segunda-feira, 11 de julho de 2016

RENASCIMENTO

O homem em seu estado normal de consciência de sono (vigília) não consegue perceber o que acontece com o seu interior muito menos com os acontecimentos exteriores. Como segue suas próprias opiniões, não tem possibilidade de entender as vicissitudes da vida (nem a sua nem a dos outros), aceitando os acontecimentos como casuais e que até não deveria acontecer. Por este motivo o nosso trabalho é não lutar contra aquilo que não sabemos, mas apenas observar e aceitar que tudo passa nesse momento bom ou mal, devemos tirar o proveito de ter uma melhor situação de equilíbrio interior, para dar continuidade a nossa própria evolução.
Os diversos tipos de seres humanos (preto, mulato, branco, amarelo, mestiços, etc.) possuem um destino comum com a terra e viemos aqui para cumprir esse destino, usufruindo dos nossos méritos ou sofrimentos (físico ou psicológico). Não há uma só pessoa que nós deparamos que não possua algum motivo para isto acontecer. Ao renascermos cumprimos a determinação de um motivo para nos acordar.Ao iniciarmos os esforços para nos conhecer, devemos estar preparados para enfrentar muita coisa que não gostamos e que existe em nós mesmos.
As pessoas possuem máscaras e até acreditam que elas são verdadeiras, por este motivo evitam falar sobre elas e muito menos de as tornarem conhecidas pelas outras. Os pais se mascaram diante dos filhos e criam uma imagem falsa do que são. À medida que os filhos vão crescendo, vão vendo que seus pais não são o que dizem ser, neste ponto se inicia a rebeldia e a desobediência, pois começam a perceber que o mundo de seus pais é falso, pois ninguém consegue se esconder 24 horas por dia durante anos. Como os filhos não tem a possibilidade de se enxergarem acham que seus pais estão errados e eles estão certos e assim se inicia uma cadeia de sono de pai para filho, e cada geração acha a sua melhor e mais avançada. Como todos estão dormindo e não querem acordar para ver o que são, vivem num mundo de sonhos com pesadelos e fantasias até a velhice, se satisfazendo em permanecer assim sem acordar para ver a própria vida e suas reais possibilidades de evolução interior. O acordar exige um esforço cada vez maior nesta linha de evolução em busca de sua consciência.
Para se alcançar um estágio que se possa falar que está acordado temos que passar por 3 estágios (DÓ, RÉ, MI) e somente em FÁ é que podemos considerar que estamos acordados pelo menos em nossas decisões na vida.

É o momento em que encontramos duas pessoas que estejam se esforçando para conhecer a si mesmas e pelo menos uma delas ( às vezes ) está acordada, mas para ter certeza disso é preciso estar ao lado delas fazendo as coisas mais simples como: limpeza, arrumação, pintura, etc...e poderemos notar que muita coisa escapa de ser observada. A coisa mais simples que se pode notar num grupo é que as pessoas não percebem o que elas devem fazer e nem como fazer, para isto é necessário que tenhamos uma sinceridade com nós mesmos e possamos perceber que temos que ser mandados para poder fazer algo. Alguém tem que tomar conta para que o serviço a ser executado possa ter andamento e se não tiver quem veja, nada será feito. Para o grupo funcionar tem que ter alguém tomando conta, se por um acaso um grupo funciona sozinho onde cada um sabe o que tem que fazer significa que este grupo evoluiu para a nota seguinte.

O grupo que estiver nesse estágio, não tem necessidade de alguém tomar conta dele, ele já funciona por si mesmo. O dirigente apenas transmite ensinamentos e práticas, orientando ou interferirindo em alguma lei do acidente que possa atarapalhar o andamento e existência deles. Toda a atenção do dirigente é voltada para a distribuição de Trabalho para que cada um possa se desenvolver interiormente em sua consciência. O dirigente chega e todos já estão preparados, prontos para obedecer as ordens de Trabalho e Estudos do grupo, mas se por um acaso o dirigente se ausentar da reunião, o grupo tem capacidade suficiente de se organizar e dar continuidade aos trabalhos práticos e exercícios.

MI
É quando o grupo já pode se subdividir iniciando outros. Os integrantes do grupo já estão aptos a orientar um grupo. Nesse estágio são mais intensificados os exercícios naguais, já que o tonal é praticado com impecabilidade. O acordar é um estado mais constante no mundo lá fora e não apenas ans reuniões ou na presença dos colegas.
Em DÓ, o iniciante possui o desejo de acordar, mas ao acordar por um instante pode não gostar do que vê e sair do grupo. Em RÉ o praticante vê muitas coisas que não gosta, mas (com dificuldades) continua no grupo praticando exercícios e querendo ver mais, contudo se alguma força externa atuar (FDS), ele pode abandonar tudo e voltar a ser o que sempre foi; o trabalho de anos pode se perder numa decisão de um EU que ele achava que não existia mais. Em MI podemos dizer que os integrantes neste estágio de Trabalho, já possuem algo interior e o Trabalho não é somente algo almejado à distância (como uma ilusão ou fantasia), o Trabalho é algo de real e imprescindível para sua existência como um ser em evolução. Podemos considerar que também estas pessoas já são o TG enquanto as outras estão no Trabalho.
Esta é a diferença de comportamento desses 3 estágios: O primeiro (DÓ) a sua permanência no TG depende do grupo e não do dirigente pois a mesma facilidade de estar nas reuniões pode desaparecer na primeira dificuldade  fazendo o praticante parar. O segundo tipo (RÉ) depende da compreensão e até dos desejos interiores para permanecer no grupo. O terceiro tipo (MI) não depende de ninguém e nenhuma dificuldade o afastará do TG pois a sua força e seu nível de consciência já é algo adquirido através de anos de esforço sobre si.

