, mas interiormente achamos que estamos sempre certos e sabemos tudo e que a nossa compreensão é a única que existe.
Devemos dar um passo na frente da nossa vaidade, não deixando-a predominar sobre a razão e a observação. Nos momentos onde aquilo que se manifesta como fraqueza e que imaginamos ser o nosso forte, devemos ser humildes diante do que está acontecendo e apenas observar, esperar e agir dentro da lei da PAZ. Tudo isto leva os homens a aceitarem:  de um lado a só quererem assistir dentro de suas próprias limitações (sua saúde, sua família ou outros seres que nos acompanham);  de outro lado, só a perceberem seus erros e sonhos e procurar juntar mais dados sobre seus mecanismos no dia a dia. E nesta satisfação mútua seguem felizes seu destino até chegar a hora da morte, para então pedir socorro para não encarar aquilo que deveriam enfrentar naturalmente durante sua vida de procura e trabalho sobre si. Nada mais é do que deixar o devaneio e as quimeras, para ficar consigo mesmo mais perto de nosso Pai Comum. Entender que a luz nada mais é do que a compreensão daquilo que nos rodeia procurando entender o que somos nesta imensidão estupenda onde tudo existe, onde tudo é.
Vamos dizer que estamos conversando com alguns amigos; temos dentre as possibilidades: uma de estar atentos a nós mesmos e outra de estarmos atentos ao assunto decorrente. Dessa maneira estou falando e ao mesmo tempo, intencionalmente, sentindo meu corpo ou parte dele. Ao sentir minha cabeça percebo os sons entrarem em meus ouvidos, tanto do assunto decorrente quanto do meio ambiente, policio minhas imaginações e fatos que defendo, não os deixando se manifestarem e durante o assunto dá para perceber a intenção do assunto e o nível de atenção de quem fala. Quanto mais entusiasmo, menos atenção e perceber se for proposital. Meus olhos notam o interesse das pessoas naquilo que quero falar e o que elas querem me falar. À medida que o tempo passa, mais fácil fica de observar-se e observar tudo.