sábado, 2 de julho de 2016

OS QUATRO INIMIGOS NATURAIS

OS QUATRO INIMIGOS NATURAIS 
“-  Quando um homem começa a aprender , ele nunca sabe muito claramente quais seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem. Devagar, ele começa a aprender...a princípio, pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque.O que aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. Cada passo da aprendizagem é uma nova tarefa, e o medo que o homem sente começa a crescer impiedosamente, sem ceder. Seu propósito torna-se um campo de batalha. E assim ele se deparou  com o primeiro de seus inimigos naturais: o Medo! Um inimigo terrível, traiçoeiro, e difícil de vencer. Permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando, à espreita. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca. 
O que ele pode fazer para vencer o medo? 
A resposta é muito simples. Não deve fugir. Deve desafiar o medo, e, a despeito dele, deve dar o passo seguinte na aprendizagem, e o seguinte, e o seguinte. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. É esta a regra! E o momento chegará em que seu primeiro inimigo recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte. Aprender não é mais uma tarefa aterradora. Quando chega esse momento feliz, o homem pode dizer sem hesitar que derrotou seu primeiro inimigo natural. 
Mas o homem não terá medo outra vez, se lhe acontecer uma coisa nova? 
Não. Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza... uma clareza de espírito que apaga o medo. Então, o homem já conhece seus desejos; sabe como satisfaze-los.(...) E assim ele encontra seu segundo inimigo natural : a Clareza! Essa clareza de espírito, que é tão difícil de obter, elimina o medo, mas também cega. Obriga o homem a nunca duvidar de si. Dá-lhe a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. E ele é corajoso porque é claro. Ma tudo isso é um engano; é como uma coisa incompleta. Se o homem sucumbir a esse poder de faz-de-conta, sucumbiu a seu segundo inimigo e tateará com a aprendizagem. Vai precipitar-se quando devia ser paciente, ou vai ser paciente quando devia precipitar-se. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender mais qualquer coisa. 
Mas o que é que tem de fazer para não ser vencido? 
Tem de fazer o que fez com o medo: Tem de desafiar sua clareza e usa-la só para ver, e esperar com paciência e medir com cuidado antes de dar novos passos; deve pensar, acima de tudo, que sua clareza é quase um erro. E virá um momento em que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. E assim ele terá vencido seu segundo inimigo, e estará numa posição em que nada mais poderá prejudica-lo. Isso não será um engano. Não será um ponto diante da vista.Será o verdadeiro poder.Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando a tanto tempo é seu, por fim. Pode fazer o que quiser com ele. Seu aliado está a suas ordens. Seu desejo é a ordem. Vê tudo o que está em volta.Mas também encontrou seu terceiro inimigo: o Poder! O poder é o mais forte de todos os inimigos. E naturalmente a coisa mais fácil é ceder; afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor. Um homem nesse estágio quase nem nota seu terceiro inimigo se aproximando. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso. 
Então o que o distinguirá de um homem de conhecimento? 
Um homem que é derrotado pelo poder morre sem realmente saber maneja-lo.. O poder é apenas uma carga em seu destino. Um homem desses não tem domínio sobre si, e não sabe quando ou como usar seu poder. 
A derrota por algum desses inimigos é uma derrota final? 
Claro que é final. Uma vez que esses inimigos dominem o homem, não há nada que ele possa fazer. 
Será possível, por exemplo, que o homem derrotado pelo poder veja seu erro e se emende? 
Não. Uma vez que o homem cede, está liquidado. 
Mas, e se ele estiver temporariamente cego pelo poder, e depois o recusar? 
Isso significa que a batalha continua. Isso significa que ele Ainda está tentando ser um homem de conhecimento. O indivíduo é derrotado quando não tenta mais e se abandona.(...) 
Como o homem pode vencer seu terceiro inimigo, Don Juan? 
Também tem de desafia-lo, propositadamente. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder, sem seu controle sobre si, são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado. Então, saberá quando e como usar seu poder. E assim terá derrotado seu terceiro inimigo. O homem não estará, então, no fim de sua jornada do saber, e quase sem perceber encontrará seu último inimigo: a Velhice! Este inimigo é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar. É o momento em que o homem não tem mais receios, não tem mais impaciências de clareza de espírito...um momento em que todo seu poder está controlado, mas também um momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se ele se afundar na fadiga, terá perdido o último round, e seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha e débil. Seu desejo de se retirar dominará toda sua clareza, seu poder e sabedoria.Mas se o homem sacode sua fadiga, e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente.” 

( Retirado do livro “A Erva do Diabo”, do autor Carlos Castaneda ) 

sábado, 25 de junho de 2016

MUDANÇA DE NÍVEL DE SER

Toda pessoa que está satisfeita com o que é, com o que sabe e com o que faz não tem possibilidade de mudar seu nível de ser. Temos que primeiro acreditar que podemos ser melhores, tanto na compreensão intelectual como no nosso sentimento. Para iniciar temos que fazer observação em tudo o que somos não aceitando como final os dados colhidos. Então vamos dizer que gostamos de um determinado tipo de música; devemos lembrar que isto não é definitivo, mas ao ouvirmos a música, apenas senti-la sem deixar a cabeça interferir; como também o que observamos em nós, e nos outros, Como fruto de algo que já sabemos ou compreendemos. 
Temos o costume de agradar certas pessoas e ignorar outras. Devemos observar este sentimento, também, como algo mecânico de distração. Por este motivo, os casais se auto- estimulam neste tipo de situação, quando não estão atentos. A observação de si é algo que requer um esforço de continuidade, para um tipo de armazenamento de energia, que não é comum ao homem. Até nossas conversas, interiores e exteriores, possuem esta mecanicidade; então devemos tratar de todos esses casos como algo a ser estudado, através  de um relaxamento do corpo e da observação imparcial de si. Quando dormimos, isto é, passamos  do estado de vigília para o estado de sono com sonhos, vamos deixando gradativamente, os apegos da vida. Primeiro, deixando aquilo que vemos, por isso fechamos os olhos antes de dormir. Depois, os sons vão ficando distantes até não ouvirmos mais. Neste momento o corpo começa a relaxar. Esse processo de desprendimento também deve ser seguido por nós se quisermos acordar. Devemos ir nos desligando gradativamente, inversamente, de tudo que nos prende.Primeiro tomando uma postura que não seja comum e mantê-la, sentindo o corpo, relaxando os músculos, pois se estivermos tensos com atenção nele ou tencionado propositalmente. Este deve ser seguido por não fixar a atenção em um determinado som , mas nos ouvidos  que recebem todos os sons exteriores, nossos olhos podem até estar fixados em algum ponto, mas a atenção não deve se fixar nele; e dentro de nós, não aceitar as vozes interiores como algo nosso. 
Nas reuniões e Gurdjieff, devemos , ao estarmos no local, lembrar porque viemos e o que estamos fazendo; é onde a atenção deve ser de maior intensidade possível; desde os assuntos até aquilo que estamos fazendo deve ser objetivado em aumentar o nosso nível de atenção. Como viemos para um local de trabalho sobre si, não é local para dar continuidade ao chamado esquecimento de si. Os filhos, namorado, marido, amigos, não devem ser tratados como tal, e ao iniciar uma reunião, até o seu término os tratamentos da vida exterior devem ser totalmente abandonados pois, do contrário, permanecemos na mesmice de antes de chegar. É lamentável que nós percamos um tempo precioso com o continuísmo daquilo que somos, pois uma mudança de nível de ser requer um esforço muito maior do que fazemos. Sempre julgamos que estamos fazendo muito, quando na verdade estamos fazendo o mínimo. 
Quando nos deparamos com o inevitável, que pode ser desde um simples tropeço até a morte, não estaremos acompanhados; estaremos com nós mesmos. Muitos pensam, erroneamente, que o trabalho tem local. Na verdade, onde quer que estejamos com atenção, devemos nos preparar para o inevitável. Isto não quer dizer que devemos agir friamente com as pessoas que gostamos, ou não. Devemos fazer tudo o que gostamos, mas não esquecermos de nós mesmos em momento algum.  Quando nos depararmos com algo corriqueiro, distraidamente não temos possibilidade de escapar das fatalidades, mas se estivermos com atenção estamos mudando o nosso destino. 
O homem como é não tem destino; tudo acontece em sua vida. Uma hora está alegre outra hora está triste, nervoso, bravo, ranzinza, se quisermos deixar tudo isso para trás, um dia, não devemos aceitar nada do que somos naquele momento, e com humildade, deixar o que não conseguimos controlar fora de nós fluir e seguir o seu destino, pois nós estamos construindo com nosso próprio esforço, e o homem comum, na sua distração não pode dizer que gosta de alguém , pois não gosta ainda de si mesmo. 
(Itaboraí, 25 de junho de 2003 ) 

domingo, 12 de junho de 2016

O QUE VER, OBSERVAR

Ao estarmos com atenção em nós de maneira correta, sentindo o corpo, etc. podemos dizer que estamos perto da C.S. Quando olhamos uma pessoa falando, gesticulando ou parada, não devemos esperar ver nada nem querer ver algo, apenas olhar e colocar a atenção no que nos chega, incluindo a nossa pessoa na observação.
Quando queremos ver algo, limitamos nosso nível de observação. Quando apenas procuramos estar presentes, tudo o que nos chega pode ser novo e trazer uma nova explicação daquele acontecimento do momento. Outra coisa que devemos tomar muito cuidado é esperar que por causa de uma mecanicidade de alguém ou nossa, já saibamos o que vai acontecer. Isto é um engano, o inesperado é que aumenta nosso nível de observação, e nisso nos incluímos.
Até nossa postura é observada imparcialmente. Quanto mais natural nos posicionarmos, melhor de se observar. Uma pessoa se coloca imóvel com os olhos fechados, não significa atenção no ambiente em que se encontra. Isto é apenas um relaxamento e a pessoa está mais dentro de si e pouco no local em que se encontra. Como devemos nos posicionar em uma reunião ou em qualquer outro lugar em que se requeira uma atenção de melhor nível?
1 º: Ficar em posição normal e não arrumada, mas que não precise mudá-Ia constantemente, ficar confortável, com os olhos abertos, sem tensão e fazer a voz fluir naturalmente.
2º: Olhar de maneira panorâmica sem se fixar em nada, e quando estiver falando com alguém, direcionar o olhar para a pessoa e a atenção em todos, principalmente em seus movimentos.
3º: Estar com atenção em todos os sons que chegam, principalmente no interior da sala como também fora e definir que tipo de som nos chega.
4º: Procurar ao ouvir a pessoa, não ser levado pelo que ela quer dizer e tentar descobrir qual seu objetivo na fala, o que quer dizer com aquilo o que está dizendo.
5º: Perceber quem está mais presente durante um depoimento e pergunt sua opinião. Isto quer dizer, compartilhar com os atentos a fala daquele momento da pessoa.
6º: Quem esteja distraída no grupo deve repetir o que foi falado. Não cobrá-Ia e colocar atenção nela. Se sua atenção melhorar pedir novamente para dizer o que achou do que foi dito.
7º: Durante toda a reunião colocar atenção no som interno.

18/06/09

segunda-feira, 23 de maio de 2016

DECISÃO

Muitas vezes imaginamos que somos nós mesmos que tomamos decisões em fazer isto ou aquilo. É muito difícil uma pessoa que não escuta nem vê decidir algo. Quando alguém toma uma decisão pelo destino dela, ela acha que foi sozinha. A decisão interior é que é de livre arbítrio.
Se decidirmos lembrar de nós mesmos, não depende de nada externo, unicamente de nossa disposição e vontade. Os acontecimentos externos vem de 2 direcões diferentes e se encontram em nossa vida:
Primeiro é o destino que fizemos com a nossa vida antes de nascer. Podemos chamar de destino maduro; e nele está nosso corpo físico carnal, que tem a disposição para enfrentar o que tem que ser, doenças, deficiências físicas ou também força física.
O segundo destino é a nossa ligação com as pessoas que temos que passar pelo nosso passado, chamo isto de encontro para saldar dívidas de sofrimento emocional, físico ou até de felicidade. Até aqui a pessoa não pode decidir nada, o que tem que pagar, paga. Só depois é que inicia a formação do seu próprio destino. E ele começa no destino anterior. Vamos dizer que um irlandês do norte odeia um irlandês do sul e tenta eliminá-lo com ódio. Quando ele renasce será no mesmo lugar. Se ele foi do norte vai nascer no sul, se ele foi do sul vai renascer no norte e assim por diante até acordar e ver que o ódio, raiva, vingança e etc faz dormir e amarra a pessoa a um destino que ela mesmo fez.
Muitas vezes as pessoas do TG quando falam comigo se queixam que são piores do que as pessoas comuns e até tem situações em que essas pessoas comuns são superiores as pessoas do TG, em relação a atenção e atitudes na vida cotidiana. Alguns do grupo são lerdos, erram pequenas coisas, só fazem quando são mandados, muitas vezes não vêem o óbvio que está acontecendo e etc. O que muitas vezes não acontece com outra pessoa de fora que são dinâmicas, vivas e etc. Para o TG o que interessa é a compreensão de vida, para que serve a vida, para onde vamos e procurar ter a firme determinação do que se quer nesta vida. Uns querem filhos, carro, festas e etc outras já não se satisfazem somente com isso, querem saber o que fazer para acordar, ter mais consciência para se ter o direito a verdadeira imortalidade que é a verdadeira vida.
A personalidade é necessária a vida, pois muitas vezes a falsa personalidade se manifesta  e ela é prejudicial, com as fraquezas que já conhecemos como: gostos sociais de festinha, cervejas em bar, apegos familiares etc...Tudo isso pode e deve existir em nossa vida, mas não ser a principal meta ou objetivo de se viver.
A força que alimenta o sono trabalha para a evolução geral da Terra. A vida animal é horizontal  e vegetal é de baixo para cima. A força de cima para baixo é para a evolução humana, então uma cruz simboliza os reinos mineral, vegetal, animal e humano. Podemos dizer que o reino mineral é da Lua de baixo para cima, a do reino animal é horizontal da terra, e a de cima para baixo é a do Sol. Por este motivo que deitamos para dormir, e ao acordar levantamos. É prejudicial à vida  ficar com a cabeça para baixo.
Aqui podemos perceber que a decisão humana, animal e vegetal tem objetivos diferenciados. O homem, em muitas situações, toma decisões animais, como: comer, dormir, descansar, sexo, etc. Já o homem que procura uma evolução de sua consciência, toma decisões com o esforço físico, mental e emocional. O reino vegetal tem como decisão apenas alimentar-se e também serve de alimento aos animais e homens.
  • Vegetal = alimentar-se
  • Animal = alimentar e reproduzir
  • Humano = alimentar, reproduzir e divertir-se
  • O homem do quarto caminho quer algo além disso.

O objetivo do divertimento é unir os grupos para se ter um sentimento superior. A sua parte negativa é a guerra. Todas as formas de festa, folclore, danças e etc vieram de escolas superiores para a humanidade. Então o homem comum pode “decidir” criar e manter sua família, que se manifesta no conforto de sua parte negativa, como: possuir cada vez mais bens, criar possibilidade de diversão cada vez maior inspirado pela fantasia como viagens, hotéis caros, comidas sofisticadas etc.O conforto do Centro Instintivo é mínimo, descansar quando está cansado, comer quando está com fome, fazer as necessidades na hora certa.
            As decisões objetivas que nos levam a evoluir sempre requerem um sacrifício de uma dessas formas normais da vida animal e vegetal. Se examinarmos veremos que não há necessidade nenhuma desse esforço para acordar, viver bem e confortavelmente. Para se viver normalmente não é necessário esforçar-se para evoluir interiormente. Ao se tomar uma decisão de fazer algo para nossa própria evolução, o processo não se inicia no momento, mas bem antes, pois vem do centro emocional que é o graduador do nosso nível de ser. Dize-me o que sentes que direi o seu grau naquele momento. Vamos dar um exemplo: alguém decide vir a reunião do G1, esta decisão está em seu interior e não gera dúvida se vem ou não, mesmo na hora de ir embora já está decidido vir na próxima semana. Isto não acontece com pessoas do grupo 2 ou 3, elas ainda tem que ver se poderão vir e podem mudar de idéia na última hora. O destino dela é da vida, não é dela.
            O verdadeiro destino do homem é quando ele decide evoluir. A vida é apenas o meio de sua evolução.  Depois disso existe o grau da decisão que pode ser exterior, interior ou ambos. Exteriormente uma pessoa vem a reunião e faz tudo o que deve ser feito (trabalha, faz movimentos, artesanatos etc.), mas interiormente ainda não está firme (fica distraído, fazendo tudo mecanicamente e sem atenção). A pessoa deve estar presente com o físico e com os centros. Esse é o objetivo do quarto Caminho, estar presente no momento. Num grupo existem pessoas que apenas lêem e não praticam nada do que tomam conhecimento. São aquelas que se perguntarmos alguma coisa respondem prontamente e corretamente com o centro intelectual. São contadoras de histórias que não vivenciam, falam do que não sabem nem praticam e pensam que sabem.

            Devemos ficar com atenção em tudo o que decidirmos, para ver se é nossa evolução ou nossa satisfação da falsa personalidade que está decidindo. As decisões que pensamos ser nossas podem ter uma origem bem diferenciada em nossa consciência de si. Para se ter certeza de que uma decisão é a mais correta, será quando existir o equilíbrio entre a ação, emoção e intelecto, sem prejudicar outrem. Para isso é preciso ter a necessidade de Consciência de Si. O homem que está dentro de si no momento terá  averdadeira capacidade de decisão, caso contrário, algo decidirá por ele.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Construção do Templo Interior

Antigamente as Escolas de evolução humana (hindu, egípcia, babilônica, chinesa, tolteca e cristã) tinham como objetivo na Terra construir templos que servissem para a evolução do povo. Este povo vivia dirigido pelas Escolas que ensinavam tudo o que era útil (agricultura, tecelagem, artesanato e convívio social) equilibrando assim a comunidade. Algumas pessoas que participavam dessa construção também construíam seu corpo interior. Por este motivo muitas civilizações desapareceram pois deixaram de renascer os construtores, já que terminaram seu objetivo interior. O que existe fora é o que estamos construindo dentro.
Quando iniciavam uma construção de acordo astrológico e esotérico, incluindo o lugar, sempre tinham como objetivo as medidas e direções acima do gosto pessoal de cada um. O local fortalecia a parte psicológica para quem ali morava. Cada cômodo deve ter um objetivo coletivo. Sala: amizade e alegria. Cozinha: prazer e individualidade no gosto de cada participante. Copa: reunião social de quem mora na casa e assuntos diversos. Quarto de dormir: reflexão e descanso, meditação, se não tiver um local pré-determinado. A  cabeça (CI) é onde se manifesta o pensamento concreto que faz a arquitetura, artesanato e tudo aquilo que tem forma. O pensamento abstrato vem do CES e faz a música e as cores.
O homem com isso começa a aprender a trazer para o exterior o que construiu dentro de si no mundo que podemos dizer astral ou mental, demonstrando para si mesmo a capacidade do querer ousar, saber e acima de tudo, calar, para poder pensar no que está sendo construído ( forma, gosto, pagamentos, gastos, modificações, etc...)
Não deixando que outras idéias interfiram negativamente na mudança desse mundo para outro. Todos podem ver a capacidade desse feito que pode ser de um grupo ou individualmente, se alguém do Grupo der o seu esforço por menor que seja, o seu tamanho não é medido pelo dinheiro, apenas pelo esforço pessoal de cada participante. Um bom exemplo está em Marcos 12, 41-44: “Jesus estava no templo sentado perto de uma caixa de ofertas e olhava como o povo punha dinheiro ali. Muitos ricos davam muito, nisso chegou uma viúva que pôs na caixa duas moedinhas de pouco valor. Jesus chamou seus discípulos e disse”Afirmo a vcs que esta viúva pobre deu mais que todos, porque as outras pessoas deram o que estava sobreando. Ela, porém, tão pobre assim, deu o que tinha para viver”. Olhando assim esse acontecimento pode passar despercebido.
Existe nele um sentimento e uma confiança naquilo que está sendo feito, quanto mais apego ao mundo material, mais longe do espiritual, e isto deve ser ao contrário, pois tudo segue o inverso do que se pensa. Um não está separado do outro. Se for para se ter apego, deve ser somente no aumento da consciência  e não nas posses do mundo físico.
Nós vivemos simultaneamente em vários mundos, palavra, movimento, sentimento, é uma expressão do mundo interior e com isto atraímos o seu igual. Se tivermos raiva, esse sentimento atrairá alguma coisa ou pessoa que nos faça sentir raiva ou nos contrarie. Isto não está no exterior e sim dentro de si, não pelo que fazem.
A pessoa não percebe o que está acontecendo dentro de si então acha que todos são culpados daquele pensamento e daquele sentimento que está tendo ( o mundo é culpado! ). É preciso observar que o que acontece no interior é responsabilidade de si mesmo e não do mundo exterior.
Temos nosso corpo físico (carne) que obedece primeiro o instinto (5 sentidos), depois o desejo (ir, ficar, sentar, levantar, fazetr ou não fazer, qualquer coisa por mais simples que seja), o centro instintivo apenas avisa, não determina. Quem decide é o Centro emocional e o Centro Intelectual, entende ou não.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

CARRUAGEM




O homem é como uma carruagem: cavalo, cocheiro e o amo (Sr.) sentado dentro dela.
O cavalo é o nosso sentimento que nos leva com sua força de um lado para o outro, é o responsável pelo andar da carruagem, e também podemos falar que são os desejos e a vontade.
O cocheiro fica sentado em cima da carruagem dirigindo o cavalo com as rédeas nas mãos e deveria levar a carruagem para onde quisesse. É a parte intelectual o que deveria raciocinar sobre a viagem.
A carruagem em si mesma é o nosso corpo físico que deve estar bom e pronto para trabalhar com tudo funcionando e engrenado, sem empurrar.
O amo é uma pessoa que está dentro da carruagem e deveria saber tudo sobre seu transporte e para onde quer ir, e para isso depende do cavalo, cadeira, carruagem, e saber que tudo está trabalhando para que ele chegue em seu destino.
O que normalmente acontece é que o cavalo é mal tratado o fraco e sempre está com fome. Quando ele começa a andar, somente obedece quando é chicoteado, forçado, não sabe obedecer o cocheiro (raciocínio); assim vai com má vontade e somente faz o que quer. Quando vê comida, dinheiro ou sexo (FEDS), desobedece ao cocheiro e pára ou desvia do caminho que a rédea lhe quer conduzir. Diante dessa situação, o cocheiro começa a lhe bater, perder as rédeas, até que ele só obedece depois de se satisfazer, se saciar e assim o cocheiro fica exaltado, sofre, chora e não entende porque o seu cavalo não segue o que é melhor, para si e para todos.
Esta pêrda de tempo, esse desvio do caminho pode levar o cocheiro a não saber mais o caminho de volta. Sem ter como prosseguir a viagem, ele começa a dar voltas até chegar a algum lugar conhecido, e começar tudo de novo. Tudo isto acontece sem que o amo, dentro da carruagem, fique sabendo para onde está indo.
Quando a carruagem pára, o amo pode descer e ver que não era ali que ele queria chegar ou se era, já não dá mais tempo de fazer nada pois já passou muito tempo e o que ele queria já acabou.
Também pode acontecer que no caminho a carruagem se quebre (doenças) e ela tenha que parar até consertar.

O cocheiro também pode estar distraído com as paisagens e dormir, se esquecendo para onde tem que ir e o cavalo segue seu impulso até o cocheiro despertar.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

REALIDADE E FANTASIA

Realidade e fantasia (24 de maio de 2011)

Nós podemos escolher em muitas situações viver uma realidade (ter
consciência) ou uma fantasia de tudo o que vivemos. Um membro do grupo
de TG deve sempre e em todos os momentos da vida estar presente com
alguma base de sentir o corpo, não deixar a cabeça ficar falando
sozinha com fantasias e ter um programa diário por menor que seja ate
que um dia possa programar sua vida inteira.

        Vamos estudar a nós mesmos para possuirmos uma consciência superior a
que hoje nos temos. É fácil dizer isto, agora se preparar é muito
diferente. Até o momento em que não temos o mínimo de compreensão do
que queremos, continuaremos a viver normalmente como somos: interesses
em dinheiro, destino familiar dando importância a família mais do que
a própria consciência e colocando o sexo acima dos objetivos da
imortalidade do ser.

        Tudo podemos usufruir até em melhor circunstância do que uma pessoa
que se entregou a vida, sem contudo não perder nenhum segundo dos
esforço no sentido de nossa evolução interior. Podemos ter muito
dinheiro sem contudo estarmos presos a ele ou deixar ele conduzir a
direção de nossa vida. Formamos uma família casando e tendo filhos ou
simplesmente viver para si e os companheiros de evolução, pois um dia
ficaremos com o que possuímos de real que é a consciência que não
depende de nosso corpo denso para existir, então conheceremos muito
mais coisas do que hoje estamos em contato.

        O sexo pode ser sentido de maneira muito intensa sem fantasias que
satisfaçam a cabeça criando sistemas falsos de sensações. Temos
direito a tudo que existe dentro do âmbito do que conhecemos e muito
mais daquilo que nos imaginamos que existe.  Quando nosso serviço
profissional, família e sexo está acima do TG nos enganamos se
dissermos qual é o mais importante para nós. O importante é o que
fazemos na prática. Ao se adquirir um certo nível de compreensão
iniciamos uma escolha entre realidade ou fantasia. Não existe limite
ao TG quando estamos sabendo de sua utilidade na vida. A um outro que
é a atenção do ser em tudo o que nos rodeia e é externo com menos ou
mais importância até nosso corpo denso. Todo o externo não deve
atrapalhar nossa atenção, o que importa é viver tudo o que temos
direito de ter, dentro dos cinco sentidos e não satisfazê-los como se
eles fossem a própria vida. Eles nos propiciam a vida mas não são a
vida fazem parte dela e de nosso ser.

        Com esta compreensão, estamos decididos a viver juntos e programar o
amanhã no presente, para nos preparar para ter, sem
fantasias, desde uma casa, saúde, amizade e muito trabalho aproveitando esta
oportunidade de evolução que temos.

 (24 de maio de 2011)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A EVOLUÇÃO DO SER

O homem normal sempre acha que a razão é a sua e que seu ponto de vista é o certo. Baseado em suas próprias convicções, esquece que a sua cabeça e  seu raciocínio é apenas uma pequena parte de seu próprio ser e que sua  compreensão pode mudar de acordo com as circunstâncias em que está vivendo. Todo o conhecimento de uma pessoa pode ser acrescido de uma experiência e se tornar mecânico, completamente automático. Isto quer dizer que o próprio conhecimento pára, estaciona e deixa de evoluir com o  tempo. Quando aprendemos algo pode ser por um dos centros. Pode iniciar com o Centro Intelecctual e passar para o Centro Motor  como também pode iniciar com o Centro Motor e passa para o Centro Emocional e assim o aprendizado se automatiza.
Se o homem for de uma escola que procura a evolução do SER, ele não pode parar de praticar o que toma conhecimento para poder evoluir em sua consciência. Para isso deve aceitar que aquilo que hoje ele gosta, pode amanhã gostar muito mais ou simplesmente esquecer que gostava ou fazia. Se a pessoa procura acordar, deve sempre se auto observar através de exercícios contínuos. Quando a pessoa se acha capaz ou que já está com a razão, significa que parou. O  que ela é continuará sendo até a hora da morte, nada mais lhe será acrescido. Se tem um pequeno gosto, após 5 ou 10 anos continuará a mesma pessoa; Se tem um ponto de vista, assim ficara até o final; Suas convicções continuarão as mesmas, apenas poderá fortalecê-las, isto é, dormirá cada vez mais; Se antes fumava um maço de cigarro agora fumará dez ou mais; Se antes era um pouco nervoso, quando velho ficará pior ainda. A evolução do ser humano precisa sempre ser dada uma corda para sair do lugar, igual um relógio. Tem um tempo determinado para funcionar e sempre voltará as mesmas horas. Fora pode tudo ter mudado mas o relógio é  o mesmo e percorrerá o mesmo caminho por mais que lhe dêem corda. Para  haver uma evolução é necessário trabalhar sobre si mesmo, obedecendo não regras ou leis, mas se observando. Vamos dizer que uma pessoa fuma, bebe álcool, etc.. e ao entrar para uma religião e seguir suas leis deixa de fazer isto. Por um pequeno momento ele fará um esforço, em seguida se achará melhor do que os outros, em situação privilegiada, etc...Na verdade estará em pior situação do que antes, pois se antes ele se achava normal com seus vícios agora se acha melhor e na verdade nada em si mudou, continuará com as mesmas convicções e no lugar dos seus vícios colocará o orgulho e a vaidade, fantasiará sua própria pessoa se achando diferente e daí para frente nada em si mudará, terá os mesmos medos, distrações e conhecimentos, apenas aumentará as suas fantasias.
O que fazer então para se ter algo concreto dentro de si ? Devemos nunca aceitar aquilo que somos como um final ou que está certo. Se achamos que gostamos de uma pessoa devemos observar , com detalhes nosso comportamento diante dela e verificar através de uma observação imparcial o que sentimos por ela em cada detalhe por menor que seja. Por exemplo, acho que gosto de fulano mais do que beltrano. Devemos procurar porque gostamos e na observação constante estar presente quando a pessoa discorda de nós ou faz algo que achamos errado. O que sentimos naquela hora? O que pensamos? O que somos para ela neste momento? Qual é a tonalidade de voz que adquirimos? Como fica nosso corpo? etc, etc... Ao contrário também. Se não gostamos de alguém devemos procurar saber porque. O que temos em comum com ela? O que nos levou a ter esse tipo de sentimento? Será que nós nos achamos melhor do que ela? Porque? Tudo isso com base em relaxamento muscular e duvidar das próprias convicções.  No nosso caminho nada é conclusivo, tudo é início de algum conhecimento que nos levará a frente e para o alto.
Inicialmente deve-se até pensar que devemos deixar de sentir algo pelas pessoas, é o contrário devemos aprimorar nossos sentimentos e nossa atitude não agir mecanicamente como uma folha ao vento. Aceitar que queremos ser melhores do que somos não em nossos costumes ou atitudes, mas em nossa forma de ver e sentir o mundo que existe dentro e fora de nós para quando haver mudanças, ser para melhorar a nossa atual condição e não piorá-la. A medida em que passamos a fazer a Observação de Si  não temos possibilidade de ver o que pode fazer ou mudar. Só a longo tempo é que se nota a mudança tanto nos sentimento como nas atitudes. Agora a influência não fica unicamente em nós, ela atinge as pessoas que conhecemos, no nosso trabalho, religião, família, é como um fósforo dentro de um quarto escuro, por menor que seja a alma ela sempre iluminará o quarto todo, não só uma parte dele. O conhecimento de si inicia-se na observação de nossas impossibilidades, é quando começamos a duvidar daquilo que imaginamos possuir e que não temos como: controle de si, livre arbítrio, determinação, etc... Ao tomarmos conhecimento de nossas incapacidades, temos a possibilidade de termos estes méritos humanos, como amor, paciência, compreensão, etc...
A Observação de Si não pára somente nisto. Estes exercícios também abrem a porta para aquilo que ouvimos, lemos, acreditamos mas não vemos nem sentimos como a outra realidade além da material. Aos poucos passamos a ver, sentir e por em prática muitas coisas que pareceriam totalmente impossível para um não praticante. O grau de aprendizado que diz o nível de evolução de uma pessoa é pelo que ela vê, sente e faz na vida em seu cotidiano, uma coisa não é separada da outra. Vamos dizer que outra pessoa vê a outra realidade e não consegue ver a sua vida normal, isto é desequilíbrio e vice-versa. O trabalho sobre si é para se ter equilíbrio e com isto mais consciência e a formação de algo interior que não é perecível, que permaneça independente da vida material e transitória.
Quanto mais certeza tivermos do que temos que um dia enfrentar, maior é a força que nos faz ser diferente e encarar a realidade da vida como passageira, como o caminho para ir além do conhecimento que adquirimos na sociedade.
(2000)


sábado, 26 de março de 2016

O SABER E O SER

O conhecimento é algo que cai no Centro Intelectual e cria a ilusão que o homem tem o saber. De uma maneira comum uma pessoa adquire um conhecimento através de livros, cursos e observação exterior de acontecimentos. Tudo isso alimentará a Personalidade que necessitamos para ter uma vida normal com a sociedade. Vamos dizer que uma pessoa adquirir  um saber de marcenaria ou de pintura a óleo. Ele compra livros e começa a treinar, logo vai verificar que apesar de ter lido, visto e observado, não vai conseguir executar quase nada, vai serrar torto, pintar lambuzando toda a tela e pode até perceber que não consegue nem pregar um prego. Apesar de ter lido vários livros e perguntado para várias pessoas como fazer. Se ele insistir e continuar apesar de errar, com o tempo os erros vão diminuindo, significando que seu conhecimento que era teórico, está passando a ser prático, em outras palavras de simples conhecimento está passando a ser saber. O homem é o que sabe, não o que conhece. Uma outra forma é a seguinte: Apresento um amigo a várias pessoas numa festa  e depois de um tempo todos passam  a conhecer o Toninho. Mas eles não sabem quem é o Toninho, apenas o conhecem. Eu sei que ele é pintor, poeta, não é ladrão e gosta de doces e chá.
O saber é um nível acima do conhecimento e também o próprio saber tem níveis diferentes que podem mudar o ser das pessoas.
Uma pessoa pode ter um saber igual à outra e seu nível de ser pode ser muito acima. Dois carpinteiros podem ter o mesmo saber sobre a sua profissão. Um deles, o A possui um equilíbrio interior, não se exalta, é paciente e o dinheiro que ganha o gasta moderadamente para não lhe fazer falta. O outro, B, é um exaltado, impaciente, e sempre se mete em dificuldade financeira e etc. O A tem amizade com seus vizinhos  e o B, nenhum de seus vizinhos gostam dele, é um sujeito mal visto.
Aqui no trabalho de Gurdjieff o mesmo acontece. Duas pessoas recebem o mesmo exercício de psicologia para se fazer uma observação de si. Um deles quando está perto de outros amigos, por algum motivo se exalta e quer brigar, esquecendo os exercícios de auto-observação naquele momento e coloca seu conhecimento limitado, cheio de rancores, orgulho, vaidade, ciúme acima daquilo  que se propõe para elevar seu nível  de ser que é uma observação imparcial de si mesmo. Um outro, quando as coisas não acontecem como ele quer, se observa, fica calmo e colhe na prática uma observação de si que pelo menos naquele momento o coloca acima de seu próprio limite.
Em dado momento nos vem uma influência de alguém, imediatamente as vozes interiores baseadas em nossos conceitos mecânicos, nos domina passamos a responder ou não aquilo  que nos foi dito ou o que vemos. Neste momento podemos escolher ou sermos o que sempre fomos, desta maneira nada mudará, nem nossas idéias, sentimentos e acima de tudo nossa compreensão se estiver em zero, neste número continuará, mas caso contrário, se decidirmos não reagir mecanicamente, relaxamos nosso corpo, observamos nossos sentimentos e até nosso conceitos e pré-conceitos  e não reagimos, apenas observamos, nada mais ao dar respostas a uma conversa procuramos o Centro Intelectual e a razão baseada na observação do fato e não nos conceitos que sempre tivemos, como ponto de vista, penso assim, sou assim, gosto disso, não daquilo e etc.
Toda a pessoa que decide mudar, tem que sacrificar suas fraquezas, aquilo que o faz dormir, ser o mesmo que sempre foi. Agora se a pessoa entra nos Trabalhos de Gurdjieff e se considera perfeito, correto e satisfeito com o que é, deve parar de se enganar que quer mudar seu próprio nível. Aqui em nosso trabalho, queremos ser outra pessoa, não estamos satisfeitos com o que somos, nem com a vida que levamos. Queremos outra forma de encarar a vida, outra consciência, por isso tudo o que achamos correto ou errado devemos observar imparcialmente. Apenas observar, não julgar. Nem o que somos e nem o que nossos companheiros dessa jornada são.
Num grupo, uns gostam de cigarro, outros de bebidas alcoólicas e um terceiro de falar muito, um quarto de ficar calado, etc... Todos devem sempre lembrar  que aqui estamos para mudar nosso conceito de vida, e não como um clube social onde devemos seguir regras de comportamento, etiqueta e moralidade. Aqui no nosso grupo não nos importamos com o que as pessoas pensam ou agem em sua vida. Para nós o que importa é o objetivo de acordar, ver, sentir, perceber, estar presente nas atividades e exercícios nada mais. A meta a ser alcançada pode até estar longe, mas o caminho a seguir sabemos qual é.  E a nossa conduta externa pouco importa, pois o nosso interior deve sempre estar atento. A mudança do ser não se baseia no comportamento das outras pessoas, muito menos do que elas fazem ou pensam. O importante é estarmos sempre presente sacrificando nossas fraquezas que acumulamos durante nossas vidas. Todos aqueles que estiverem no grupo de Gurdjieff é um companheiro de Trabalho e deve ser respeitado em suas fraquezas pois se fossem fortes não precisaríamos de grupo nem de consciência. A luta é interior e ininterrupta, sem trégua, caso contrário nada alcançamos.

(11/09/2000) 

O QUE NOS TIRA ENERGIA - PARTE II

É fácil dizer que é espiritualista, que se tem livre arbítrio etc, mas quando chega a hora da prática pura, as coisas mudam e fala mais alto o egoísmo, a vaidade, a raiva, etc. É fácil também participar de reuniões sentadinhos, comportando-se como pessoa amiga e educada, seguindo os princípios de onde se freqüenta. Tudo isto é um grande fingimento e a pessoa imagina que está enganando as outras pessoas quando na realidade está se enganando e como os outros também estão, tudo se torna uma grande manifestação social que se diz espiritual e assim todos voltam para casa satisfeitos, como se já tivessem cumprido seu dever na escola, só que o dever de casa não fazem, e assim vão esperando algo que não chega até a hora derradeira de despedida do corpo físico, então se acordam, mas não há mais tempo para nada, somente ir, sem saber para onde, neste momento não há mentira, somente realidade do que se fez e do que se foi na vida.
Os que praticam vêem o que são, mas não o que serão, os outros vêem o que poderão ser, mas não o que são, e assim vão. Uns somente vêem dentro de seu nível de ser, isto é, de uma consciência nada mais do que isto, tornando-os até certo ponto cépticos, racionais e limitados na compreensão de leis e fenômenos espirituais e de leis da conseqüência.  Outros o inverso, quase não notam o presente dentro da consciência de si, são levados pela mecanicidade e possuem conhecimentos espirituais de alto nível, que uma pessoa jamais poderia possuir se  baseasse unicamente em seu nível de consciência do momento normal.




domingo, 13 de março de 2016

O QUE NOS TIRA ENERGIA - PARTE I

A soma de energia que adquirimos durante o dia vem através dos três alimentos comuns ao homem: a comida através da boca, o ar que respiramos e as impressões que recebemos. Toda a soma deles  é desperdiçada através de vários costumes que adquirimos desde a nossa infância até a idade adulta. Vamos verificar as três primeiras entre as outras de mais fácil verificação e como temos que fazer para economizar para que ela se transforme em consciência de si e que de certa forma nos traz compreensão e controle sobre certas manifestações mecânicas da vida.
A primeira fonte de desperdício são as contrações musculares que temos e que só notaremos se sentirmos o corpo, o lugar em que isto ocorre, como o rosto, ombros, abdômen, mãos, coxas e pernas. Para que isto não ocorra temos que colocar nossa atenção, através de um esforço para não esquecê-las. Com isto algo dentro de nós fica direcionado, estabilizado para partirmos para o degrau da atitude e notarmos as nossas posições corporais desconfortáveis (não significa desleixado) e contra producente para os objetivos do que estamos fazendo, como escrevendo, lendo, trabalhando, cuidando etc. Só neste tipo de observação temos um grande fato de economia de energia e atenção dirigida para o nosso próprio proveito (Centro Instintivo)
A segunda fonte de desperdício são as conversas interiores inúteis para a vida cotidiana, e que são fantasias e lucubrações da nossa cabeça. Se nos propusermos a notar isto, imediatamente ela cessa  e com isto há uma facilidade em ocupar esta energia em outra coisa. A manifestação da fantasia também está em pré conceituação do que estamos vendo, nos direcionando para fora e não observando o que vemos. Em outras palavras estamos perdidos no que assistimos, que pode ser um filme, televisão, ou até mesmo quando estamos caminhando na rua, olhando as coisas. Se fizermos tudo isto primeiro sentindo as partes contraídas para em seguida colocarmos a atenção nas fantasias da cabeça, passaremos a olhar as coisas de dentro para fora. Como um retorno, vamos para fora com a atenção, ao mesmo tempo dentro do nosso corpo. Isto causa um atrito interior de energia que fica acumulado como consciência. Aos poucos cada tentativa, alguns minutos por dia até conseguir uma grande parte do dia. Este tipo de trabalho sobre si não depende das manifestações externas. Esteja acontecendo o que for, nada pode impedir a pessoa de ter atenção dentro de si, simultaneamente. A percepção deve ser total, ao mesmo tempo em que vigiamos exteriormente, ficamos também nos policiando internamente dentro do nosso corpo.Olhamos as pessoas, movimentos, sons as intenções ao conversarmos, e interiormente a vigilância nas fantasias e frases estereotipadas, mecânicas, e verificamos o que acontece com tudo: com o corpo no relaxamento, com a cabeça e suas fantasias, isto é ficamos alertas.

A terceira coisa que é como uma explosão de energia, que vai para todos os lados, pondo a perder grande parte da nossa energia é a raiva, o ódio. Vamos dizer que a raiva é um sentimento negativo, que dá por algum motivo sempre externo e que entra no nosso corpo nos dominando, se não estivermos preparados para a luta. Na U.D.V. a raiva é uma força perambulante que entra na pessoa e assume o comando, e o ódio é o próprio mal. O ódio é um sentimento que persiste por um longo tempo dentro da pessoa e se manifesta quando encontra uma oportunidade, até de forma aparentemente calma, controlada e até inteligente para causar o mal para aquele que é odiado e para o que odeia. Este sentimento só pode existir em quem não se observa e não tem nenhum interesse em evoluir a consciência.Já a raiva é uma perda de controle que quando se vai deixa até arrependimento do ato praticado. Já o ódio deixa satisfação em quem pratica. Uma das manifestações do ódio é a vingança, outra é a satisfação que a pessoa tem em ver a outra prejudicada ou sofrendo. A raiva quando chega devemos pegar nossas armas e lutar para ela não se manifestar primeiro relaxando o corpo em seguida dirigir a atenção para a voz e nunca tomar uma decisão nesta hora. Só podemos esperar passar o momento e com ele os "Eus" que querem assumir . A luta não é para vencê-la e sim amenizá-la, estudá-la, observá-la. Este esforço nos trará a glória de uma compreensão diferente do que está acontecendo ou motivando aquele momento. Comumente se diz que a pessoa tem uma personalidade forte e fala e faz o que quer nestes momentos, mas é um erro enorme pensar assim. Pois ao se manifestar com raiva a pessoa é fraca, descontrolada e totalmente levada pelas circunstâncias que podem prejudicar tanto no momento fisicamente como psicologicamente, nada trará de útil além de se perder o momento para se armazenar uma força que é útil e prática. Podemos nos arrepender de perder o controle e extravasar a raiva mas nunca de ter controlado para que não se manifeste. 
(...continua)

segunda-feira, 7 de março de 2016

PONTO DE EQUILÍBRIO

Uma pessoa se esforça para se manter alerta, sentindo o corpo, etc...e começa o estado de consciência de si. Nesta situação todos que assim estiverem percebem as mesmas coisas e os acontecimentos ao seu redor são sentidos e vistos de forma equilibrada e dentro de uma mesma compreensão. Digamos que num grupo de 14 pessoas  uma delas esteja distraída e falando algo mecanicamente (fantasiando) e que seu estado interior esteja identificado com o assunto, em outras palavras, que esteja dormindo no estado de vigília ou sono desperto. Por mais que fale ou faça algo, todos notarão a sua intenção e identificação com o que fala ou faça. Se esta pessoa continuar assim o seu sono aumentará e cada vez mais se distanciará de um estado melhor de consciência, mas se o grupo continuar coeso no seu esforço de manter a atenção algo acontecerá com a pessoa que não está com a atenção. Ela acordará ligeiramente e terá alguma emoção de raiva ou tristeza. O grupo estará dentro de uma força que chamamos de consciência que circulará em todos que terão sua visão e sensação do corpo aumentada e cada vez mais a distância entre o grupo e  a pessoa que está dormindo aumentará. Isto poderá acontecer com uma ou mais pessoas  e esta achará que todos estão errados e que são maldosos, que tudo é sem sentido dentro dessa concordância. Se nós percebemos que isto está acontecendo com a gente, devemos imediatamente parar de se movimentar , colocar a atenção na postura e ficar de uma forma que não necessite de esforço físico, relaxar os músculos gradativamente, não procurar entender nada, nem defender nenhum ponto de vista por mais “razão” que pense ter, deverá somente sentir e observar seu próprio corpo, olhar para as pessoas sem julgá-las e não deixar as vozes interiores interferir, ficar em estado de alerta consigo mesmo, fechando a “porta” e não deixar a desconfiança entrar, apenas observar e estar presente esperando uma situação interior melhor. Se  conseguir isto, entenderá que existe uma força viva, uma energia que está à disposição do grupo e quando falar  haverá uma compreensão única, não haverá discordância dentro do grupo. Esta força não termina quando o grupo se separa fisicamente e cada um vai para o seu lado levando esta energia que poderá ser usada quando necessitar. A energia que acumulamos com os esforços de um trabalho é para a formação não de somente um corpo particular, mas de uma egrégora que permanecerá no grupo enquanto ele existir em sua formação de esforço e até além , se conseguirem armazenar uma quantidade suficiente para a existência do grupo em outras realidades (mundo astral). Para que esta força exista é necessário haver no grupo um sentimento de união, algo que seja amizade e confiança, não confundir com pieguice e identificação com uma ou outra pessoa, por exemplo: pai e filho, mãe e filho, marido e mulher, etc...pois esta ligação é perniciosa quando o grupo se reúne pois este tipo de sentimento é de quem está dormindo e está satisfeito com sua vida e confunde gostar com Amor e identificação com carinho. Os grupos ao se reunirem devem antes de tudo esquecer os laços e correntes que existem no estado de sono desperto. Uma pessoa que se considera carinhoso, bonzinho, etc...não está em condição de trabalho na 2a linha de Trabalho (fazer algo pelo grupo), só estará apta para a 1a linha de Trabalho (fazer algo para si mesmo) e não trabalhar com outras pessoas que desejam acordar e duvidam de sua própria condição de estar desperto. Há aqueles que querem acordar por não estarem satisfeitos interiormente consigo mesmo e há outros que se acham bem e sem problemas e que estão com a “razão”. A mesma razão que leva os homens à guerra, à morte e a disputa entre nações inteiras e até famílias a se gladiarem com outras famílias por vingança e etc. Dessa razão devemos fugir e não aceitá-la como linha de trabalho em nosso caso. Nós do Grupo de Gurdjieff não devemos esquecer dessas 3 linhas de Trabalho:

  • Trabalho sobre si mesmo
  • Trabalho com o grupo
  • Trabalho para o grupo
 Os grupos não são formados por vínculos de amizade, mas por capacidade de fazer o que se pede como exercício e obrigações psicológicas que dá a condição de um aumento de consciência numa determinada situação, principalmente quando a reunião está com a finalidade de um aumento de consciência. O nível de consciência de si de uma pessoa é a soma de seu esforço durante o Trabalho e não o esforço que ela está fazendo no momento dos exercícios. Isso quer dizer que mesmo que uma pessoa esteja aparentando distração e normalidade,ela é o produto do que fez durante os dias de Trabalho sobre si e seu equilíbrio e raciocínio é determinado por esta situação interior.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sacrifício



"...É necessário o sacrifício  - disse Gurdjieff. - Se nada é sacrificado, nada pode ser obtido. E é indispensável sacrificar o que lhe é precioso no próprio momento; sacrificar muito e sacrificar durante longo tempo. Não para sempre entretanto ..." (Em Busca do Milagroso - pg 49. P. O.)
Em nosso caso devemos fazer pequenos sacrifícios, os mais simples possíveis. Por Exemplo: Num determinado momento percebo uma emoção negativa, já sei que ela não trará nada de bom para mim, nem no momento nem depois. Chegou a hora do sacrifício. Devemos dar um passo atrás de nossas emoções, relaxar o corpo e não deixá-la em hipótese alguma ela se manifestar. Sacrificamos até a própria "razão", por mais certos que possamos estar naquele momento, somente teremos razão se formos donos de nossas atitudes, nesse sacrifício eliminamos a vaidade e o orgulho , sem se importar com o resultado de nossa "covardia". Pois a maioria das pessoas acham que coragem é perder o controle sobre si mesmo.
Uma outra força que nos rouba energia são as fantasias interiores. Devemos sacrificá-las também. Aquilo que julgamos ser nossos pensamentos e decisões não são mais do que acontecimentos aleatórios, completamente fora de nosso controle. Se num momento acho que devo falar alguma "verdade" para uma pessoa ou simplesmente tomar alguma atitude, devemos sacrificar essas manifestações e por trás apenas observá-las, nada mais. Tudo vai passar ; a gente gritando ou ficando quieto. tudo passa, então devemos aceitar esse fato e dentro de nós mesmos humildemente se calar e procurar através da observação de si, entender o que está acontecendo.Estamos sacrificando nossas próprias fraquezas.
Até agora só abordamos sacrifícios interiores, mas também existem os exteriores. Vamos dizer que determinada pessoa diz que faz qualquer coisa para acordar e quer ser um dia um guerreiro ou uma bruxa."- Fale mestre! Que eu te sigo e faço qualquer coisa!". Nada é mais falso, pois aqueles "Eus" que decidiram, daqui a uns instantes já não estarão presentes e os "Eus" do choppinho, Kaya, festas e etc se apresentam e dominam a situação. A pessoa que não tinha dinheiro nem para pegar um ônibus, bebe várias cervejas, fuma Kaya, vai a festas e tudo consegue para satisfazer suas fraquezas. Nem o sono a pessoa deseja sacrificar, olha para o relógio e pensa: "Vou dormir mais um pouco. Hoje estou cansado e muito mal. "E lá se vai o dia com a pessoa se espreguiçando na cama. Esperando o tempo passar e a morte chegar nos braços de Morfeu. Não quis sacrificar a preguiça, pois a trata com carinho e zelo.
Também pode nos acontecer de termos que tomar uma decisão onde teremos que  sacrificar um serviço , ou uma profissão, onde teremos que escolher continuar nos Trabalho de Gurdjieff ou seguir a vida. No nosso interior já sabemos o que queremos, mas como gostamos de nos enganar, o que falamos não é a verdade, quando aparece uma oportunidade por exemplo, um emprego, marido, viagem, passeios, aniversários, enterros, etc...Qualquer coisa "boa" já é o suficiente para a pessoa faltar as reuniões , domingueiras, etc... No nosso caminho encontramos vários obstáculos e para sermos dignos de pertencer a uma Escola, devemos saber o que queremos, caso contrário somos exatamente iguais a qualquer pessoa, estamos apenas a espera de alguma oportunidade para sermos levados pelo Rio da Vida, pela correnteza das atrações do mundo em que vivemos. Nas outras Escolas (Monge, Faquir e Yogue), exige-se também sacrifícios. Ou você vive no mundo comum ou escolhe o Caminho da Evolução e da imortalidade. Tanto um como o outro exige-se um sacrifício. Nós estamos a todo momento nos sacrificando.
Digamos que uma pessoa que esteja no Trabalho de Gurdjieff tenha a oportunidade de alcançar algo que sempre quis na realidade, desde um casamento feliz, filho, projeção em algum tipo de serviço com dinheiro e fama. Essa pessoa tem que sacrificar sua imortalidade na Terra e o seu domínio sobre si mesmo, a pessoa está sacrificando a sua consciência e a visão de outras realidades, que lhe trarão um poder permanente. As duas decisões são incertas. Se escolhermos a vida mundana, podemos pegar uma doença, ser atropelados, ou não dar certo o que achamos ser certo. O tempo passou, nada fizemos para nós mesmos e vamos tentar novamente, sempre na fantasia de que depois voltaremos para o Trabalho de Gurdjieff. Isto é uma falsidade, é uma mentira que alimentamos para nos enganarmos, pois nós somos o que fazemos e não o que pensamos fazer um dia.
No caso de uma pessoa permanecer nos Trabalhos de Gurdjieff, também pode estar se enganando. Ela pode estar vindo as reuniões, movimentos, etc... e não estar fazendo exercício algum. O tempo vai passar e a pessoa não vai conseguir quase nada de estável e duradouro; a única coisa que a coloca um pouco melhor do que as outras pessoas comuns são os movimentos e MOKUSO.
Os sacrifícios em geral dão um resultado e traz algo palpável e melhor do que aquilo que a pessoa pode ter perdido, o Trabalho de Gurdjieff. Dão em troca de qualquer sacrifício sincero um poder interior que faz a pessoa atrair outras oportunidades de maior  vulto e aí a pessoa pode escolher com domínio da situação e ser dono de seu próprio destino. Neste ponto quando isso chega , alguma coisa também aparece que é a consciência e a compreensão trazendo junto com ela a indiferença por aquilo que não seja o Trabalho. A pessoa passa a escolher o que quer e não esperar oportunidade.
Nós do 4 Caminho estamos na vida mundana sem contudo sermos levados por ela. Participamos de tudo o que for possível e lutamos para melhorar nossa situação de profissão e estabilidade social, mas no momento que tivermos que escolher entre um e outro, sabemos o que se mais tem valor em nossa caminhada., se é a vida ou a evolução de nosso ser como um todo.
Há realmente dois rios.  Um nos leva aos prazeres de festas, comilanças, risos, viagens, famílias, etc... e uma velhice, esquecido num canto como um entulho da sociedade, preocupado com os netos, ou em qual asilo ficaremos com nossa carcaça velha e cheia de doenças e fraquezas. O outro rio é o do sacrifício e trabalho durante anos a fio que nos traz o equilíbrio e o início d uma caminhada após o abandono dessa carcaça que nos ajudou a chegar por limites acima de nossa atual compreensão, em mundos onde nossas limitações esbarram no incompreensível e ficamos extasiados de apenas observarmos o que existe e está à nossa disposição. A compreensão de que o homem não veio para servir as suas próprias fraquezas, mas para uma existência onde os limites não sabemos onde ficam, sem contudo não termos que sacrificar nada do que seja bom da vida comum, apenas nossas fraquezas e nossos sonhos para sermos um homem de verdade e seguirmos nosso real destino em busca do incomensurável, da imortalidade,  na direção daquele que nos criou.
(22/11/00)